Apresentação de ‘Dido and Aeneas’ no Algarve

No próximo dia 3 de Março será possível ouvir a ópera Dido and Eneias de Henry Purcell (1659-1695). Esta produção inédita no Algarve, criada com conjugação de esforços regionais, nacionais e internacionais, será apresentada pela Academia de Música de Lagos.

Com estreia marcada para as 21:30 do referido dia, no Auditório Municipal de Lagoa, terá como intérpretes a Algarve Camerata e o Coro do Conservatório Real de Haia. Apresentar-se-ão solistas de renome nacional e internacional, entre eles: Adrián Rodriguez van der Spoel (direcção musical e guitarra barroca), Joana Godinho (Dido), Jan van Elsacker (Aeneas) e Margarida Marreiros (Belinda). A encenação estará a cargo de Carlos Meireles.

A estas duas entidades junta-se ainda o ‘Curso de Produção Artística – Especialização Têxteis’ da Escola Artística Soares dos Reis do Porto. Sob a direcção de Rita Carvalhas e Paula Manhente, este curso é responsável pela criação de esculturas vestíveis, um elemento contemporâneo fornecido para fazer parte da performance, recriando de uma forma original uma produção de uma época distante.

Esta iniciativa está inserida no programa cultural ‘365 Algarve’, que conta com o apoio das Secretarias de Estado da Cultura e do Turismo, do Turismo de Portugal e da Região de Turismo do Algarve, bem como da Câmara Municipal de Lagoa, Conservatório de Música de Lagoa e Real Conservatório de Haia (Koninklijk Conservatorium Den Haag).

O projecto insere-se ainda na estratégia da Academia de Música de Lagos e Município de Lagoa em promover as artes em contexto educativo, associando a Algarve Camerata, constituída por professores da instituição, a uma das escolas de artes plásticas mais emblemáticas do país e ainda ao Conservatório Real de Haia, referência europeia no âmbito da Música Antiga.

Todos os esforços envolvidos nesta produção almejam a criação de parcerias futuras, bem como transformar o tecido artístico regional.

Os bilhetes estão disponíveis pelo preço único de €15 na plataforma Ticketline.

Recital de Guitarra por Paulo Galvão

No próximo dia 24 de Fevereiro decorrerá na Igreja da Alva, Aljezur, um recital de guitarra clássica pelo guitarrista Paulo Galvão.

Esta iniciativa é levada a cabo pela Academia de Música de Lagos e pretende integrar as artes no contexto patrimonial. É mais um evento associado ao programa cultural ‘365 Algarve’, iniciativa conjunta das Secretarias de Estado da Cultura e do Turismo, Turismo de Portugal, Região de Turismo do Algarve e tem o apoio da Câmara Municipal de Aljezur.

O recital versará a temática “Passeios Novecentistas por diferentes universos introspectivos”, permitindo a expressão de vários afectos pelo timbre guitarrístico.

O guitarrista portimonense Paulo Galvão, nascido em 1967 e especializado em Instrumentos Antigos (alaúde renascentista e guitarra barroca), frequentou diversas masterclasses com Jakob Lindberg, Alberto Ponce, Hopkinson Smith, Javier Hinojosa, Piñeiro Nagy e ainda Lopes e Silva. Estudou composição com Jorge Peixinho e harmonia com Manuel Morais.

Desenvolveu a sua actividade docente em locais como a Academia de Música de Santa Cecília, Conservatório de Loures, Escola de Música Nossa Senhora do Cabo e ainda na Escola de Música Crescendo. Actualmente lecciona na Academia de Música de Lagos, onde é o responsável pela fundação dos projectos pedagógicos ‘1001 cordas’ e ‘Guitar Kids’. A sua actividade profissional de instrumentista conta já com diversas actuações a nível solista e em várias formações de música de câmara.

A sua discografia compõe-se igualmente de várias obras: “Recital” (1999), “Livro de Guitarra do Conde de Redondo” (2000, obra que apresenta como estreia para guitarra barroca um manuscrito português do séc. XVIII), “1526” (2000), “Moçárabe” (2001), “Écloga” (2004). Estes CDs contam com a participação de vários outros músicos, como Joaquim Galvão na flauta ou Vítor Lima na voz.

O programa deste recital conta com obras de vários compositores novecentistas. Teremos, de José Ferrer y Esteves (1835-1916), “Allegretto”, “Charme de la Nuit”, op. 36 e “Valse en Lá”. De János Gáspar Mertz (1806-1856), será interpretada a peça “Flor de Trigo.” De seguida, de Johannes Brahms (1833-1897), três Valsas, op. 39. Para terminar, de Francisco Tárrega (1852-1909), “Adelita”, “Gran Vals”, “Pavana” e “Sueño – Mazurka”.

A hora de começo deste espectáculo é às 21:00.

 

Escola de Gamelão da Ilha de Java no Museu do Oriente

O termo Gamelão designa a formação orquestral típica das ilhas de Java e Bali, na Indonésia. Com uma composição instrumental muito distinta daquela utilizada no Ocidente, o Gamelão inclui principalmente Gongos (suspensos verticalmente ou colocados na horizontal), vários instrumentos de percussão melódicos, como o Bonang, o xilofone Gambang kayu e uma série de outros metalofones, como o Gendér, Kenong/Kethuk ou o Saron. A melodia pode ser tocada tanto pela flauta de bambu, Suling, como pelo Rebab (um cordofone friccionado), ou ainda ser assegurada pela voz (neste último caso, quando o Gamelão é utilizado no acompanhamento de interpretações teatrais, ou Wayang). Outro instrumento importante na orquestra é o Kendang, um tambor que desempenha o papel de líder .

foto: Museu do Oriente

Na Indonésia podemos identificar vários tipos de formações de Gamelão. A afinação também é uma questão importante, uma vez que não há duas orquestras que sejam afinadas da mesma forma. Em vez de uma altura-padrão de afinação (como no Ocidente), cada instrumento é afinado para corresponder ao conjunto para o qual se destina. Utiliza-se normalmente as escalas Slendro (a oitava é dividida em cinco tons mais ou menos equidistantes) e Pelog (uma escala com sete notas com intervalos variados, cinco das quais tendo mais importância do que as restantes). Existem também, em Java, os chamados Gamelão duplo com dois conjuntos orquestrais, um em Slendro e outro em Pelog, partilhando um ou dois tons.

O Museu do Oriente trará novamente o Gamelão de Java a Lisboa, pela organização da 9.ª edição da Escola de Gamelão da Ilha de Java, entre 13 de Fevereiro e 13 de Maio, através de oficinas, para todas as idades, que permitem experimentar os diversos instrumentos que compõem esta orquestra de percussão e aprender a tocar músicas tradicionais indonésias.

foto: Museu do Oriente

Durante a semana, o público-alvo são os alunos (do jardim-de-infância ao ensino universitário) e, aos fins-de-semana, são as famílias, bem como crianças e jovens de todas as idades, os convidados de honra desta iniciativa organizada em colaboração com a Embaixada da Indonésia.

Será ainda realizado um curso específico para músicos e compositores, que, em quatro sessões, ensina as várias técnicas de manipulação dos diversos instrumentos que compõem o gamelão, como os metalofones, xilofones, gongos, tambores, entre outros.  Para jovens dos 10 aos 14 anos que queiram explorar estas sonoridades em maior detalhe, decorre igualmente um curso em quatro sessões.

As aulas são orientadas por Elizabeth Davis, licenciada pela Universidade de Nottingham e pela Royal Academy of Music e actual timpanista e chefe-de-naipe de Percussão da Orquestra Sinfónica Portuguesa.

O papel do Palhaço na Ópera Chinesa: oficina para crianças no Museu do Oriente

O Museu do Oriente organizará, na pausa lectiva do Carnaval (decorrendo nas manhãs dos dias 27 e 28 de Fevereiro e 1 de Março), uma oficina pedagógica relacionada com a exposição em curso sobre Ópera Chinesa, destinada a crianças entre os 7 e os 12 anos.

