Innefabilis: Capella de Ministrers na Sé de Évora

Innefabilis: Iberian Misticysm and Music in the Golden Ages foi o programa que o agrupamento espanhol Capella de Ministrers, dirigido por Carles Magraner, trouxe no passado dia 3 de Outubro à Sé de Évora. Este foi o único concerto da edição deste ano  a décima oitava  das ‘Jornadas Internacionais Escola de Música da Sé de Évora’ organizadas pela Associação Musical de Évora Eborae Musica.

Capella de Ministrers apresentou-se com uma formação atípica relativamente aos grupos que têm passado pela Sé de Évora  com uma forte componente vocal  no âmbito das Jornadas. O grupo apresentou-se com Delia Agúndez (soprano), Carles Magraner (viola de arco), Ignasi Jordà (órgão e cravo) e, supostamente, Sara Águeda (harpa), que foi substituída por um arquialaudista não foi mencionado no programa, de seu nome Robert Cases. De facto, a forte componente instrumental deste grupo trouxe este ano, muito possivelmente pela primeira vez, uma visão diferente sobre um repertório polifónico marcadamente vocal.

O programa não poderia ser mais interessante: uma autêntica viagem a obras-primas do Siglo de Oro espanhol, com a menção a dois mestres portugueses do século XVII. Estas obras foram divididas em três grupos distintos. No primeiro encontramos o hino Sacris solemnis, de autor anónimo, na versão de Venegas de Henestrosa impressa no seu Libro de cifra nueva, seguido pela terceira Lição das Lamentações para Sexta-Feira Santa Caph. Vocavi amicos meus de Cristóbal de Morales. Seguiu-se nova obra instrumental, Para quien crié yo cabellos/Pavana con su glosa na versão de Antonio de Cabezón, terminando com a versão para quatro vozes da antífona Salve Regina de Tomás Luis de Victoria. Neste grupo de obras encontramos a explicação do título do programa deste concerto. O misticismo presente em Sacris solemnis cujo incipit, apesar de ser apresentado numa versão instrumental, transporta-nos para a festa do Corpus Christi, ou somente Corpus como é conhecida no mundo hispânico. Este misticismo está ainda presente na Lamentação de Morales, cuja ocasião a que se destina  o ofício de Matinas de Sexta-Feira Santa  encerra um clímax místico da Paixão de Cristo e, contrapondo totalmente as trevas de Sexta-Feira Santa, a antífona Salve Regina de Victoria, que ilustra o forte culto mariano dos compositores espanhóis e uma veneração quase sensual da Virgem Maria. Neste grupo de obras percebeu-se um carácter interpretativo de algum recolhimento por parte dos músicos nas obras de polifonia sacra  sobretudo na Lamentação  e um carácter mais extravasado nas duas obras instrumentais, com especial ênfase no virtuosismo de Carles Magraner na glosa da obra de Cabezón.

No segundo grupo de obras, aparece-nos Claros e frescos ríos de Alonso Mudarra, um tento de Manuel Rodrigues Coelho, e Salve Regina de Diogo Dias Melgaz. Aqui a voz de Delia Agúndez começou a aparecer, apesar se perceber que a voz da cantora espanhola não se encontrava nas melhores condições, fruto de uma possível constipação. Contudo, Agúndez conseguiu, na canção de Mudarra, retirar uma impressionante expressividade do texto, assim como na obra de Melgaz, que apesar da sua religiosidade está pejada de momentos expressivos muito bem explorados pela cantora. A obra central deste grupo foi interpretada por Jordà no órgão renascentista da Sé, algo que pude ter o prazer de ouvir em dez anos de frequência destas jornadas. Percebeu-se como o organista conseguiu explorar os recursos deste órgão quinhentista, fazendo adequar a música de Coelho às características do instrumento. A estas obras seguiram-se três obras das Canciones y Villanescas Espirituales de Francisco Guerrero, obra-prima publicada em 1585. Estas são um claro exemplo ilustrativo das composições semi-profanas semi-sacras com texto em vernáculo, resultantes de uma espiritualidade mais popular. Foram escolhidas Si tus penas no prueboAdiós mi amor e o conhecido vilancico Niño Dios de amor herido, tendo sido cantadas de forma muito expressiva por Delia Agúndez. Em certas obras a redução do efectivo instrumental trouxe um carácter mais recolhido, o que não só beneficiou a percepção dos textos como também a percepção do contraponto, especialmente com a utilização do arquialaúde.

