Apresentações da Orquestra Clássica do Sul em Fevereiro

O mês de Fevereiro está já a ser palco de algumas apresentações da Orquestra Clássica do Sul.

No passado dia 3, foi possível ouvir, no Salão Nobre da Santa Casa da Misericórdia de Faro, um concerto de música de câmara sob o título Uma viagem Europeia. Do programa constaram o Divertimento n.º 3, em Fá maior, K. 138/125c de W. A. Mozart, o Quarteto de Cordas n.º 2, em Ré maior (III. Nocturne) de A. Borodin, La Oración del Torero, de J. Turina, e, finalmente, Cenas nas Montanhas de Vianna da Motta. As interpretações estiveram a cargo dos violinistas Jan Pipal e Emilian Petrov, da violetista Ivetta Natzkaya e do violoncelista Pedro Silva.

A 12 de Fevereiro, no âmbito dos Concertos Promenade 2017, a OCS trará a miúdos e graúdos um convite para entrarem no mundo da fantasia com A História do Pequeno Alfaiate de Tibor Harsányi. Este concerto terá lugar em duas cidades no mesmo dia: em Faro, pelas 12:00, no Teatro das Figuras (reservas através do número de telefone 289 888 110), e em Lagoa, pelas 16:30, no Auditório Municipal (reservas através do 282 380 434, ou 282 380 452). No decorrer do concerto serão ainda interpretadas obras de Bucalossi, Curzon e Avery. O maestro associado será John Avery e a narração estará a cargo de Linda Valadas.

No dia 15 de Fevereiro, no âmbito do ciclo de concertos pedagógicos 2017, em parceria com a Caixa Geral de Depósitos, a OCS efectuará um concerto reservado à comunidade escolar, pelas 10:30, sob a direcção do maestro Rui Pinheiro. Finalmente, a 19 de Fevereiro, pelas 16:00, será apresentado no Teatro das Figuras um tributo a Zeca Afonso. O maestro será, uma vez mais, Rui Pinheiro (reservas: 289 888 110).

Duo MusicOrba em Chipre

No âmbito da programação artística da cidade cipriota de Pafos, este ano intitulada Capital Europeia da Cultura (dividindo o título de 2017 com Aarhus, na Dinamarca), o duo Musicorba apresentará um programa baseado no tema escolhido para esta celebração anual: Ligando Continentes – Aproximando Culturas. O concerto terá lugar amanhã, quarta-feira, dia 8 de Fevereiro, a partir das 20h30, no Liceu Ethnarche Makarios III.

O programa incluirá a Balada, op. 128 de António Victorino de Almeida, além de outras obras de Camille Saint-Saëns, Maurice Ravel, Johannes Brahms e do japonês Yoshinao Nakada, compositor com actividade ao longo de todo o século XX.

O duo MusicOrba é um projecto dos pianistas Ricardo Vieira e Tomohiro Hatta, que se tem dedicado, desde 2010, à apresentação de obras para piano a quatro mãos de compositores portugueses e japoneses, enquadrando-os na restante literatura para esta formação camerística. Este concerto em particular conta, entre outras entidades, com o apoio da EU-Japan Fest e do Ministério da Cultura de Portugal.

‘Mares’ em concerto pelo Drumming – Grupo de Percussão

O Drumming – Grupo de Percussão apresenta-se sob a direcção de Miquel Bernat num concerto sob o título Mares, que terá lugar hoje, 3 de Fevereiro, às 21h30, no Teatro do Campo Alegre, no Porto.

Este espectáculo, apresentado como uma viagem sonora pelos universos de vários compositores em torno do Mar, tem como ponto de partida o CD Mares – António Chagas Rosa, integralmente dedicado à obra para percussão do compositor, editado em 2016 pelo MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa e escolha n.º 1 da revista Ípsilon do Público entre os discos editados no ano passado em Portugal.

No programa do concerto, além de duas das obras de Chagas Rosa gravadas em Mares (Yemaya’s Song e a peça que dá o título ao programa), ouviremos obras de José Manuel López López (Haikus del Mar), Viet Cuong (Water, Wine, Brandy, Brine), Isabel Soveral (O Dragão Watatsum) e Fernando Villanueva (Sea Miniature: Interlúdio Electrónico).

O grupo de percussão Drumming, fundado no Porto em 1999, é constituído por Miquel Bernat, Rui Rodrigues, João Tiago Dias, Pedro Oliveira, Saulo Giovannini e João Miguel Braga Simões. A sonorização do espectáculo estará a cargo de Süse Ribeiro, com o desenho de luz de Emanuel Pereira e o vídeo ao cuidado de Miguel C. Tavares.


