GLOSAS 12 | Domenico Scarlatti

 

 

A História da Música não seria a mesma sem Domenico Scarlatti, que celebra 330 anos em Outubro e que decidimos homenagear neste 12.º número da glosas impressa. É o primeiro compositor barroco a ser escolhido como capa e, dos compositores barrocos que viveram em Portugal, certamente o mais famoso. A singularidade da sua estada no nosso país foi já amplamente discutida e explorada, e mais ainda os traços gerais dos seus notáveis percursos artístico e biográfico. Não obstante, este breve dossiê evocativo procura despoletar um novo olhar de aproximação ao compositor, ao Portugal seu contemporâneo, ao barroco joanino. Um retrato das colecções da Casa dos Patudos, Museu de Alpiarça – a única pintura a óleo retratando o compositor, hoje conhecida no mundo inteiro –, foi o ponto de partida para novas breves reflexões e para uma entrevista a Cristiano Holtz, cravista que tem interpretado as partituras do compositor homenageado com especial dedicação. Para além de Scarlatti, dois contributos em torno da música no período colonial brasileiro permitirão ainda lançar a discussão sobre a construção do cânone ocidental e sobre a (in)existência do património musical lusófono no nosso imaginário colectivo.

Num salto até à música da nossa contemporaneidade, entrevistámos o compositor Vasco Mendonça e o violoncelista Filipe Quaresma e reservámos algumas páginas para o necessário e imprescindível tributo a Nella Maissa (1914-2014), pianista incansável na divulgação de literatura para piano de compositores portugueses, e ao realizador Manoel de Oliveira (1908-2015), surpresa constante no que à sensibilidade musical das suas criações diz respeito.

Na rubrica “Compositores a descobrir”, procurámos despertar a curiosidade para dois nomes hoje caídos no quase completo esquecimento: Francisco Eduardo da Costa (1819-1850) e José Siqueira (1907-1985). E este número recebe a estreia de duas novas rubricas: “Às escuras (em Portugal)”, que será muito do agrado dos amantes do jazz, e “Tesouros instrumentais”, espaço de divulgação da valiosa colecção organológica do Museu da Música – ou, aliás, Museu Nacional da Música, segundo as recentíssimas e auspiciosas notícias que assim nos dão conta da conquista de um novo e merecido estatuto institucional e até simbólico.

Agora com uma equipa ainda maior – a glosas foi neste número foi concebida, pela primeira vez, segundo um plano programático desenvolvido pelas novas direcções departamentais, lideradas por Luzia Rocha e José Carlos Araújo (Portugal), Maria Alice Volpe, em representação da Academia Brasileira de Música (Brasil), e Jorge Castro Ribeiro (África e Ásia) – e com um novíssimo espaço em-linha – consultável em www.glosas.mpmp.pt, aberto à comunidade e alimentado regularmente com conteúdos diversificados –, a revista glosas continua a crescer e a instigar à descoberta. Junte-se a nós!

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Post Scriptum

Ouvimos dizer que o AO90, vulgo “acordo ortográfico”, é legalmente obrigatório a partir de 13 de Maio, data em que – coincidência irónica! – se celebram as Aparições de Fátima. Dando-se o compungido caso de nem os autores da revista nem os leitores que nos têm contactado acreditarem em milagres ortográficos, e não compreendendo, de resto, nem os pressupostos nem os objectivos de tão atabalhoadas e cientificamente desastradas directivas, a Direcção-geral da revista sente-se intelectual e moralmente coagida a ignorá-lo na sua qualidade impositiva e totalitária e a primar, sempre e cada vez mais, pela enriquecedora, gratificante e admirável diversidade da Língua Portuguesa.