O último grupo compôs-se por apenas duas obras, ambas com um forte carácter virtuoso. A primeira, com o título de Early Iberian Dances, foi na realidade um grupo de três danças ibéricas: o Passamezzo, a Romanesca e a Folía. Aqui, uma vez mais, ficou patente o virtuosismo de Magraner, que demonstrou uma excelente capacidade de improvisação, com destaque para a Folía. A transição entre as danças foi também muito bem conseguida, não existindo quebras de um tema para o tema seguinte. Delia Agúndez mostrou toda a sua capacidade lírica e virtuosística na canzonetta spirituale Hor ch’è tempo di dormire do compositor italiano Tarquino Merula, destacando-se a forma como conseguiu interpretar a primeira parte da obra, quase em estilo recitativo, fazendo uma transição suave para a segunda parte claramente de um virtuosismo vocal considerável.

Em suma, foi muito interessante o programa que Capella de Ministrers veio apresentar à Sé de Évora no passado dia 3 de Outubro. Interessante pela escolha e alinhamento do programa, reflectindo as diversas faces que o título propunha à partida. Interessante pela coesão e qualidade dos intervenientes, que funcionaram como um grupo, com os instrumentos e a voz em igual importância, o que por vezes não ocorre em alguns grupos em que (talvez inconscientemente) é atribuído uma clara primazia ao instrumentário em detrimento das vozes que transmitem os textos cantados. Perante o aplauso efusivo do público, o grupo brindou-nos com um encore, cujo título não consegui perceber. Este foi, contrariamente a anos anteriores, um dos poucos concertos da chamada música antiga que se realizou na cidade de Évora. Que o próximo ano traga mais alguma actividade musical sobre a música de quinhentos e seiscentos que em muito honra a cidade e a sua Catedral.

Ópera cómica ‘Rita’ apresentada em Ponta Delgada

No passado Sábado, dia 10 de Outubro, pelas 21h30, foi apresentada a ópera cómica Rita (Deux hommes et une femme) no Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada. Este espectáculo foi organizado pela Quadrivium, Associação Artística, em parceria com o Coliseu Micaelense, tendo o patrocínio do banco BANIF Açores.

Rita (Deux hommes et un femme), da autoria de Gaetano Donizetti, com libretto em francês de Gustave Vaëz, é uma ópera cómica em um acto, com oito rubricas musicais, intercalados com diálogos falados. A ópera foi escrita em 1841, tendo sido estreada já postumamente a 7 de Maio de 1860 no Opéra Comique de Paris.

O elenco foi composto por Helena Castro Ferreira, como Rita, Fernando Guimarães, como Beppe, e José Corvelo, como Gasparo, junto com a orquestra Sinfonietta de Ponta Delgada, agrupamente tutelado pela Quadrivium – Associação Artística, dirigida pelo maestro e pedagogo Amâncio Cabral.

A Quadrivium, Associação Artística, é uma associação sem fins lucrativos que tem como principal missão a dinamização e desenvolvimento do meio musical e a defesa da cultura e património artístico da Região Autónoma dos Açores. Esta associação tem uma forte componente pedagógica, elegendo os músicos mais jovens como destinatários privilegiados. Tem como objectivos a construção de um espaço de realização artística através de parcerias com outros agentes culturais da Região, no sentido de contribuir para a intensificação do contacto dos jovens músicos com o meio musical exterior, possibilitando uma vivência musical que não pretende ser exclusiva de quem opta por um percurso profissional. Para além da Sinfonietta de Ponta Delgada, esta associação tutela ainda a Orquestra de Câmara de Ponta Delgada, Orquestra Quadrivium e a Academia de Música de Vila Franca do Campo.