Com o título O papel do Palhaço na Ópera Chinesa, a oficina permitirá aos mais novos observar diferentes facetas desta personagem, fundamental na Ópera de Pequim, numa expedição pelas galerias do Museu do Oriente. Aqui aprender-se-á como são o seu vestuário e maquilhagem, o que o torna distinto das restantes personagens e muitas outras particularidades.

Chou (imagem: Museu do Oriente)

Na ópera chinesa, o palhaço pode ser um cómico ou um vilão. É denominado Chou e tem uma maquilhagem muito característica, com aplicação de branco em redor dos olhos e do nariz, sendo os próprios cantores/actores de ópera que aplicam a sua maquilhagem. Também existe uma versão feminina do Chou, mas com uma maquilhagem diferente, que consiste não no uso do branco, mas no rosto avermelhado, com sobrancelhas enegrecidas e, por vezes, com uma pequena mancha na testa, de remédio para a dor de cabeça. Esta personagem pertence, normalmente, ao povo, mas também existem, na ópera chinesa, palhaços que são de classe média-alta.

 

Chou (imagem: Museu do Oriente)

Durante três horas, os participantes vão poder explorar o Museu do Oriente e o tema da Ópera Chinesa, para depois, em oficina, o retratarem utilizando diferentes técnicas e suportes. O preço para a participação é de 12€/manhã. Uma actividade a não perder!

Estreia do Concerto para violoncelo e orquestra de Luís Tinoco

No passado dia 19 do presente mês, pelas 17 horas, pudemos assistir à estreia, em Lisboa, do Concerto para violoncelo e orquestra de Luís Tinoco (1969-), num espectáculo de música orquestral inserido na temporada sinfónica do Teatro Nacional de São Carlos. A Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direcção de Pedro Neves, executou também a abertura da ópera cómica L’Hôtellerie portugaise, de Luigi Cherubini, e a 3.ª Sinfonia (Escocesa) de Felix Mendelssohn, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB). A obra de Tinoco fora apresentada, em estreia mundial, no dia anterior, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, tendo sido encomendada pelo OPART e pelo Teatro Nacional de São Carlos para a precisa temporada em que Luís Tinoco é aí compositor residente. Esta obra constitui, segundo Bernardo Mariano (Diário de Notícias), o primeiro concerto para violoncelo de compositor português após o composto por Joly Braga Santos (1924-88), com estreia em 1987, inserindo-se entre as poucas criações de Luís Tinoco para instrumento solista e orquestra. Tinoco tem-nos mostrado essencialmente a relevância da dimensão visual nos seus espectáculos, maioritariamente a partir da criação de música de cena e obras vocais, ocupando o Concerto uma posição de certo modo única na sua produção.

Ainda que consideremos que a escolha das obras apresentadas em conjunto com a obra de Tinoco fora um pouco arbitrária, ou, pelo menos, não explicada, parecendo o evento, por esse motivo, carecer de um fio condutor, assistimos sem dúvida a um concerto bem conseguido nas três obras executadas, sendo visível o óbvio empenho do maestro, da orquestra e do solista, Filipe Quaresma, amigo próximo do compositor e violoncelista dedicatário da obra. No entanto, o evento aparenta, sob um certo ponto de vista, ter falhado pela inegável falta de público, que nem pela distribuição e dispersão pela plateia, balcão e camarotes do Grande Auditório dava a ilusão de nos encontrarmos numa sala “composta”. É altamente provável que uma sala meio-vazia se tenha devido à ineficiência na divulgação ou à falta de incentivos dentro do meio musical, musicológico e académico nacional – que, embora restrito, aparenta procurar estar actualizado e informado – à presença nesta estreia, manifestando desta vez uma possível indiferença face ao concerto em causa. Na cidade onde o próprio compositor se licenciou (pela Escola Superior de Música de Lisboa) e onde se localizam inúmeras escolas e universidades que providenciam hipóteses de especialização nas mais variadas áreas musicais e musicológicas, reunindo uma grande comunidade de possíveis interessados nos mais recentes eventos da vida musical nacional, parece-nos bizarro que a informação acerca da estreia de uma nova obra de um compositor português contemporâneo, não tenha circulado de forma insistente, nomeadamente em meios onde à partida eventos como estes seriam considerados centrais, tendo a divulgação principal sido feita pela imprensa escrita, onde se pode ler, em muitas notícias, exactamente as mesmas – e poucas – palavras.

No entanto, é inegável o interesse geral da obra de Luís Tinoco, e principalmente da execução de Filipe Quaresma, que soube evidenciar claramente uma escrita em que, a nosso ver, o trabalho em torno da exploração de timbres é fundamental e um dos principais interesses do próprio compositor. Este último salienta, ao longo dos três andamentos do Concerto, os diálogos entre instrumentos e naipes, resultando daqui cumplicidades audíveis entre violoncelo solista e tutti, ou entre o solista e instrumentos como o piano, também incluído nesta obra, a harpa ou as percussões (em relação às quais podemos também destacar a originalidade da inserção na orquestra de instrumentos não ocidentais). Aplaudido entusiasticamente pelo (pouco) público que se encontrava na sala, Filipe Quaresma, instrumentista que, de acordo com as notas de programa ao concerto, “já tocou nas principais salas portuguesas e europeias (…), trabalhando com os mais prestigiados músicos portugueses e estrangeiros da actualidade”, conseguiu conferir ao violoncelo imaginado por Luís Tinoco timbres por vezes inesperados, causando ilusões auditivas curiosas de que estávamos perante um, ou vários, instrumentos de sopro nas partes solistas do Concerto.

De igual modo muito bem recebido pelo público, Luís Tinoco assistiu à estreia do seu Concerto, de acordo com Bruno Caseirão, uma “obra de maturidade”, que transmite “um lirismo e nostalgia na escrita do instrumento solista, a par com uma enorme exigência”, exigência essa, como já referido, plenamente transmitida e bem ultrapassada por Filipe Quaresma, em mais um concerto em que tanto maestro como orquestra demonstram como prioridade a divulgação e execução de obras de compositores nacionais – ainda que, desta vez, para um número modesto de espectadores.

Nova gravação de ‘Magnificat em Talha Dourada’

[alert type=blue ]Eurico Carrapatoso: Magnificat em Talha Dourada. Sónia Grané (soprano), Ensemble CN, Coro Musaico, Tiago Marques (dir.). Edição: Escola de Música do Conservatório Nacional (2016)[/alert]

O final do ano de 2016 viu nascer um novo registo discográfico de Magnificat em Talha Dourada, uma das mais celebradas obras de Eurico Carrapatoso.

A primeira edição da obra tivera lugar em 2006, fruto de uma gravação ao vivo do Ensemble Olisipo, na Igreja de S. Pedro de Palmela. Esta nova leitura conta com as interpretações do soprano Sónia Grané, do coro Musaico e do Ensemble CN, da Escola de Música do Conservatório Nacional, sob a direcção de Tiago Marques. A edição teve o patrocínio da Fundação GDA e as gravações decorreram na Igreja do Menino Deus.

Eurico Carrapatoso (n. 1962) é um dos nomes a concurso para o Prémio Autores 2017 da Sociedade Portuguesa de Autores, com a nomeação, precisamente, de Magnificat em Talha Dourada à categoria de melhor trabalho de música erudita. Os resultados serão anunciados no dia 15 de Março, com transmissão em directo na RTP2 a partir do grande auditório do CCB.

Capa

Apresentações do guitarrista Rui Mourinho

O guitarrista algarvio Rui Mourinho, nascido em Portimão em 1976, efectuou os seus estudos iniciais no Conservatório Regional Maria Campina – Faro. Aqui, teve a oportunidade de estudar com os professores Konstantin Götzen, José Alegre e Eudoro Grade. Obteve os graus de Mestre em Música e em Ensino da Música na Escola Superior de Música de Lisboa, instituição onde teve a oportunidade de estudar na Classe de Guitarra de Piñeiro Nagy e nas Classes de Música de Câmara de Olga Prats, Nuno Inácio e Stephen Bull.