 

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Maio de 2015
96 páginas
Dep. legal 310097/10
ISSN 2182-1380

 


 

 

LANÇAMENTOS

 

  • 29 Maio, 21h30 | Casa dos Patudos, Alpiarça | apresentação de Luzia Rocha, Edward Luiz Ayres d’Abreu e Mário Vieira de Carvalho, seguida de concerto com The Bells Brass Ensemble e BASC / Quarteto de Clarinetes
  • 6 de Junho, 18h | Museu da Música Portuguesa (Monte Estoril) | apresentação de José Carlos Araújo, seguida de concerto de Duarte Pereira Martins (piano)
  • 9 de Junho, 19h | Concerto Aberto — Antena 2 / Instituto Superior de Economia e Gestão | apresentação e concerto de Duarte Pereira Martins (piano) e José Carlos Araújo (cravo)
  • 12 de Junho, 15h | Conservatório de Música do Porto | apresentação de Duarte Pereira Martins, seguida de concerto com professores do Conservatório
  • 14 de Junho, 21h | Academia de Música de Tavira | apresentação de Luzia Rocha, seguida de concerto de Isobel Barton (soprano) e Luís Conceição (piano)
  • 16 de Junho, 19h |  Colégio Mateus d’Aranda, Departamento de Música da Escola de Artes da Universidade de Évora| apresentação de Vanda de Sá e Luís Henriques, seguida de concerto de Duarte Pereira Martins (piano) e José Carlos Araújo (cravo)
  • 26 de Junho, 18h | Colóquio Internacional ‘A Serenata e a Festa Teatral nas Cortes europeias do séc. XVIII’ — Palácio Nacional de Queluz | apresentação de José Carlos Araújo, seguida de concerto com Divino Sospiro (estreia moderna de L’Isola disabitata de David Perez)
  • 27 de Junho, 18h | Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal | apresentação de Edward Ayres d’Abreu e Carlos Gonçalves seguida de concerto com Funchal Baroque Ensemble

 

Uma estreia auspiciosa de Nuno Jacinto

No passado dia 23 de Maio, a Orquestra Clássica da Madeira estreou a peça ...Além… Argüim… do jovem compositor madeirense Nuno Jacinto. Esta obra foi encomendada ao compositor pela Associação que gere actualmente a Orquestra. Com o Teatro Municipal Baltazar Dias completamente esgotado, foi possível deliciar-se com esta obra para formação orquestral clássica, com a duração de cerca de sete minutos, excelentemente interpretada pela orquestra e, pelo que pudemos apurar, indo de encontro às expectativas do compositor, que se encontrava presente.

De referir que a obra foi composta com base num imaginário que o próprio Nuno Jacinto descreve da seguinte forma:

… muitas histórias e lendas povoam o folclore madeirense, plenas de mistério, magia e deslumbramento.Uma dessas lendas, a da Ilha de Argüim, sempre me fascinou. Conheci esta lenda pela minha mãe, que costumava contar e recontar histórias de família após o jantar, onde esta lenda não foi excepção. Relembrando a história narrada pela minha bisavó, a minha mãe contava com os olhos a brilhar como a Ilha de Argüim era uma terra que poucos viam para lá das águas do Porto Santo, onde envolta em nevoeiro vivia D. Sebastião num castelo de marfim. A minha mãe lembrava sempre todos os pormenores, principalmente aqueles que determinavam o retorno de D. Sebastião a Portugal: “quando os telhados forem de cor vermelha, quando houver luz em pó, quando a Madeira ficar rodeada de arame (fios eléctricos)…”. Sempre estava para breve, o retorno d’El-Rei. Esta mágica lenda madeirense, mil vezes contada, foi o mote para esta obra. Sem nenhum propósito propriamente programático e muito menos narrativo, esta obra musical contempla uma viagem, por entre harmonias e ecos, ora distantes ora próximos e agrestes. A composição pretende acima de tudo retratar uma visão lenta e abstracta da travessia de diferentes camadas harmónicas, conjugações tímbricas entre instrumentos, buscando forças a pequenos gestos, mas que logo catapultam um acontecimento de maior desejo. A inclusão da braguinha pretende fornecer um timbre único do cordofone beliscado à sonoridade orquestral, ao mesmo tempo que proporciona uma homenagem ao instrumentário madeirense. De Argüim, a contemplação da magia. Da Música, a contemplação do ressoar.