 

‘Masterclass’ de Canto com Lydia Vierlinger

No âmbito da primeira Temporada de masterclasses do CEMSP – Centro de Estudos Musicais Setecentistas de Portugal, que decorre nos meses de Setembro e Outubro no Palácio Nacional de Queluz e, neste caso, excepcionalmente na Escola Superior de Música de Lisboa, terá lugar, nos próximos dias 23, 24 e 25 de Outubro, uma masterclass de Canto orientada por Lydia Vierlinger, destinada a cantores profissionais e a estudantes de Canto de todos os níveis de ensino, no que configura uma oportunidade importante para melhor conhecer as práticas históricas de interpretação e contactar com uma figura de grande relevo do panorama internacional da música antiga na actualidade.

Reconhecida sobretudo pelas suas interpretações do repertório dos períodos Barroco e Clássico, Lydia Vierlinger apresenta-se regularmente em concerto sob a direcção de maestros como Adam Fischer, Ingo Metzmacher, René Clemencic, Martin Haselböck, Erwin Ortner ou Michael Radulescu, e no âmbito de eventos tão importantes como o Festival de Salzburgo, o OsterKlang Vienna, o Festival Haydn de Eisenstadt, a Wiener Festwochen, o Festival LeMans, o Festival Mozart de Würzburg, a Capital Cultural Mundial em Salamanca ou a Grande Scuola di San Rocco em Veneza, além de numerosos países extra-europeus (Ásia e Estados Unidos da América).

Distinguiu-se muito particularmente nos papéis de contralto da Missa em Si menor (BWV 232) e das Paixões Segundo São Mateus (BWV 244) e São João (BWV 245) de Bach, mas também obras de Telemann (Pastorelle en Musique, editado em CD com o selo Capriccio), Carl Philipp Emmanuel Bach (Paixão Segundo São Mateus), Handel (que gravou no CD a solo Vedo il Ciel, com a Capella Leopoldina de Jörg Zwicker), Haydn, Mozart, Beethoven, Bruckner e Brahms (igualmente objecto de uma gravação em disco: Boten der Liebe – Brahms Raritaten). Entre a sua extensa discografia consta ainda um notável CD de duetos barrocos com Deborah York, também com a Capella Leopoldina, sob a direcção de Jörg Zwicker (Capriccio).

Lydia Vierlinger ensina Canto desde 1999 na Universität für Musik und darstellende Kunst de Viena (Instituto Antonio Salieri), onde é, desde 2008, Professora Catedrática. Além de inúmeros seminários direccionados para a prática vocal coral e de câmara, orientou masterclasses de Canto no Período Barrocono Conservatório Tschaikovsky de Moscovo (2004), na Universidade de Belgrado (2008), na Austria-Barok-Akademie (2010-2014) e no âmbito do Japanese Summer Music Seminar, em Viena (2012-2014). Este curso na Escola Superior de Música de Lisboa será o primeiro que orientará em Portugal.

Com apoio da empresa Parques de Sintra-Monte da Lua, responsável pela gestão do Palácio Nacional de Queluz, e da Direcção-Geral das Artes, esta masterclass integra parte da acção pedagógica sob a perspectiva das práticas interpretativas da Música Antiga que a orquestra barroca Divino Sospiro tem vindo a desenvolver desde há mais de uma década, mas que vê agora no espaço privilegiado do Palácio de Queluz a primeira edição, reunindo um notabilíssimo conjunto de professores de alaúde, violoncelo, direcção coral, violino e canto, a que acresce ainda um seminário ministrado pela musicóloga Cristina Fernandes.

Encontram-se ainda em aberto as inscrições, quer para participantes, quer para ouvintes. Quaisquer esclarecimentos adicionais poderão ser obtidos directamente através do endereço de correio electrónico [email protected].