Aprofundou os seus estudos através da participação em diversas masterclasses com nomes conceituados da guitarra clássica como Piñeiro Nagy, Dejan Ivanovic, Alberto Ponce, António Jorge Gonçalves, Ricardo Gallen, Joaquin Clerch, David Russell, Hubert Kappel, Carlo Marchione, entre outros.

Enquanto instrumentista, integrou o grupo Vá-de-Viró, com o qual teve a oportunidade de realizar recitais em todo o país e com o qual gravou igualmente o CD Outras Músicas. Participou ainda na gravação do CD Balletti, do Ensemble de Flautas do Município de Loulé.

Rui Mourinho dedica-se actualmente a uma carreira concertística, quer a solo, quer no domínio da música de câmara. É dedicatário de obras de compositores como Cristóvão Silva, André Santos e Stephen Goss. Prossegue estudos de Doutoramento em Música e Musicologia da Universidade de Évora.

Neste mês de Fevereiro será possível ouvir duas apresentações:

  • Dia 18 (Sábado) | 18h00 | Igreja de São Sebastião (Tavira): obras de Stephen Goss: Cantigas de Santiago; Sonata para guitarra; Chinese Garden; El Llanto de los Sueños. Duração estimada de 60 minutos.
  • Dia 25 (Sábado) | 15:30 | Biblioteca Municipal de Albufeira – Lídia Jorge: apresentação do CD Stephen Goss Guitar Works – Vol. 1.

Ambas as apresentações serão de entrada livre.

Apresentação da colecção ‘SACRA XX – XXI’

A presente linha editorial, criada no seio do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, destina-se, essencialmente, a dar a merecida visibilidade aos compositores portugueses contemporâneos formados em música sacra.

O canto e a música tornaram-se, desde muito cedo, na Igreja Cristã, o meio privilegiado de manifestação humana para o louvor e para a glorificação de Deus, criando, desenvolvendo e edificando ao longo dos últimos vinte séculos um vasto e riquíssimo património musical, considerado actualmente, pela Igreja Católica Romana, um verdadeiro “tesouro de inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte” (SC 112)1.

Durante muitos séculos, a história da música ocidental foi norteada pela praxis musical da Igreja então vigente, granjeando notoriedade muitos clérigos compositores por toda a Europa. Também em Portugal muitos períodos da história da música foram fortemente influenciados pela Igreja Cristã, mais precisamente, pela Igreja Católica. Identificamos com relativa facilidade, entre os proeminentes compositores portugueses, individualidades próprias do clero e músicos contratados ao serviço da Igreja.

Num passado mais recente, e no que concerne exclusivamente à Igreja Católica, o concílio Vaticano II (1961-1965) veio alterar profundamente os cânones referentes à composição musical para uso nas celebrações litúrgicas, ao mesmo tempo que relembrava e realçava a importância da criação de cursos superiores de música sacra. Em sentido diverso do que nos ilustra a História da Música, a propósito do Concílio de Trento (1545-1563) — também conhecido como o Concílio da Contra-Reforma, no qual, e no campo estritamente musical, foram instituídos o Canto Gregoriano e a polifonia de Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594) como arquétipos a seguir — as preocupações do Concílio Vaticano II são outras e mais profundas:

Tinha-se, pois, a impressão que o conflito respeitava sobretudo o âmbito do uso da música. Entretanto, porém, a rotura aprofundou-se. A segunda vaga da reforma litúrgica radicalizou o problema até aos seus fundamentos. Trata-se agora da natureza da acção litúrgica como tal, das suas bases antropológicas e teológicas. O conflito que atinge a música sacra é sintomático e descobre um problema mais profundo, a saber: o que é a liturgia (Ratzinger 1985, 189).

Os cuidados a ter com a música nas celebrações litúrgicas prendem-se, doravante, com a sua liturgicidade (vide Antunes 1996, 199-200), com a sua capacidade intrínseca em se adequar, com maior ou menor fidelidade, ao rito litúrgico que se pretende celebrar e tornar inteligível².

Depreende-se com relativa facilidade que, devido às novas orientações conciliares, muitas obras do passado, bem como algumas modernas, deixaram de ter lugar nas liturgias actuais. Que implicações e (ou) consequências acarreta esta nova realidade para os compositores contemporâneos? Será que estes deixaram de cultivar os grandes modelos musicais consagrados pela história? Ou será que, apesar do novo paradigma, ainda encontram neles uma forma de expressão da fé? E, sendo este o caso, em que contexto e em que condições são interpretadas as suas obras?

Este assunto tem-me merecido alguma atenção ao longo de vários anos, culminando recentemente, com a publicação de um texto que aborda, entre outras, as questões suscitadas (vide Bernardino 2014, 363-399). Integrado no projecto “’A música no meio’: o canto em coro no contexto do orfeonismo (1880-2012)”, a reflexão referida revela-nos, entre outros, que vg. a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, e cingindo-nos exclusivamente à música coral de Manuel Faria, contém nos seus acervos 1 Ópera, 11 Missas, 49 obras para Coro a Cappella, 12 peças para Coro com acompanhamento de um pequeno efectivo instrumental, 53 obras para Coro com acompanhamento de Órgão, Piano ou Harmónio e 40 harmonizações de obras diversas. Relativamente a compositores ainda vivos, e no caso do Cónego Ferreira dos Santos, à data de 2010 a sua obra Coral-Sinfónica incluía: 2 Salmos, 10 Cantatas, 1 Oratória de Natal, 1 Paixão segundo S. João, 1 Requiem, 1 Magnificat e 1 Sinfonia Coral. Esta catalogação prévia contempla ainda 4 obras para Coro acompanhado de órgão e outros instrumentos. Grande parte deste repertório ainda nunca foi apresentada. É imperativo salientar que se trata de dois compositores que mais se destacaram no meio musical sacro, havendo, além destes, um grande número de compositores ainda por conhecer. Outro ângulo do texto evidencia o afastamento da sociedade contemporânea, com destaque para as ciências musicais e para as instituições culturais, da vida cultural da Igreja, ignorando, particularmente da perspectiva musical, o que ela tem produzido nas últimas décadas.

Deste modo, sob a chancela do mpmp e sob a direcção editorial de João Santos e eu próprio, ambos formados em Música Sacra pela Escola das Artes da Universidade Católica, apresenta-se ao público um novo paradigma, na expectativa de um novo e renovado rumo para a música sacra portuguesa.

Queira Deus que este projecto prospere, sempre para ad majorem Dei gloriam.

Capa do primeiro volume da colecção ‘sacra XX-XXI’

Notas

1 Constituição Sancrosanctum Concilium do Vaticano II, sobre a sagrada liturgia, n.º 112.
2 Apesar de o propósito deste texto não passar pelo debate sobre a música mais apropriada às celebrações litúrgicas, ficam algumas referências bibliográficas para uma maior compreensão do tema (vide Ratzinger 1985; Martín 1992; Antunes 1996; Donella 1998a, 1998b).


Bibliografia

Antunes, José Paulo da Costa. 1996. SOLI DEO GLORIA – Um contributo interdisciplinar para a fundamentação da dimensão musical da liturgia cristã. Porto: U.C.P. – Porto; Fundação Eng. António de Almeida.

Bernardino, Paulo. 2014. Música sacra em Portugal nos séculos XX e XXI: um tesouro a descobrir. In Vozes ao Alto. Cantar em coro em Portugal (1880-2014), coord. M. d. R. Pestana. Lisboa: MPmp.

Donella, Valentino. 1998a. Para nos entendermos. In Nova Revista de Música Sacra n.º 85, ed. A. A. Oliveira. Braga: Diocese de Braga – Comissão Bracarense de Música Sacra.