 

Na verdade, o ouvinte, depois de ler esta nota de programa, vai entender muito melhor a obra com toda a magia que esta envolve, desde os momentos suaves, quase misteriosos, com recurso às cordas e às aprazíveis madeiras, para logo depois entrarem os graves sumptuosos e marcantes, aos diálogos entre cordas, madeiras e metais, sempre com belas melodias sobrepostas, crescendos ostentosos com recurso a toda a formação orquestral, em que os graves e a percussão dão a ideia do quase tenebroso, para depois terminar num diminuendo belíssimo até ao fade out final.

Na opinião do Nuno Jacinto a peça tenta cativar o ouvinte numa linguagem actual, para diferentes ambientes.

Se o ouvinte perceber através da peça uma história, está completamente à vontade para o fazer. No entanto, a ideia será mesmo, e apenas, a procura de cores musicais.

Sem dúvida, uma perfeita obra orquestral que deixa mais uma marca indelével deste jovem compositor, cuja produção musical deverá continuar a bom ritmo e irá, de certeza, surpreender-nos, positivamente, a todos os que apreciam a boa música. Que outras orquestras deste País sigam o exemplo da OCM e encomendem novas obras a Nuno Jacinto.

 


 

Nuno Jacinto nasceu em 1985. Compositor, músico, professor, maestro e regular comentador de concertos, natural do Funchal, iniciou os seus estudos no Conservatório – Escola das Artes da Madeira em Violino, Piano, Órgão e Harpa. Estudou Violino com o professor Vladimir Proudnikov, frequentando o curso profissional de instrumento. Em 2002, ganha o 2.º prémio de Violino no International Competition for Young Performers em Atenas. Entre 2003 e 2007, estuda Composição da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo (ESMAE-IPP) no Porto, nas classes de João Madureira, Nuno Côrte-Real, Dimitris Andrikopoulos, Clarence Barlow, Carlos Guedes e Klaas de Vries. Frequentou em 2005 o curso de Direcção Orquestral com Cesário Costa. Em 2006, é premiado com a Bolsa de Mérito 2004/2005 do Instituto Politécnico do Porto (IPP). Como docente, exerceu funções em diversas instituições na área científica musical. É actualmente docente na ArtEduca – Conservatório de Música de Vila Nova de Famalicão. É professor de Expressão e Educação Musical no Centro de Bem-estar Infantil e Juvenil do Coração de Jesus (Porto). Colaborou com a Meloteca, como formador de tecnologias musicais para professores. Como escritor, colaborou com a Porto Editora na produção de textos didácticos para professores. Colaborou com a editora Numérica na elaboração de textos musicais. Como compositor, em 2007, a sua peça “Solo II” para violino solo integrou como peça portuguesa contemporânea obrigatória o Prémio Jovens Músicos 2007 (Antena 2/RDP). Participou no II Atelier de Leitura para Jovens Compositoresda Orquestra do Algarve em 2008 e no 7.º Workshop para Jovens Compositores Portugueses da Orquestra Gulbenkian em 2009, com a sua obra orquestral ArRestare. Em 2013 foi seleccionado para participar no concurso Novos Compositores da Orquestra Metropolitana de Lisboa / MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, com a obra The Distracted Composer. Em 2011, lançou o seu primeiro trabalho discográfico, Diagnosis, pela editora Numérica. Em 2013, a sua obra Ilusão – Quatro Canções sobre a Ilusão foi incluída no trabalho discográfico Canções de Lemúria, pelo duo Marina Pacheco & Olga Amaro, na editora Parlaphone Music Portugal. Em 2014, ganhou 2.º Prémio no 1.º Concurso de Composição de Canções para Crianças sobre Poemas Portugueses, promovido pela Associação Portuguesa de Educação Musical (APEM) e o INATEL. A sua actividade composicional engloba música instrumental, coral, vocal, electrónica, passando pela música para teatro. Obras suas já foram executadas não só em vários pontos do País, como em festivais no estrangeiro. As suas obras são editadas pela AvA Musical Editions.

Música numa pedreira em Viana do Alentejo

Irá realizar-se, de 29 a 31 de Maio, o festival “Pedreira dos Sons”, em Viana do Alentejo. Este festival é organizado pela cooperativa cultural CulturArtes, em colaboração com a Escola de Artes da Universidade de Évora e com o apoio da Câmara Municipal de Viana do Alentejo.