Mais informações sobre Drumming aqui.

Concertos pelo Grupo Vocal Olisipo em Badajoz e Évora

As cidades de Badajoz e Évora receberão, nos próximos dias 10 e 11 de Fevereiro respectivamente, concertos pelo Grupo Vocal Olisipo. Este agrupamento actuará em Badajoz no dia 10 de Fevereiro, integrado na segunda edição do ciclo Juan Vázques, músico natural de la ciudad de Badajoz…, realizando o concerto no Salón de Plenos de Diputación, pelas 20h00. Com o título Polifonía mortuária en la frontera lusitana, este é o segundo concerto da Programación Lírica Extremeña para o ano de 2017, incluído ainda nas actividades para o desenvolvimento do Plan de Acción “Extremadura y su Música”, que conta com o apoio da Fundación Caja Badajoz, da Junta de Extremadura, da Fundación Extremeña de la Cultura e da Diputación Provincial de Badajoz.

No dia 11 de Fevereiro será a vez de Évora receber este agrupamento vocal, num concerto que terá lugar no Convento dos Remédios, pelas 18h00. O concerto, com o título Requiem Ibérico, é organizado pela Associação Musical de Évora – Eborae Musica, com o apoio da Câmara Municipal de Évora, Diário do Sul, DianaFM e Antena 2.

Para estes concertos, o Grupo Vocal Olisipo é composto por Elsa Cortez (soprano), Lucinda Gerhardt (mezzo), Carlos Monteiro (tenor) e Armando Possante (barítono), director do grupo. A primeira parte do programa destes será composta pelos nove responsórios para o ofício de Matinas de Sexta-Feira Santa do compositor Francisco Martins, mestre de capela da Sé de Elvas. A segunda parte centra-se num Officium Defunctorum idealizado, que inclui secções do compositor natural de Badajoz Juan Vázquez (Introitus, Kyrie, Tractus, Offertorium, Sanctus e Agnus Dei) e de compositores portugueses com relações com a cidade de Badajoz, como é o caso de Estêvão de Brito (Graduale e Communio). O programa ainda inclui o motete pro defunctis Versa est in luctum do compositor de nascimento espanhol Estêvão Lopes Morago (aluno na Sé de Évora e mestre de capela da Sé de Viseu), fechando com os responsórios Absolve, Domine de Juan Vázquez e Libera me de Frei Manuel Cardoso.

Fundado e dirigido desde 1988 por Armando Possante, o trabalho do Grupo Vocal Olisipo abrange repertórios vastos e eclécticos, estendendo-se desde a Idade Média até à Contemporaneidade. Este agrupamento tem estreado obras de compositores como Bob Chilcott, Ivan Moody, Christopher Bochmann, Eurico Carrapatoso, Vasco Mendonça e Luís Tinoco, entre outros. Em Outubro passado estreou em França obras de António Pinho Vargas, Carlos Marecos, Edward Ayres d’Abreu, Nuno Côrte-Real e Sérgio Azevedo, entre outros compositores portugueses, no âmbito do Festival Guitar’Essonne. Tem vindo a trabalhar com grupos de prestígio internacional como o Hilliard Ensemble e The King’s Singers. Conquistou uma menção honrosa no Concurso da Juventude Musical Portuguesa e primeiro prémio nos concursos International May Choir Competition (Varna, Bulgária), Tampere Choir Festival (Finlândia), 36.º Concorso Internazionale C. A. Seguizzi (Gorizia, Itália) e 5.º Concorso Internazionale di Riva del Garda (Itália). O grupo tem-se apresentado por todo o País e colaborado com vários outros grupos de Música Antiga, como também de Música Contemporânea, e as orquestras Sinfónica Juvenil, Filarmonia das Beiras e Metropolitana de Lisboa, entre outros agrupamentos. Tem-se apresentado também em Inglaterra, Canadá e, mais recentemente, em Singapura. Paralelamente à actividade concertística, tem gravado CDs de polifonia vocal sacra portuguesa de compositores como Estêvão de Brito, Estêvão Lopes Morago, Manuel Cardoso e Francisco Martins, mas também de obras mais recentes, como é o caso das Cantatas Maçónicas de Wolfgang A. Mozart e do Magnificat de Eurico Carrapatoso.