Donella, Valentino. 1998b. Para nos entendermos (segunda parte). In Nova Revista de Música Sacra n.º 86, ed. A. A. Oliveira. Braga: Diocese de Braga – Comissão Bracarense de Música Sacra.

Martín, Julian López. 1992. Canto y Musica en la Liturgia. Ponto de vista teologico. In La Música en la Iglesia-  De Ayer a Hoy, ed. A. G. Garcia. Salamanca: Publicaciones Universidad Pontificia de Salamanca; Caja Salamanca y Soria.

Ratzinger, Joseph. 1985. Liturgia e Música Sacra. In A Música Sacra nos documentos da Igreja, edC. E. Portuguesa. Coimbra: Gráfica de Coimbra, Lda.

Giampaolo di Rosa em concerto

O organista italiano Giampaolo di Rosa, renomado intérprete e organista titular da Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, e da Catedral de Vila Real, está em Portugal para dois concertos em torno da obra de Manuel Faria. Estes concertos são também um motivo para celebração do lançamento da colecção de partituras “Sacra XX-XXI”, editada pelo MPMP.

Os concertos decorrerão amanhã, terça-feira, 14 de Fevereiro, pelas 18h, na Biblioteca Municipal de Coimbra e no dia seguinte, quarta-feira, 15 de Fevereiro, às 21h, na Sé Catedral de Aveiro. O primeiro concerto, em Coimbra, será ainda complementado por conversas à volta do “Tríptico litúrgico” de Manuel Faria, um dos compositores visados pela linha editorial que se apresenta.

Esta é uma iniciativa da Associação Cultural Manuel Faria e da AMPO, Associação Musical Pro-Organo, com o apoio da Câmara Municipal, da Escola Superior de Educação e da Universidade de Coimbra.

Francisco Santos Pinto e a Música Teatral

Introdução

Como para tantos outros aspectos da produção musical de Francisco Santos Pinto, a sua actividade como compositor de música teatral carece de um estudo aprofundado. Enquanto esta vertente da obra de Joaquim Casimiro Júnior, por exemplo, já foi objecto de uma tese de doutoramento1, para Santos Pinto tem continuado a ser necessário recorrer, em primeiro lugar pelo menos, ao seu verbete no Diccionario Biographico de Ernesto Vieira2. Exceptuando as partituras, quase todas autógrafas, integradas na sua própria colecção, é difícil averiguar que fontes Vieira terá usado na elaboração desta entrada, o que implica a necessidade de verificar sistematicamente os dados por ele fornecidos através de outras fontes fiáveis.

Santos Pinto não chegou a compor qualquer ópera. O seu contributo para a música teatral é mais modesto: um trabalho não de quem procura estar na berlinda, mas de quem tem de ganhar a vida. Como o próprio explica, numa carta autobiográfica editada, em 1851, na revista O Espectador:

“Se tanto tenho produzido porém, não é por ostentar fecundidade de engenho, nem por avidez de riquezas, honras, dignidades, louvores ou fama; mas sim pela constante necessidade de trabalhar, para manter a minha familia.”3

De facto, o contributo de Santos Pinto para a música teatral limita-se a duas áreas: bailados (no sentido lato), sobretudo para o Teatro de São Carlos, e música cénica, inicialmente para o Teatro da Rua dos Condes, mas a partir da sua inauguração (em 1845), destinada principalmente ao Teatro de Dona Maria II, onde foi o primeiro a ocupar o cargo de director musical.4 Estas duas facetas da sua actividade devem ser consideradas em paralelo. Segundo o compositor,

“Em 1838 appareceu pela primeira vez em publico uma produção minha, que foi a musica para o baile – A Adoração do Sol – que subiu á scena no Real Theatro de S. Carlos; e tive a satisfação de ver coroados os meus trabalhos com a geral aprovação do publico.”5

A partir deste momento encontra-se evidência da sua actividade teatral em ambas as suas vertentes.

Não sendo possível num artigo desta natureza desenvolver um estudo abrangente e aprofundado, o presente estudo limita-se necessariamente a uma recolha de conhecimentos e informações mais facilmente acessíveis. Assim sendo, o seu objectivo é chamar a atenção para certas fontes e expor algumas das dificuldades que lhes são inerentes, e sobretudo disponibilizar primeiras propostas de cronologia (apêndices 1 – bailados, e 2 – música cénica), assim como uma selecção de informações, avisos, notícias e recensões que nos permitam entender algumas práticas e avaliar a recepção de certas obras.

Fig. 1 – Capa da partitura autógrafa de As três Cidras de amor  (Teatro Nacional D. Maria II, Colecção de partituras, M N.02)6

Os Bailados

Neste texto usa-se o termo “bailado” de forma genérica para significar obras teatrais constituídas por uma sequência de músicas coreografadas. Na época, contudo, era habitual limitar esta designação a composições de mais reduzidas dimensões, sobretudo quando inseridas numa peça declamada. Pelo contrário, os termos “baile” e “bailete” diziam respeito a obras independentes, o primeiro mais extenso e “sério”, equivalente na dança ao “drama” do teatro declamado, enquanto o último designava uma obra mais leve e mais curta, equivalente à “comédia” ou “farsa” (farça, na ortografia da época).

Tomando como ponto de partida a lista de bailados fornecida por Vieira, encarregou-se de verificar os dados através de uma combinação de fontes primárias, sobretudo as partituras e os libretos conservados na Biblioteca Nacional de Portugal, e fontes secundárias, principalmente dois livros: O Real Theatro de S. Carlos, de Fonseca Benevides, e a História da Dança em Portugal, de José Sasportes7. Um problema que surge frequentemente com todas estas fontes é a falta de referência ao autor da música. Isso deve-se, por um lado, ao reduzido prestígio de que gozava a música destinada aos bailados, e, relacionado com isso, à prática de usar músicas já existentes em novos arranjos e não apenas música composta expressamente. Terá havido, com certeza, outros bailados, não incluídos nas referências de que dispomos, onde o papel de Santos Pinto foi apenas o de arranjador, ou para os quais compôs pouca música, não merecendo, assim, qualquer atribuição, na perspectiva da época8. Em especial, os solos e passos de dois ou três (pas-de-deux ou pas-de-trois) eram frequentemente de um coreógrafo e compositor diferentes do resto do bailado, sendo provável que Santos Pinto tivesse contribuído com música para alguns destes, sem ter recebido, porém, qualquer reconhecimento deste facto9.

Se tomarmos a título de exemplo o baile em três actos A Aldeana polaca, dançado no Teatro de S. Carlos, em 1845, o libreto, na página de rosto, refere o coreógrafo, Mr. Carey, e, na página de elenco, consta a lista dos actuantes com os respectivos papéis, assim como os intervenientes nos passos (pas-de-deux neste caso), todos “compostos”, ou seja, coreografados, por Mr. Carey. Contudo, em nenhum lugar é mencionado o autor ou arranjador da música. A esta data seria perfeitamente possível que tivesse havido um envolvimento da parte de Santos Pinto, mas a fonte não permite saber se houve de facto.

Fig. 2 – Libreto do baile A Aldeana polaca: página de rosto e página de elenco (Colecção do autor)

Neste sentido, uma ajuda preciosa na corroboração de atribuições, por vezes ausentes dos respectivos libretos, são duas fontes oriundas do próprio compositor – em primeiro lugar, uma lista autógrafa das suas obras até 184210, e, em segundo lugar, a carta autobiográfica de Santos Pinto, já referida, pois embora o compositor não entre em detalhes sobre a sua produção, foi acrescentada uma extensa nota editorial precisamente com esta informação, em relação a vários aspectos das composições teatrais:

“O que o illustre compositor não quis fazer, por modestia certamente, temos nós a satisfação de estarmos habilitados a poder fazer, preenchendo assim esta lacuna na interessante noticia de tam brilhante carreira artistica.