No dia 29 de Maio, pelas 21h00, actuará a Orquestra da Universidade de Évora, dirigida por Christopher Bochmann, e o Coro do Departamento de Música da Escola de Artes da Universidade de Évora, dirigido por Ian Mirkitoumov. O programa para Sábado, 30 de Maio, está dividido em dois momentos. O primeiro, intitulado “Musical Sunset”, decorre a partir das 18h30 com a actuação de alunos do Departamento da Escola de Artes da Universidade de Évora nas formações de duo de flauta e guitarra, voz e guitarra e ensemble de trompetes. No segundo momento, com o título “Crepúsculo Musical”, tem início às 21h00 também actuando alunos do Departamento de Música nas formações de quarteto de clarinetes, trio de flautas e quarteto de saxofones, terminando com a actuação da Orquestra de Guitarras da Universidade de Évora. O programa para Domingo, dia 31 de Maio, também está dividido em dois momentos. O primeiro decorre a partir das 18h30 com o espectáculo para crianças Três Contos. Às 21h00 será levada à cena a peça Roberto Zucco de Bernard-Marie Koltès.

Esta será a terceira edição de um festival criado em torno de uma pedreira de mármore desactivada, situada junto à estrada para Vila Nova da Baronia, à saída de Viana do Alentejo. A pedreira sofreu obras de adaptação, constituindo-se assim como um anfiteatro natural com características acústicas peculiares. O festival “Pedreira dos Sons” integra a temporada anual “Saber dos Sons”, promovida pelo Município de Viana do Alentejo desde 2011, em parceria com a cooperativa cultural CulturArtes, em colaboração com o maestro Christopher Bochmann e a Escola de Artes da Universidade de Évora.

Um colóquio e uma estreia moderna em Queluz

De 26 a 28 de Junho de 2015, no Palácio Nacional de Queluz, decorrerá o colóquio internacional ‘A Serenata e a Festa Teatral nas Cortes Europeias do Séc. XVIII’, organizado pelo Divino Sospiro e pelo Centro de Estudos Musicais Setecentistas de Portugal, com sede no Palácio Nacional de Queluz. Os três dias de colóquio estarão organizados num total de nove sessões temáticas: “Viena, Turim e Parma”, “Veneza”, Florença e Sicília”, “Lisboa” (título de duas das sessões), “Nápoles”, “Nápoles e Madrid”, “Viena e Roma” e “Roma”.

Pelas 17 horas do primeiro dia, 26 de Junho, será apresentado o 12.º número da revista Glosas, desta vez dedicada a ‘Domenico Scarlatti e o Barroco Joanino’. De seguida, na Sala do Trono do Palácio Nacional de Queluz, pelas 18 horas, contaremos com a estreia mundial moderna da serenata L’Isola Disabitata – Serenata per musica, de David Perez (Nápoles, 1711 – Lisboa, 1778), compositor italiano de origem espanhola que esteve ao serviço da corte portuguesa, influenciando fortemente a vida musical lisboeta do século XVIII. Esta serenata foi composta em 1767 especificamente para o Palácio Nacional de Queluz, sendo representante de um género nacional por excelência. O libreto, escrito em 1752, narra as viagens marítimas para as Índias Ocidentais e é da autoria de Pietro Metastasio.

 

 

A apresentação será realizada pela orquestra Divino Sospiro, com direcção musical de Massimo Mazzeo, contando com a participação dos cantores Joana Seara, Francesca Aspromonte, Francesco Divito (sopranos) e Bruno Almeida (tenor).

Esta pretende ser a primeira das estreias modernas das serenatas compostas para o Palácio de Queluz, sendo objectivo do projecto a investigação, execução e edição crítica, no futuro, de outras obras deste género.

Estreia absoluta de Nuno Jacinto: …Além…Argüim…

Amanhã, dia 23 de Maio, pelas 18 horas, tomará lugar no Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal, a estreia absoluta de …Além…Argüim…, obra encomendada ao compositor Nuno Jacinto pela Orquestra Clássica da Madeira e a esta mesma orquestra dedicada. Dirigido pelo maestro convidado Cesário Costa, o concerto contará também com a participação dos solistas Norberto Cruz e Slobodan Sarcevic, para a apresentação das obras Concerto em sol maior de Johann Nepomuk Hummel, Concerto para bandolim em ré maior de Antonio Vivaldi e Aconcqaqua de Astor Piazzolla.