Recordando Carlos Franco

Breve esboço biográfico

Carlos Augusto Holtermann Franco nasceu em Lisboa, em 1927. Tendo iniciado a sua carreira profissional na Banda da GNR em 1946, ingressou na Banda Armada em 1952 e, posteriormente, na Orquestra da Emissora Nacional, entre 1956 e 1959. No ano seguinte, é convidado para a Orquestra Sinfónica do Porto, dirigida por Frederico de Freitas.

Após iniciar os estudos musicais muito cedo, com seu pai, frequentou o Conservatório Nacional, na classe de Luis Boulton. Depois de um período de estudo enquanto autodidacta, frequentou os cursos da Académie Internationale de Musique de Nice, com Jean-Pierre Rampal.

Laureado com o prémio de Flauta do Concurso Guilhermina Suggia, em 1967, dedica-se à carreira solística e ingressa, em 1968, na Orquestra Gulbenkian. Este breve resumo do percurso profissional de Carlos Franco aponta para a intensa actividade que desenvolveu enquanto solista e músico de orquestra. No entanto, outras facetas da sua actividade musical merecem especial relevo: da música  câmara e da docência.

Casado com a harpista e compositora Clotilde Rosa em 1980, integra com ela em 1970 o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, do qual foi co-fundador juntamente com Jorge Peixinho, Luísa Vasconcelos, António Oliveira e Silva e José Lopes e Silva, tendo alternado com Jorge Peixinho na direcção desse prestigiado agrupamento e assegurado a sua direcção após o falecimento do compositor.

Tanto a nível camerístico como enquanto solista, Carlos Franco foi um músico ecléctico, percorrendo o repertório da flauta, do Barroco ao Classicismo e à Contemporaneidade, e de autores como Bach, Mozart, Britten, Lopes-Graça (de quem foi dedicatário), Filipe Pires, Frederico de Freitas, Emmanuel Nunes e Clotilde Rosa.

A presença relevante de autores portugueses neste repertório indicia um traço da sua personalidade, na busca da valorização da Cultura Portuguesa, traço que também se estende à actividade docente. Tendo leccionado na Academia de Amadores de Música e no Conservatório Nacional, escolas onde tive o prazer de ser seu aluno, foi director desta última instituição, presidindo à Comissão Instaladora, época em que tive também a honra de ser seu colega.

Alexandre Branco Weffort


Testemunhos

Carlos Franco, meu colega de mais de quarenta anos, foi uma figura musical de um valor excepcional e inesquecível. Flautista extraordinário que, quer como concertista com orquestras, quer em recitais a solo ou com música de câmara, deu a conhecer várias obras que estreou em Portugal.

Gravou como solista o Concerto para Flauta de Frederico de Freitas com a Orquestra de Budapeste e, mais tarde, em Nice, gravou o Concerto para Flauta e Orquestra de Alexandre Delgado. Tocou ainda como solista na Orquestra Gulbenkian, da qual fez parte, assim como nas Orquestras Sinfónica do Porto e Sinfónica de Lisboa, ambas da Radiodifusão Portuguesa. Fez inúmeros recitais como solista e integrou muitos concertos de Música de Câmara, quer Antiga, quer Contemporânea, conforme se pode ver na lista dos inúmeros concertos onde Carlos Franco participou, de acordo com o trabalho de recolha de grande mérito levado a cargo pelo seu sobrinho João Carlos Franco Oliveira.

Foi ainda co-fundador do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa com Jorge Peixinho, eu própria, António Oliveira e Silva e António Reis Gomes, aos quais se seguiram outros nomes de grande valor.

Estreou várias obras de Música Contemporânea, decifrando por vezes com Jorge Peixinho os grafismos usados por vários compositores naquele tempo. Quando J. Peixinho tinha de tocar piano nalgum concerto, porque o programa assim o exigia, era o Carlos Franco que o substituía na direcção. Era, sem dúvida, para ele, um colega que muito admirava e considerava. Acontecia o mesmo com os colegas com quem trabalhava; grande mérito no trabalho de um conhecimento inexcedível, com uma dignidade exemplar que os colegas sempre lhe reconheceram.

No início da minha carreira como compositora, aprendi muito de instrumentação com Carlos Franco, ou seja, quando eu procurava, através de leituras, informações sobre as características dos instrumentos que pretendia utilizar, ele transmitia-me todos os seus conhecimentos, que eram muitos.

Sempre me incentivou a prosseguir o meu trabalho, dando-me todo o seu apoio; dedicou-me uma admiração inimaginável e um sentimento profundo de amizade que tanto me ajudou a progredir.