Além de muitas danças instrumentadas pelo Sr. Pinto, para o Theatro de S. Carlos, são originalmente suas as musicas das danças do mesmo teatro: Adoração do Sol, Coroa de Ariadne, O Lago das Fadas, O Annel, Os Cuscos e os Quitos, Narciso á fonte, Telemaco na Ilha de Calipso, As Modistas, Emeth, Palmyra [sic], Branca Flor, a do primeiro acto da Dança Nabucco, e differentes bailados e pas-de-deux.

Para o Theatro de D. Maria II, tem escripto a musica dos bailes: O Boleto, O Hymineu de Tedide e Cloe; a dos bailados do Alcaide de Faro, Templo de Salomão, Conde de Sancta Helena, Extrangeirado, Mineiro de Cascaes etc. e a do canto das mesmas peças, e d’outras muitas: Degolação dos Innocentes¸ Rainha e Aventureira, Carlos ou a Familia do Avarento, Alfageme de Santarem, Baille de Criado, Tres Cidras do Amor, Diabo-a-quatro, Amores d’um fidalgo; innumeraveis coros para outras peças, a Ode-symphonia A manhan de um bello dia, e ultimamente a engraçada opera-comica A Casa-mysteriosa. […]”11

Especialmente importante nesta nota é a referência aos bailados encenados no Teatro de D. Maria II, que, em vários casos, para além de integrarem originalmente peças declamadas, chegaram a ser dançados subsequentemente, fora do contexto original, como momentos independentes. Por exemplo, segundo os respectivos anúncios no jornal O Estandarte, no ano de 1850, o bailado do 5.º acto do Conde de Santa Helena integrou o programa dos dias 10 e 27 de Agosto e o bailado tirolês do 6.º quadro deste drama no dia 16 desse mês. Em Outubro do mesmo ano, voltou o bailado do 5.º acto do Conde de Santa Helena, no dia 10, e o bailado do Mineiro de Cascais, no dia 12. Nestes dias, as peças declamadas principais eram sempre outras.

Da mesma forma que muitos libretos carecem de atribuição da música, nas raras notícias e recensões sobre os bailados nos jornais e revistas o foco de interesse é a dança e não a música. Por exemplo, sobre O himeneu de Tedida [Tetide] e Cloé, o bailete fantástico num acto, com coreografia de Ciriaco Marsigliani, estreado no Teatro de D. Maria II a 16 de Setembro de 1850, a revista O Espectador expõe o enredo, seguido de uma breve avaliação:

“O pastor Cloé enamorado de Tedida, uma das nymphas de Venus, consegue do Hymineu e do Amor, que lhe favoreçam a sua paixão, contra os desdéns da sua amada, que não curava senão de danças. E Tedida afinal, ferida por uma flecha do Amor, entrega-se ao seu amante, cuja união Hymineu consagra; e Venus transforma em Genio o feliz Cloé.

Esta acção singelíssima está bem conduzida, e o bailado com que remata é vistoso e engraçado. A Sr.ª E. Marsigliani desempenha a parte de Tedida com mimo, e dança com bastante bravura, executando passos bem difficeis com muita facilidade e acabamento.

O publico tem aplaudido este pequeno divertissement, que considerâmos no caso de merecer este bom acolhimento.”12

Menos favorável é a avaliação da Revista dos Espectaculos:

“O bailete – Tedida e Cloé – é uma d’aquellas semsaborias fantasticas, que servem de pretexto para se fazer a exhibição em scena d’alguns corifêos e corifêas da 4.ª secção. N’este bailete a sr.ª Gesualdi faz de Venus. O amor é anonymo.

Consta-nos que o estafado corpo de baile do teatro de D. Maria 2.ª deseja ser escripturado para S. Carlos. A empresa sabe perfeitamente que o teatro lyrico não é asylo d’invalidos, em que se recolham estropeadas sylphides. É de esperar que uma recusa formal seja a resposta dos empresarios ás propostas de um corpo de baile, que está evidentemente incapaz de todo o serviço.”13

Independentemente da avaliação dos críticos, é partilhada a falta de qualquer referência à música ou a Santos Pinto como seu autor. De facto, para chegar a alguma conclusão sobre a música dos bailados, a melhor maneira é ler as próprias partituras.

Na Biblioteca Nacional de Portugal conservam-se as partituras autógrafas de, por um lado, O Anel encantado (1841, com o título L’Annello) e um excerto de A Coroa de Ariadne (1840), e, por outro, o manuscrito C. N. 2, uma fonte algo confusa, por se juntar num único volume Narciso à fonte (1841), A Coroa de Ariadne (1841), o 2.º acto de Os Cuscos e Quitos (1842), uma secção erradamente identificada a lápis como O Anel (de facto, é constituída por um prelúdio sem título, e os 5.º e 6.º actos de uma obra não identificada) e, por último, O Diabo amoroso (1844, com o título Le Diable amoureux). Como se pode verificar por estas partituras, é frequente a existência de duas formas do título: em português, mas adicionalmente em italiano ou francês. Depositadas na Biblioteca Nacional, no Fundo Teatro de São Carlos, encontram-se igualmente, em manuscrito, partes cavas e/ou “folhetos” (uma espécie de redução ou short score) de duas dezenas de bailados atribuídos ou atribuíveis a Santos Pinto. Por outro lado, as partituras autógrafas dos bailados de O Alcaide de Faro, O Conde de Santa Helena e O Templo de Salomão encontram-se na Colecção do Teatro Nacional D. Maria II, integradas na música cénica destas peças. É a análise de tais fontes que permitirá futuramente um entendimento mais pleno desta música.14

Por último, no que diz respeito aos bailados, deve-se fazer referência à sua disseminação no estrangeiro. Il Naufragio (ballo di mezzo carattere em 3 actos), com coreografia de Bernardo Vestris e música de Santos Pinto, foi encenado em Milão, no Teatro alla Canobbiana, na Primavera de 1844.15 É provável que se trate da reposição de um baile composto e encenado em Lisboa, do qual, contudo, não foi encontrada referência em relação ao Teatro de S. Carlos.16 O baile mágico-fantástico Palmina (1845) chegou a ter uma encenação no Scala de Milão, na temporada de Carnaval de 1852/53. Por outro lado, o baile A Ilha dos amores (1858) teve um sucesso notável nos teatros italianos, começando no Scala de Milão, no Outono de 1861, com reposições no Apollo de Roma (Carnaval de 1862/63), no San Carlo de Nápoles (Inverno de 1863), no Regio de Turim (Carnaval de 1865/66), no Accademici Immobili de Florença (Quaresma de 1866), no Canobbiana de Milão (Primavera de 1866), no Bellini de Palermo (temporada de 1867/68), no Rossini de Florença (Outono de 1869) e, por último, no Fenice de Veneza (Carnaval e Quaresma de 1870/71). Nos libretos de todas estas encenações, a coreografia é atribuída a Monplaisir (que terá dirigido o corpo de bailarinos) e a música a Santos Pinto. Outro coreógrafo que terá levado a música de Santos Pinto para o estrangeiro foi Francisco Jorck, que passou vários anos no Brasil, a seguir à sua primeira estada em Portugal (1840-42).

A música cénica

Algumas das dificuldades que subsistem em relação aos bailados também se aplicam à música cénica. Nas peças declamadas, o foco de atenção, nos anúncios, notícias e recensões, costuma recair sobretudo no enredo (e daí no dramaturgo), nos actores e nos cenários (especialmente aqueles criados e pintados pela célebre parceria Achille Rambois e Giuseppe Cinatti). É principalmente sobre estes aspectos, para além de questões políticas e financeiras, que escreve também Gustavo de Matos Sequeira na sua monumental Historia do Teatro Nacional D. Maria II.17 De facto, o uso da música variava consideravelmente nas peças encenadas, entre apenas um ou dois números (tipicamente canções, breves coros ou interlúdios orquestrais) e um papel central, como veremos adiante. No entanto, diversamente aos bailados, o elevado número de partituras autógrafas conservadas (na Biblioteca Nacional de Portugal e no Teatro Nacional D. Maria II), para além das listas de obras (a autógrafa de 1842 e a já citada nota editorial à carta autobiográfica) e outras fontes de diversos géneros, permitem estabelecer com maior certeza as peças para as quais Santos Pinto colaborou com a música.