 

Residência Cisterciense em Évora

Realizou-se  entre 17 e 19 de Setembro a terceira edição da “Residência Cisterciense S. Bento de Cástris”, no mosteiro de S. Bento de Cástris, nos arredores de Évora. O tema proposto para a edição deste ano centrou-se na “Vida privada, quotidianos e cultura material”, no âmbito do Ano Internacional da Luz e integrada nas Jornadas Europeias do Património. O evento foi organizado pelo CIDEHUS, Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades, sediado na Universidade de Évora, em colaboração com a Direcção Regional de Cultura do Alentejo. Contou com o apoio de outros centros de investigação como o CHAM, CITAD, LABSED, HERCULES, CHAIA e CEHR e do Grupo de Caminheiros de Évora e do Ensemble Eborensis.

A Residência iniciou no dia 17 de Setembro com uma oficina de cantochão realizada na igreja do mosteiro, orientada por Luís Henriques. Na oficina foram trabalhados vários exemplos de cantochão, provenientes dos livros de coro que pertenceram ao mosteiro, com uma introdução à notação quadrada e estrutura da liturgia musical cisterciense praticada no século XVI, período em que foram produzidos os livros.

Na Sexta-Feira e Sábado foram apresentadas as comunicações pelos participantes, divididos em vários painéis. Estes versaram as várias expressões do quotidiano como o modo de vestir, a gastronomia, os comportamentos desviantes e o teatro no universo monástico feminino; o a materialização do som e da luz; a cultura material e produção cultural no ambiente monástico e um painel dedicado ao mosteiro de S. Bento de Cástris, sobre os espaços, os tempos e os modos de vivência monástica.

Os trabalhos encerraram na Sexta-Feira com um concerto no claustro do mosteiro por André G. Pinto e Paulo Raposo, que apresentaram o projecto Zond: Par um rebravamento do ouvido, um serão de música ecoacústica. No Sábado, o Ensemble Eborensis apresentou na igreja do mosteiro o programa Lumen ad Revelationem: Cantochão e Polifonia do Século XVI, sobre a temática da luz.

Durante os dois dias do evento estiveram patentes ao público duas exposições sobre o mosteiro de S. Bento de Cástris. A primeira, Espaços de Cister no âmbito do Projecto ORFEUS, foi realizada pela Universidade da Beira Interior constituindo um resumo do trabalho que aquela instituição desenvolveu quanto ao estudo dos vários espaços do mosteiro, nomeadamente o claustro e os coros da igreja, e do estudo acústico e de luz natural realizado na igreja do mosteiro. A segunda exposição, intitulada Pensar São Bento de Cástris na Universidade de Évora: reflexões académicas em Arquitectura, foi desenvolvida pelo Departamento de Arquitectura da Universidade de Évora e alunos da Universidade de Oxford, com a realização de plantas e maquetes dos vários espaços do mosteiro assim como algumas propostas para a sua reabilitação e uso futuro.

Realizando-se desde 2013, a Residência Cisterciense proposta para o mosteiro de S. Bento de Cástris tem como objectivo principal uma reinvenção na actualidade do discurso histórico cisterciense, integrando a geografia do mosteiro numa geografia mais ampla da Ordem de Cister, inspirando-se nas questões da História, da Arte, do Património e da Paisagem regida pelo ritmo do quotidiano da Regra beneditina.

Antifonários do Mosteiro da Cartuxa de Évora

Foi inaugurada na passada quinta-Feira, dia 1 de Outubro, pelas 17h30, a exposição Antifonários do Mosteiro da Cartuxa de Santa Maria de Scala Coeli, numa organização conjunta da Direcção Regional de Cultura do Alentejo, Arquivo Distrital de Évora e Cartuxa Scala Coeli de Évora. A exposição estará patente até ao dia 30 de Outubro na Galeria de Exposições da Casa de Burgos, em Évora, podendo ser visitada de segunda a sexta-Feira das 9hoo às 12h30 e das 14h30 às 17h30. A sessão de abertura contou com a presença do Padre Antão, monge cartuxo, que traçou numa breve comunicação a história do mosteiro eborense assim como as particularidades litúrgico-musicais do rito cartuxo.