A nova obra orquestral de Nuno Jacinto é baseada na lenda do folclore madeirense sobre a Ilha de Argüim, “uma terra que poucos viam para lá das águas do Porto Santo, onde envolto em nevoeiro vivia D. Sebastião num castelo de marfim”. Para Nuno Jacinto, “a minha mãe lembrava sempre todos os pormenores, principalmente aqueles que determinavam o retorno de D. Sebastião a Portugal: «quando os telhados forem de cor vermelha, quando houver luz em pó, quando a Madeira ficar rodeada de arame (fios eléctricos)…». Sempre estava para breve, o retorno d’el-Rei”.

 

 

Natural do Funchal, Nuno Jacinto iniciou os seus estudos musicais no Conservatório – Escola das Artes da Madeira em Violino, Piano, Órgão e Harpa, tendo estudado violino com o professor Vladimir Proudnikov e ganho, em 2002, o segundo prémio de violino em Atenas, no International Competition for Young Performers. Entre 2003 e 2007 estudou Composição na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto (ESMAE-IPP), tenho frequentado em 2005 o curso de Direcção Orquestral com Cesário Costa e sido premiado com a Bolsa de Mérito 2004/2005 do Instituto Politécnico do Porto. Compositor de obras para instrumento solo, música de câmara, electrónica e electroacústica, Nuno Jacinto apresenta-nos agora a sua terceira obra para orquestra, depois de ArRestare (2008) e The Distracted Composer (2012), partitura seleccionada pelo Concurso Novos Compositores (Orquestra Metropolitana de Lisboa / MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, 2013).

Compositores portugueses na Tribuna Internacional

O painel da Tribuna Internacional de Compositores atribuiu “recomendações” a obras de Igor Silva e João Ceitil, no âmbito da 62.ª edição do encontro promovido pelo International Music Council. É a primeira vez que, no mesmo ano, são atribuídas distinções deste tipo a dois compositores portugueses. Outros dois compositores portugueses foram já distinguidos no passado, em anos diferentes: Emmanuel Nunes com Stretti (1985), e Clotilde Rosa com Encontro (1977).

You should be blind to watch TV, na interpretação do Remix Ensemble da Casa da Música, valeu a Igor Silva uma recomendação na categoria Jovem Compositor. Já João Ceitil mereceu a sua recomendação pela obra ChacoN, interpretada pelo Alter Ego Ensemble, destacando-se entre 55 obras de 28 países na categoria geral. Completando as nomeações da Antena 2, foi também a concurso a obra o que será do rio (without John Cage?), de Nuno da Rocha, premiada no Prémio de Composição Antena 2 / Sociedade Portuguesa de Autores de 2012.

A Tribuna Internacional de Compositores é uma plataforma de divulgação e circulação da música contemporânea, juntando anualmente estações de rádio de todo o mundo. O seu promotor, o International Music Council, foi fundado em 1949 por iniciativa da UNESCO, tendo-se tornado autónomo em 2012, quando adquiriu o estatuto de organização não-governamental e principal parceira da UNESCO no campo da música.

Os prémios máximos foram atribuídos ao compositor Jan Erik Mikalsen (n. 1979), pela sua obra Songr — estreada pela Orquestra da Rádio Norueguesa —, e ao esloveno Matej Bonin (n. 1986), pela sua obra sinfónica Cancro.

Simpósio ‘Cipriano de Rore: 1515-2015’

Irá realizar-se no próximo dia 27 de Maio de 2015, pelas 15h00, um simpósio celebrando o quinto centenário do nascimento de Cipriano de Rore, compositor de origem flamenga cuja actividade musical se desenvolveu sobretudo em Itália. Este seminário é organizado pelo CESEM  Pólo Universidade de Évora, em colaboração com a Escola de Artes da Universidade de Évora, e decorrerá na Sala dos Espelhos do Colégio Mateus d’Aranda.