As peças declamadas, quer no Teatro da Rua dos Condes (1840-1845), quer no Teatro de D. Maria II (1845-58) podem ser divididas essencialmente em dramas (históricos ou bíblicos), por um lado, e comédias (incluindo mágicas e paródias), por outro. Por uma questão de conveniência, abordam-se estes géneros por esta mesma ordem.

Uma das questões que surgem inevitavelmente numa instituição que se dedica ao teatro declamado é a competência musical dos actores e comparsas que, regra geral, tinham pouca ou nenhuma formação nesta área. Por exemplo, na estreia do drama histórico O Alfageme de Santarém ou A espada do Condestável, de Almeida Garrett, que se realizou no Teatro da Rua dos Condes, em 1842, houve um problema deste género:

“Muito nos pena que os máos fados, que teem avexado esta peça, ainda a persigam. Foi obrigado o auctor na recita de hoje a mandar cortar o principio do 5.º acto, que é tão caracteristico dos nossos costumes do campo; por que entregaram a execução da parte cantada a artistas, que não podem desempenha-la, tendo com tudo a empresa muitas cantoras, que o podiam fazer, e bem.”18

A canção em questão terá sido a toada popular Estava a bela infanta, com intervenções das personagens Joana e Serafina, para além de um coro. Infelizmente, perdeu-se a música original desta peça, à excepção da parte de viola do coro no acto IV, cena 1.19

Fig. 3 – O actor Theodorico no papel do Alcaide de Faro (desenho de Raphael Bordallo Pinheiro, in Julio Cesar Machado, Os Teatros de Lisboa, Lisboa: Mattos Moreira, 1875, p. 165)

Pelo contrário, foi conservada, na Colecção do Teatro Nacional D. Maria II, a partitura autógrafa de O Alcaide de Faro, do dramaturgo Joaquim da Costa Cascais, estreada neste Teatro, a 31 de Julho de 1848. A publicidade emitida no jornal O Estandarte nesse mesmo dia refere vários aspectos de interesse:

THEATRO DE D. MARIA II

Segunda feira 31 de Julho, anniversario do Juramento da
CARTA CONSTITUCIONAL, e natalicio de S. M. IMPERIAL
A SENHORA DUQUEZA DE BRAGANÇA,
a  1.ª  representação  do  drama  original  portuguez  de  grande  espectaculo em 5 actos

O ALCAIDE DE FARO.

Adornado de musica e dança.
Além da cavallaria, banda marcial e comparsaria, tem tres scenas novas pintadas debaixo da direcção dos srs. Rambois & Cinati. A mise en scène é do sr. Epifanio, a musica do sr. Pinto, os bailados do sr. Marsigliani, os  adereços do sr. Andrade. Os trajos e adereço são desenho do sr. Rosa, extrahido de quando se pôde colher de mais exacto.
No 1.º acto: bailado e sólo em caracter camponez. N.º 4.º dito, sólo e bailados com córos em caracter mourisco. O corpo de baile é todo composto de artistas do real teatro de S. Carlos.

 

O dia 31 de Julho, aniversário de “S. M. Imperial a Senhora Duqueza de Bragança” (D. Maria Amélia, viúva de D. Pedro IV), era celebrado anualmente nos teatros como evento de importância dinástica, tendo calhado nele (não por acaso) vários dos espectáculos principais para os quais Santos Pinto contribuiu com a música, tais como O Tributo das cem donzelas (1845), O Templo de Salomão (1849), O Conde de Santa Helena (1850) e A Profecia ou a queda de Jerusalém (1852). A importância da música e da dança neste drama sobressai no anúncio através da caracterização “Adornado de musica e dança”, a referência à “banda marcial”, a atribuição da música ao “sr. Pinto” e da coreografia dos bailados ao “sr. Marsigliani”, para além dos detalhes do último parágrafo, incluindo a menção prestigiante do corpo de baile como sendo do Teatro de S. Carlos. Curiosamente, não consta o nome do dramaturgo.

A partitura revela, de facto, a riqueza musical referida – o uso de marchas, coros e bailados – mas também números com a intervenção de actores e actrizes individuais, tais como o romance de Zulmira, do 3.º acto, com o seu acompanhamento invulgar de apenas um violino e uma violeta. Chegou a ser editado, também em 1848, como suplemento do periódico Jardim das Damas20, com acompanhamento de piano.

Esta revista publicou igualmente um excerto (o “Hino dos desposórios”) do drama bíblico O templo de Salomão (1849)21, um de dois dramas com música de Santos Pinto que chegaram à lista de Matos Sequeira de “Obras teatrais com mais de cinquenta representações” no D. Maria.22 Segundo este autor, O templo de Salomão atingiu 65 récitas e A profecia ou a queda de Jerusalém 69, mais do que qualquer outra peça com a sua música. É de salientar que eram ambos dramas bíblicos – um género bastante apreciado – e, como já se constatou, foram ambos estreados em aniversários de Sua Majestade Imperial a Senhora Duquesa de Bragança, D. Maria Amélia. Musicalmente a abordagem e estrutura musical é semelhante àquela dos dramas históricos: uma mistura de marchas, coros, números para actores individuais (sozinhos ou em conjuntos de vários tipos) e bailados. Também deste género são A degolação dos inocentes (Condes, 1841), O tributo das cem donzelas (Condes, 1845), João Baptista ou o Coração de ouro (D. Maria II, 1848), O filho prodigo (D. Maria II, 1857) e a última peça para a qual, segundo Vieira, Santos Pinto contribuiu com música: Os mártires da Germânia, estreada no Teatro das Variedades, em 1859.

Passando às comédias, em alguns casos possuíam pouca música e nem necessariamente original. Por exemplo, a comédie-vaudeville O Cavalheiro d’Essone (1850), traduzida do francês de Charles Dupeuty e Anicet Bourgeois, na versão portuguesa tinha apenas três números musicais, avaliados muito positivamente por O Espectador:

“[…] O romance que esta menina [Maria da Gloria, no papel de Regaillete] canta no final do 1.º acto, é o mesmo da peça franceza, mui sensatamente instrumentado pelo sr. Pinto: e a musica do final, toda composição do sr. Pinto, é muito apropriada e escripta no mesmo gosto francez, deixando perceber a letra das coplas com toda a clareza.”23

Bastante mais extensa é a música das mágicas – um género luso-brasileiro que reunia textos às vezes satíricos, cenários fantásticos, efeitos especiais, música e dança, para entreter toda a família, desde as crianças até aos idosos – encenadas sobretudo nos dias logo antes do Carnaval. Exemplos são O Diabo a quatro24 (1848), As três Cidras do amor (1849) e A Fada de Frith (1851).