Esta exposição é composta por sete livros de coro, actualmente preservados no Arquivo Distrital de Évora, provenientes do mosteiro de Santa Maria Scala Coeli. Estes são exclusivamente antifonários, alguns sem notação musical, na sua maioria produzidos no século XVII, especificamente para mosteiro, como demonstram as inscrições nos frontispícios de alguns livros. Para além da mostra documental, o visitante poderá visualizar uma breve apresentação multimédia com a projecção de determinados fólios e ouvir a gravação das respectivas rubricas musicais, interpretadas pelos monjes cartuxos propositadamente para esta exposição. No âmbito da exposição, prevê-se ainda a realização de várias conferências sobre a história do mosteiro e a liturgia cartuxa.

Situado a cerca de um quilómetro da cidade de Évora, o mosteiro de Santa Maria Scala Coeli foi o primeiro mosteiro da Ordem Cartusiana a ser construído em Portugal, cuja fundação se deve ao Arcebispo de Évora D. Teotónio de Bragança em 8 de Dezembro de 1587. O mosteiro, de 1602, destaca-se pela fachada em mármore, atribuída aos arquitectos Felipe Terzi e Giovanni Vicenzo Casali, possuíndo o maior claustro de Portugal. No processo de extinção das ordens religiosas, o mosteiro foi abandonado em 1834, perdendo-se uma grande parte das obras de arte assim como da vasta biblioteca doada ao mosteiro pelo Arcebispo D. Teotónio de Bragança. O mosteiro serviu de Escola Agrícola, tendo sido vendido mais tarde a José Maria Eugénio de Almeida. Após restauro do edifício o bisneto Vasco Maria Eugénio de Almeida, convidou em 1960 os monges cartuxos a reocupar o mosteiro, com o consentimento do então Arcebispo de Évora D. Manuel Trindade Salgueiro, tendo-se mantido até actualidade com cerca de uma dezena de religiosos.

Nuno Costa vence o ISCM World Music Days 2015

No concerto final dos ISCM (International Society for Contemporary Music) World Music Days, que decorreram entre 26 de Setembro e 2 de Outubro em Liubliana, Eslovénia, foi anunciado o Prémio de Jovem Compositor ISCM 2015.

O compositor português Nuno Costa ganhou o prémio com Pater Noster, obra para coro a cappella a oito vozes apresentada no dia 30 de Setembro pelo Coro Filarmónico da Eslovénia, com direcção de Martina Batic. O júri do concurso foi constituído por Alejandro Guarello do Chile, Gudny Gudmundsdottir da Islândia e Glenda Keam da Nova Zelândia e teve como coordenador Stephen Lias, dos Estados Unidos da América. Em resposta à actuação de dia 30 de Setembro, o júri conclui acerca da obra de Nuno Costa:

Pater noster balances effective contrasts with a strong directional line, maintaining intensity from beginning to end.  The clarity of the composer’s ideas, along with the internal logic and individual musical language, shows clear potential to produce a very strong new work for ISCM.

Tendo terminado os seus estudos no Conservatório Real de Antuérpia e na Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto, Nuno Costa estuda na Academia Nacional de Santa Cecília, em Roma, acompanhando de perto a obra do padre e compositor Joaquim dos Santos. Estreou obras na Bélgica e em Veneza e aguarda-se uma apresentação na Austrália.

Fundada em 1922, a ISCM tem como objectivos o desenvolvimento, disseminação e intercâmbio de música recente de todo o mundo, promovendo a música contemporânea nas suas várias formas e evidenciando os seus contextos e criadores. Um dos principais veículos de promoção da música contemporânea é exactamente o festival anual organizado pela associação, o ISCM World Music Days, evento que já teve lugar em Hong Kong, Lituânia, Suécia, Austrália, Croácia, Bélgica, entre outros. Actualmente, a International Society for Contemporary Music inclui cerca de 60 organizações em 50 países, em todos os continentes.