O programa inclui um momento de apresentação dos trabalhos, seguindo-se duas comunicações por Luís Henriques e Filipe Mesquita de Oliveira, sobre a influência de Cipriano de Rore nos compositores do seu tempo e das gerações seguintes no respeitante ao cultivo da técnica de paródia assim como da sua influência ao nível do cromatismo e expressividade em géneros profanos como a chanson e o madrigal. O seminário terminará com o habitual período de discussão sobre as temáticas apresentadas nas duas comunicações.

Stravinsky em São Carlos: a não perder!

O Teatro Nacional de São Carlos apresenta uma nova produção da ópera The Rake’s Progress, com música de Igor Stravinsky e libreto de W. H. Auden e Chester Kallman, a partir do conjunto homónimo de oito pinturas de William Hogarth. A direcção musical estará a cargo de Joana Carneiro, que se estreia na direcção de uma ópera no São Carlos, e a encenação, cenografia e desenho de luz serão assinados por Rui Horta.

Esta nova produção, a última da presente temporada do teatro lírico de Lisboa, contará ainda com a participação de algumas das melhores vozes do panorama lírico nacional: Cátia Moreso, Maria Luísa de Freitas, Carlos Guilherme, João Oliveira, Luís Rodrigues e Nuno Dias. Serão visitantes o finlandês Tuomas Katajala e a canadiana Ambur Braid.

A ópera descreve o percurso do jovem Tom Rakewell que, ao receber uma avultada herança, abandona a noiva e parte para Londres, onde dissipa a fortuna em prostitutas e jogo, acabando internado no manicómio de Bedlam. Stravinsky procurou explorar o lado fáustico da história, o que constitui um elo com A história do soldado, outro “conto moral” que retomava arquétipos do passado com uma visão contemporânea. O personagem de Nick Shadow, que não existe em Hogarth, é uma encarnação do diabo que, tal como n’A história do soldado, conduz o protagonista à perdição.

São Carlos ousa trazer-nos ópera do século XX, e ainda bem que o faz. Esta, neoclássica em inúmeros parâmetros dramatúrgicos e musicais, será certamente do agrado de todos os melómanos. A revista glosas estará presente e publicará uma crítica e fotografias do espectáculo no próximo dia 31 de Maio. A não perder!

 


 

 

THE RAKE’S PROGRESS
de Igor Stravinsky
Ópera em três actos
Libreto de W. H. Auden e Chester  Kallman
Inspirado no conjunto homónimo de oito pinturas de William Hogarth

 

Direcção musical Joana Carneiro
Encenação, cenografia e desenho de luz Rui Horta
Figurinos Pepe Corzo

Tom Rakewell Tuomas Katajala
Anne Truelove Ambur Braid
Nick Shadow Luís Rodrigues
Baba, a turca Maria Luísa de Freitas
Truelove, pai de Anne Nuno Dias
Sellem, o leiloeiro Carlos Guilherme
Mother Goose Catia Moreso
Guardião do Hospício João Oliveira

Orquestra Sinfónica Portuguesa

Maestrina titular Joana Carneiro
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Maestro titular Giovanni Andreoli

Nova produção do Teatro Nacional de São Carlos

Jovens compositoras portuguesas no Monaco Electroacoustique 2015

O Concurso Nano Músicos Electroacústicos é um concurso de composição e interpretação direccionado para a prática da música electroacústica, destinado a alunos que frequentem o Ensino Artístico Especializado da Música em qualquer instituição de ensino de música reconhecida e autorizada pelo Ministério da Educação em Portugal. É um concurso promovido pelo Festival Dias de Música Electroacústica que, desde 2003, se assume com itinerante, realizando em média seis festivais por ano, quer em Portugal, quer no estrangeiro (Brasil, Bélgica, Espanha, Filipinas, entre outros países).