Contudo, foi nas paródias que a música chegou a ter um papel preponderante, quer nos números cujo objecto de paródia é uma música já existente, quer nas músicas originais. Uma notícia na Revista dos Espectáculos referente à comédia O teatro e seus mistérios (1853) não deixa qualquer dúvida a este respeito, nem à mestria com que Santos Pinto adequava a sua música à situação:

“A Comedia em 3 actos – O Theatro e seus mysterios, é uma das cento e noventa e nove variações escriptas sobre os themas – Pae de uma actriz – Ensaio de uma opera seria, etc. Não ha duvida porém, que apresenta alguns lances engraçados, e que tem o merecimento de fazer o publico rir pela fidelidade com que alli estão reproduzidos alguns caracteres contemporâneos, e por a maneira por que outros alli se acham parodiados. […] As peças de musica em parodia, que ornam a comedia, foram bem escolhidas e abonam o bom gosto do sr. Santos Pinto; as outras peças originaes, escriptas pelo dito professor, são muito apropriadas ao assumpto […].”25

Inevitavelmente, deve-se perguntar se não terá sido Santos Pinto o responsável também pela música de O Dr. Sovina, uma velha peça de Manuel Rodrigues Maia, estreada numa nova versão no D. Maria a 16 de Setembro de 1851, no contexto de uma noite de gala para celebrar o aniversário de Sua Alteza o Príncipe Real (o futuro D. Pedro V). Segundo o anúncio em O Estandarte, no dia do espectáculo, iria ser “A 1.ª representação n’este teatro da farça portugueza, O Dr. Sovina; novamente ampliada, e ornada de peças de musica, em parodia, tirada das melhores operas.” Dificilmente terá sido outro compositor, mas não é explicitado o autor/arranjador da música, nem no anúncio, nem nas partes cavas que se conservam desta produção.26

Fig. 4 – Programa de O que Convém para fortuna das mulheres e A Casa mysteriosa (Teatro Nacional D. Maria II, PRG 774)27

É A Casa mysteriosa, comédia em 3 actos, que mais do que qualquer outra peça declamada nos oferece um vislumbre de Francisco Santos Pinto no seu melhor. Do programa da estreia de O que convém para fortuna das mulheres, com o qual A casa misteriosa fez duplo cartaz, toma-se conhecimento do facto de esta possuir um elemento significativo de paródia. Numa listagem dos seus 19 números lê-se que incluía paródias de um dueto de Norma (de Bellini), de uma ária de Belisario (de Donizetti) e de dois coros de Macbeth (de Verdi), para além de outras paródias sem identificação em forma de dueto e de coro final, este último precedido por um “tercettino caricato”. Intercalados com estes são números “convencionais”, incluindo um romance, uma ária, uma canção militar francesa, duetos, tercetos e conjuntos maiores. O facto de esta comédia chegar a ter 47 récitas, como já se referiu, atesta a sua popularidade. Contudo, nada explica melhor a causa deste sucesso do que a recensão insolitamente desenvolvida que apareceu em O Espectador. Devido ao seu interesse excepcional, especialmente na questão da adequação do texto à música e da música às vozes disponíveis, transcreve-se integralmente a secção pertinente:

“A Caza-mysteriosa não tem menos de dezenove peças de musica, sem contar symphonia e entre-actos: é um alluvião musical que desce do palco sobre os espectadores. E elles deixam-se afogar gostosos por estas ondas d’harmonia, batendo as palmas e gritando bravo! ao author do diluvio musical que os submerge.

E o author merece-o bem: toda esta musica é um ramalhete de flores, espargidas a larga copia pelos duetos, tercetos, quartetos, e finaes de todos os actos. Nota-se n’esta musica singela, ligeira e bonita, certo cunho, e propriedade nos differentes lances que characterizam a obra d’um mestre. O dueto de Lazaro e Agostinho, no 1.º acto, o quarteto e setteminio d’este mesmo acto, e a aria de Simão no 2.º acto, são principalmente as peças onde mais se nota o bom-gosto d’esta musica escripta no sabor d’algumas canções nacionais.

A instrumentação é outra parte notavel; porque com ser ricca e cheia, está tão bem distribuida, e o rythmo musical tão excellentemente travado com o poetico, que a lettra percebe-se inteira, distinguindo-se as palavras syllaba por syllaba; e isto sendo os executores totalmente inscientes na arte musical! Quando esta composição não tivesse tantas outras qualidades porque se distingue, bastaria esta para poder servir de modelo ás outras composições da mesma natureza.

As parodias engastadas na musica original são divertidas, e muito bem aproveitadas em situações oportunas. Tem produzido, sobre todas, o maior efeito a canção franceza, conhecida pela do drim, drim, que o nosso publico já estava costumado a ouvir pelas ruas aos realejos; e cuja execução os variados gracejos do Sr. Theodorico, tem acrescentado um novo motivo para promover applausos.

A musica é do Sr. F. A. N. dos Sanctos Pinto, o mais fecundo dos nossos compositores, e que tendo ja provado o seu talento musical em todos os géneros, abrilhantou ainda a sua coroa artistica com um novo florão, n’este ensaio do musica teatral, para a qual provou com elle uma decidida vocação.

A execução, attendendo á circunstancia que acima notamos, que os cantores, á excepção da Sra. Radicce, são inscientes em musica, não podia ser melhor; distinguindo-se principalmente o Sr. Ribeiro (Lazaro), que debutou n’esta peça, com uma voz de tenor e uma certa maneira de canto, que lhe tem captado muita sympathia. Cinco peças de musica foram bisadas! e em todos os trez finaes foi a companhia chamada ao proscénio, e no ultimo singularmente o illustre compositor, honra que lhe tem sido repetida. Sucesso imenso, extraordinário, de que entre nós não ha exemplo. […]

O Sr. Theodorico, é divertidissimo no papel do mercieiro Thiago. A Sra. Barbara, d’um caricato delicioso parodiando o dueto da Norma. A Sra. Delphina, natural como sempre, desempenha excellentemente o seu papel. O Sr. Carvalho, e todos os mais actores, agrupam-se muito bem á roda d’estas trez principaes figuras, e formam um quadro digno dos pinceis d’Hogarth.” 28

Fig. 5 – Respectivamente Barbara, Ribeiro e Delphina: actuantes em A Casa mysteriosa (desenhos de Raphael Bordallo Pinheiro, in Julio Cesar Machado, Os teatros de Lisboa, Lisboa: Mattos Moreira, 1875, pp. 170, 228 e 211)

Em 1854, foi Santos Pinto nomeado professor de instrumentos de latão no Real Conservatório e, em 1857, maestro director do Teatro de São Carlos. Embora tenha continuado a compor bailados e música cénica nos últimos anos da década de 1850, a sua produção reduz-se necessariamente, sem, contudo, reduzir o frenesim com que continuou a trabalhar. Segundo Ernesto Vieira, foi a perda de duas das suas filhas nestes anos, para cuja manutenção tanto trabalhara, assim como o excesso de trabalho em si, que o levaram a falecer em 1860, com apenas 45 anos de idade.29


Os apêndices

Nos apêndices que se seguem procura-se apresentar uma cronologia fiável para os bailados e teatro declamado para os quais Francisco Santos Pinto forneceu a música. Tanto quanto possível, cada entrada inclui a data de estreia, teatro, título, género, número de actos, coreógrafo/autor do texto e, nas observações, as fontes musicais disponíveis (com a cota na respectiva biblioteca) e, para os bailados, os libretos (e onde se dispõem). Neste último caso, muitas vezes acrescentou-se o elenco, como consta no libreto editado. Quanto ao teatro declamado, foi indicado o número de récitas das peças, conforme registado em Ana Clara Santos & Ana Isabel Vasconcelos, Repertório teatral na Lisboa oitocentista (1835-1846), Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2007, para o Teatro da Rua dos Condes, ou Matos Sequeira (op. cit.), para o Teatro de D. Maria II.

Em alguns casos as datas das estreias foram encontradas/confirmadas em jornais da época, mas a maioria das vezes provêm de fontes secundárias: para os bailados – de Ernesto Vieira (op. cit.), cuja informação corrobora geralmente os dados de Fonseca Benevides (op. cit.); para o Teatro da Rua dos Condes – de Santos & Vasconcelos, que acabámos de referir; para o Teatro de D. Maria II – dos registos do próprio Teatro.

Num número reduzido de casos foram encontradas online informações sobre bailados, através do sítio Almanacco di Gerardo Casaglia: la musica giorno dopo giorno30. A natureza dos dados aí apresentados dá a impressão de ter origem num libreto que não se dispõe na Biblioteca Nacional de Portugal.

Onde existe informação contraditória ou eventualmente duvidosa, foi acrescentada a fonte (numa abreviatura) entre chavetas {}.