17.º Festival AngraJazz

O Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo recebe até Sábado a décima-sétima edição do Festival AngraJazz, organizado pela Associação Cultural AngraJazz em colaboração com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo.

A Orquestra AngraJazz, dirigida por Claus Nymark e Pedro Moreira,  abriu ontem o festival pelas 21h30, contando com a participação de Ricardo Toscano. Pelas 23h30 actuou o René Urtreger Trio. O  programa para sexta-feira conta com a actuação do Deff Denson Trio e do saxofonista Lee Konitz pelas 21h30, e do Sexteto de Jazz de Lisboa pelas 23h30. No Sábado actuará o Tord Gustavsen Trio pelas 21h30, encerrando o festival às 23h30 com Gregory Porter & Band.

Tendo-se afirmado como o festival jazz mais importante dos Açores, o AngraJazz realizou-se pela primeira vez em 1999 no claustro do Convento de S. Francisco, actual Museu de Angra, mantendo-se nesse espaço até 2003, ano em que passou a decorrer no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo. Desde a sua primeira edição que ocorre sempre no primeiro fim-de-semana de Outubro mantendo também desde o início um ambiente de clube de jazz. No âmbito deste festival surgiu em 2002 a Orquestra AngraJazz, projecto de formação promovido pela Associação Cultural, tendo como directores musicais desde esse ano Claus Nymark e Pedro Moreira. Este agrupamento tem aberto todos os festivais após a quarta edição e em 2006 lançou o seu primeiro CD com a cantora Paula Oliveira.

Para mais informações visite http://www.angrajazz.com/2015/ .

XVIII Jornadas “Escola de Música da Sé de Évora”

Decorre em Évora até Domingo a décima-oitava edição das Jornadas Internacionais “Escola de Música da Sé de Évora”, organizadas pela Associação Eborae Musica, workshop de prática coral dedicado à música de compositores dos séculos XVI e XVII que tiveram actividade na Catedral eborense quer como mestres de capela, quer como alunos do Colégio dos Moços do Coro, instituição fundada pelo Cardeal D. Henrique em 1552.

A edição deste ano contempla a música de Filipe Magalhães (c. 1571-1652) que, não sendo de origem eborense, ingressou como aluno no Colégio dos Moços do Coro e, durante um breve período, como mestre da claustra da Catedral.  As obras seleccionadas irão ser trabalhadas pelos maestros Peter Philips (The Tallis Scholars), Armando Possante (Grupo Vocal Olisipo) e Pedro Teixeira (Officium Ensemble), sendo apresentadas em concerto final na Sé pelos participantes Domingo, pelas 17h00, participando também neste concerto o Coro Polifónico Eborae Musica dirigido por Eduardo Martins.

No âmbito destas jornadas ocorrerá ainda uma conferência no Convento dos Remédios (onde decorrerá o workshop), pelas 09h45, proferida pelo Doutor Paulo Estudante, com o título “As práticas interpretativas da polifonia da Sé de Évora e suas congéneres: um ponto de situação”. No Sábado a Sé de Évora receberá pelas 19h00 o concerto do agrupamento espanhol Capella de Ministrers, dirigido por Carles Magraner com Delia Agundez, Sara Águeda e Ignasi Jordà, que interpretará obras de Cristóbal de Morales, Alonso Mudarra, Tomás Luis de Victoria e os compositores de origem alentejana Diogo Dias Melgaz e Manuel Rodrigues Coelho.

Na sua décima oitava edição, as Jornadas Internacionais “Escola de Música da Sé de Évora” têm como objectivo fundamental a divulgação do espólio musical quinhentista e seiscentista da Sé de Évora, dando a conhecer diferentes formas de abordagem a este reportório, com um aprofundamento de técnicas vocais de interpretação, criando um espaço de intercâmbio de saberes, vivências e culturas.

Mais informação na página da Associação Eborae Musica.

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