Na edição Nano Músicos 2014 os candidatos foram convidados a interpretar uma obra da sua autoria para um instrumento acústico e electrónica em suporte fixo, até quatro canais. Os quatro finalistas puderam apresentar as suas obras no DME #20, no final do passado mês de Dezembro, em Seia. No grupo dos seleccionados encontra-se Mariana Vieira (aluna da Escola de Música Nossa Senhora do Cabo, Linda-a-Velha) Diogo Baptista (aluno de Composição também desta escola), e Olívia Silva e Alexandra Lapa, ambas alunas da Academia Costa Cabral, Porto. Um júri internacional, composto pelos compositores Mario Mary e João Pedro Oliveira, deliberou que os dois vencedores que iriam marcar presença no Monaco Electroacoustique 2015  prémio para os dois primeiros classificados do Concurso Nano Músicos  seriam Mariana Vieira e Diogo Baptista, respectivamente 1.º e 2.º prémios.

Por indisponibilidade do segundo classificado, Mariana Vieira (peça para saxofone e electrónica) e Olívia Silva (peça para flauta e electrónica) marcarão presença neste que é um dos mais importantes encontros internacionais dedicados à música electroacústica. Entre 28 e 30 de Maio reunir-se-ão na Académie Rainier III dezoito compositores  professores do Conservatório de Paris, Universidade de Montreal, Universidade de São Paulo, Universidade de Gotemburgo, entre outras instituições  tal como Flo Menezes, Robert Normandeau, François Bayle, Rodrigo Sigal, Åke Parmerud, Mario Mary e os portugueses Jaime Reis e João Pedro Oliveira.

Antes deste importante acontecimento as duas jovens compositoras deslocaram-se no passado fim-de-semana  dia 17 de Maio  a Vila do Conde, onde interpretaram as suas peças num concerto inserido nos Encontros Nova Música, organizado pelo compositor Eduardo Luís Patriarca. Este concerto contou com obras de Eduardo Luís Patriarca, Jorge Peixinho, João Pedro Oliveira e com a importante estreia mundial de Ethnon  canto do paraíso, do compositor Cândido Lima. As jovens irão terão a oportunidade de partilhar o palco com a Solista do Ensemble DME  Collegium Musicum Electroacústico, a pianista Ana Telles.

Mais informações sobre o concurso promovido pelo Festival Dias de Música Electroacústica aqui.

Programação completa do Monaco Electroacoustique 2015 aqui.

Música sacra de Carlos Seixas em Évora

Realizou-se no passado dia 9 de Maio, pelas 21h30, um concerto de música sacra setecentista no Palácio de D. Manuel, em Évora, promovido pela Asssociação / Conservatório Eborae Musica. Este concerto foi apresentado no âmbito da XVIII Semana da Porta Aberta, onde esta instituição promove uma série de actividades abertas à comunidade, com a apresentação dos alunos e professores do Conservatório assim como dos vários grupos residentes. Nele participaram o Coro Polifónico Eborae Musica e a Orquestra do Conservatório Regional de Évora, dirigidos por Eduardo Martins.

O programa dividiu-se em duas partes. Na primeira a Orquestra do Conservatório Regional de Évora interpretou o Concerto em lá menor Op. 3 n.º 6 de Antonio Vivaldi, para dois violinos, sendo solistas Luís Rufo e Susana Nogueira. Na segunda parte foi interpretada quase integralmente pelo Coro Polifónico Eborae Musica e Orquestra do Conservatório Regional de Évora a Missa em sol maior de Carlos Seixas, sendo solistas Sandra Medeiros (soprano), Manuel Brás da Costa (contratenor) e Armando Possante (barítono), com a direcção de Eduardo Martins.

Este concerto contou com o apoio do Agrupamento de Escolas do Concelho de Évora, Câmara Municipal de Castro Verde, Cendrev, Colecção B, Antena 2, Diário do Sul, Semanário “Registo” e Rádio Diana FM.

Na “Semana da Porta Aberta”, que decorreu de 4 a 10 de Maio, a comunidade foi convidada a visitar as instalações do Conservatório Regional de Évora, assistir às aulas ministradas nesta instituição e a assistir aos vários concertos e outras actividades desenvolvidas durante a semana. A Associação e Conservatório Regional de Évora  Eborae Musica é uma estrutura financiada pelo programa INAlentejo, QREN, POPH, Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, Governo de Portugal / DgArtes, Direcção Regional da Cultura e Câmara Municipal de Évora.

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