Criou a edição CARFON para editar as minhas obras, trabalho que deixou completo até ao seu desaparecimento. Deixou-me todo o trabalho de edição das minhas partituras, com os materiais completos nas obras de orquestra, assim como em todas as obras que ele conheceu… Agora sou eu que tenho de o fazer, além do meu trabalho de compositora! Quanta falta me faz em todo o sentido! Tínhamos a Música, que nos unia com a cumplicidade que lhe é peculiar, e um “grande bem querer” inesquecível.

Com os alunos, Carlos Franco tinha uma relação muito aberta, de grande profissionalismo e amizade. Por seu lado, eles retribuíam-lhe a amizade, admiração e consideração!

Carlos Franco não foi só um grande artista, foi também um ser humano de uma integridade indiscutível.

Clotilde Rosa

Carlos Franco foi meu professor de flauta transversal desde o início da minha aprendizagem do instrumento (ou perto disso, para não excluir um par de aulas anteriores), primeiro na Academia de Amadores de Música e seguidamente no Conservatório Nacional, até ao final do respectivo curso. Foram dez anos imensamente enriquecedores quer do ponto de vista artístico, quer do ponto de vista humano. Carlos Franco era calmo e metódico, ensinando pela palavra e pelo exemplo; um sorriso aflorava permanentemente nos seus lábios, porque sabia ouvir, e tinha sempre debaixo da língua uma resposta inteligente e encorajadora. Os seus conselhos eram não só sensatos, como potenciavam com refinado gosto o resultado musical. De acordo com uma visão cultivada e ampla da arte dos sons, era avesso a dogmatismos técnicos ou estéticos.

Novos desafios não o assustavam: o maior repto que havia imposto a si mesmo no início da carreira – refazer a embocadura e técnica de emissão à luz do aprendido com Jean-Pierre Rampal – tinha sido vencido praticamente sozinho. Encorajou os alunos a tirar partido de perspectivas diversas, encorajando-os a frequentar master-classes oferecidas por professores visitantes. Estava pronto a evoluir, tanto com os colegas como com os discípulos: o meu interesse pela flauta barroca, por exemplo, não o deixou indiferente, dispondo-se mesmo, a certo ponto, a desenvolver novas competências nesse campo, como antes tinha desenvolvido técnicas próprias da música contemporânea. Aos melhores alunos, gostava de abrir portas para a profissionalização: generosidade esta que declinei, mas que tinha outras formas de se manifestar, através de uma grande capacidade de acolhimento (foi assim que pude conhecer por dentro o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa).

Forjou-se assim entre nós, ao longo do tempo, uma grande e inquebrantável amizade. Quando o imagino, ainda hoje, vejo uma imagem de sabedoria: uma pessoa afável e discreta, na qual a densidade da experiência e a convicção artística se abrem em aceitação da pluralidade e se oferecem como alicerces para a inspiração dos mais jovens.

Manuel Pedro Ferreira

Deixa-me particularmente feliz poder homenagear quem considero um dos maiores flautistas portugueses de uma geração. Um marco como Flautista, Professor e ser humano! Guardo as melhores recordações do Prof. Carlos Franco, quer pela admiração por tanto que se aprendia em cada aula, quer pela tranquilidade e pela confiança que havia para trabalhar dentro da sala de aula, confiança que eu transportava dentro de mim em cada concurso que fazia… e guardo também as histórias que me contava, as “peripécias” dos seus concertos e de como se podia “disfarçar” algum momento inesperado. Mais tarde viria a utilizar uma dessas estratégias num concerto onde parte do meu “improviso” teve mesmo de ser improvisado, quando a partitura desapareceu da estante justamente no momento em que eu precisava dela!

Foram preciosos conselhos! Como ser humano, tenho uma profunda admiração pela sua honestidade, amizade para com os seus alunos e competência. É, sem dúvida, alguém que ficará sempre como uma referência para mim; e sem dúvida também fará sempre parte da história de várias gerações de flautistas, com alguns dos seus alunos espalhados pela Europa.

Foi um enorme privilégio ter podido trabalhar com o Prof. Carlos Franco!

Rita Malão

Texto publicado originalmente na Glosas 14, Maio de 2016 (pp. 80-81): disponível aqui.


Clique na ligação abaixo para consultar a lista de concertos em que o flautista Carlos Franco participou, preparada por Franco de Oliveira.

CARLOS FRANCO – Lista de Obras

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