Por uma questão de harmonização, a ortografia nos apêndices foi actualizada. Nos elencos, tanto quanto possível, os nomes dos intervenientes foram escritos conforme a ortografia do país de origem, mesmo que surjam nas versões portuguesas no respectivo libreto.


Abreviaturas dos teatros referidos

TCondes           Teatro da Rua dos Condes

TDMII              Teatro de D. Maria II (designação habitual da época)

TNDM II          Teatro Nacional D. Maria II (designação actual)

TSC                   Teatro de São Carlos (designação habitual da época)

Salitre              Teatro do Salitre

Variedades      Teatro das Variedades

Outras abreviaturas e siglas

Alm                Almanacco

BNP               Biblioteca Nacional de Portugal

EV                  Ernesto Vieira

FFB                Francisco da Fonseca Benevides

LA                   Consta da lista autógrafa das obras de Santos Pinto elaborada em 1842

Libr.               Libreto

MS.                 manuscrito

p.a.                  partitura autógrafa

p.c.                  partes cavas

VCini              Veneza, Fundazione Giorgio Cini, Colecção Rolandi


Notas

1 Isabel Maria Dias Novais Gonçalves, A Música teatral na Lisboa de Oitocentos: uma abordagem através da obra de Joaquim Casimiro Júnior (1808-1862). Tese de doutoramento em Ciências Musicais, Universidade Nova de Lisboa, 2012.

2 Ernesto Vieira, Diccionario Biographico de Musicos Portuguezes, Lisboa: Lambertini, 1900, vol. II, pp. 173-184.

3 O Espectador: Jornal dos Theatros e das Philharmonicas, série II, n.º 20, 19 de Janeiro de 1851, pp. 153-55 (esta citação, p. 154). Esta e outras citações preservam a ortografia original.

4 A inauguração realizou-se a 25/10/1845. Nesta ocasião Santos Pinto forneceu música para a ode-cantata A manhã de um belo dia, com texto de José da Silva Mendes Leal. Contudo, o Teatro só entrou efectivamente em funcionamento no ano seguinte.

5 Idem, ibidem.

6 Agradecemos ao Teatro Nacional Nacional D. Maria II a cedência desta imagem, reproduzida aqui com a devida autorização.

7 Francisco da Fonseca Benevides, O Real Theatro de S. Carlos de Lisboa, 2 vols., Lisboa: Typographia Castro Irmão, 1883, 1902; José Sasportes, História da Dança em Portugal, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1970.

8 Era especialmente o caso nos bailados coreografados por St. Léon, que tocava violino (incluindo nos seus bailados) e muitas vezes compunha a música, deixando a Santos Pinto apenas a tarefa da orquestração.

9 Por exemplo, o periódico Jardim das Damas publicou, num suplemento, um arranjo para piano da dança avulsa “Passo hungaro dançado por M.elle Moreno na noite do seu beneficio” de Santos Pinto (Lisboa: Off. L. C. Barão, [1848]), Biblioteca Nacional de Portugal, M.P.P. 34//25 A.

10 Actualmente na posse da Senhora Prof.ª Elisa Lamas. Agradecemos a Rui Magno Pinto por me ter chamado a atenção para o conteúdo deste documento.

11 O Espectador, loc. cit., p. 154.

12 O Espectador, série II, n.º 4, 22 de Setembro de 1850, p. 28

13 Revista dos Espectaculos, N.º 9, 1 de Novembro de 1850, p. 65.

14 Excertos de Narciso à fonte foram executados pela Orquestra Sinfonia B, sob a direcção de César Viana (responsável pela edição usada), no IV Festival Internacional de Música de Mafra, a 5 de Novembro de 2000.

15 Para esta encenação, assim como para outras encenações italianas referidas neste parágrafo, veja-se o respectivo libreto. As bibliotecas onde se encontram são facilmente verificáveis através do catálogo colectivo das bibliotecas italianas: http://www.sbn.it/opacsbn/opac/iccu/free.jsp (última consulta a 10 de Abril de 2016).

16 Segundo Ernesto Vieira, chegou a ser interpretado igualmente em São Petersburgo.

17 Edição em 2 vols., Lisboa: s.n., 1955.

18 Revolução de Setembro, 11 de Março de 1842.

19 Uma folha única, TNDMII M O.10, reproduzida em David Cranmer, Música no D. Maria II: Catálogo da colecção de partituras, Lisboa: Teatro Nacional D. Maria II/Bicho-de-Mato, 2015, p. 193.

20 Lisboa: Off. L. C. Barão, 1848 (disponível na Biblioteca Nacional de Portugal, M.P.P. 34//9 A). Infelizmente, não nos foi possível consultar o periódico em si, devido ao seu mau estado de conservação. No entanto, como resultado do nosso pedido de consulta, foi enviado para futura digitalização. Também se encontra na BNP uma cópia manuscrita do romance, M.M. 676.

21 Lisboa: Off. L. C. Barão, 1849 (disponível na BNP, M.P.P. 34//19 A).

22 Op. cit., vol. II, pp. 785-86. De comédias, Um baile de criados e A casa misteriosa foram as mais populares, ambas com 47 récitas – muito próximos das 50.

23 O Espectador, série II, n.º 10, 3 de Novembro de 1850, p. 75. A recensão na Revista dos Espectaculos, n.º 109, 1 de Dezembro de 1850, pp. 73-74, não refere a música.

24 Uma nova versão de Adolphe de Leuven, Léon-Levy Brunswick & Paul Siraudin, traduzida por José Maria da Silva Leal, que toma como ponto de partida a ballad opera The devil to pay, de Charles Coffey, através da versão francesa Le diable à quatre de Sedaine. Le donne cambiate/As damas trocadas/O sapateiro, de Marcos Portugal, partilha o mesmo enredo.

25 Revista dos Espectaculos, vol. II. N.º 1, Fevereiro [1853], p. 5.

26 Teatro Nacional D. Maria II, Colecção de Partituras, M AF.01.

27 Agradecemos ao Teatro Nacional Nacional D. Maria II a cedência desta imagem, reproduzida aqui com a devida autorização.

28 Série II, n.º 16, 22 de Dezembro de 1850, p. 124.

29 Op. cit., vol. II, pp. 177-78.

30 <http://www.amadeusonline.net/almanacco > (última consulta a 16 de Março de 2016).


Apêndice 1: Cronologia de bailados

Data Teatro Título e género Coreógrafo Elenco Observações
19/10/1838 TSC Adoração do sol (baile) Bernard Vestris LA; referida na carta autobiográfica; BNP (Fundo Teatro S. Carlos) p.c.
29/03/1839 TSC Erkoff ou O boiardo em Madrid (acção mímica em 5 actos e 6 cenas) Luigi Astolfi Nicola Molinari (Erkoff)

Antonio Giuliani (D. Alvaro)

Giuditta Molinari (Branca)

J. M. Carnarin (Affonso)

Isabella Rugalli (Alisa)

Carolina Velluti Scassa (D. Constança)

Antonio Franchi (D. Rodrigo)

Giuseppina Erba (Ursula)

Giuseppe Pessina (Official da Inquisição)

Victorino José de Sousa (Carceireiro)

LA; música do acto I de Giorgio Anglois; dos actos II e III de autor desconhecido; dos actos IV e V de Santos Pinto. BNP (Fundo Teatro S. Carlos) p.c. de trombones, figle, bombo e cordas: Libr. Lisboa: Typ. Lisbonense, 1839 – BNP, VCini
31/05/1839 TSC Nabucodonosor (baile trágico em 6 actos) Passo de Mlle. Clara [Lagoutine] – Mr. Jorck; Pas de 2 do 4.º acto de Mlle. Angelique e Mr. Jorck, composição deste

 

 

Antonio Giuliani (Nabuchodonosor)

Carolina Velluti Scassa (Phenenna)

José Maria da Conceição (Ismael)

Giuseppe Pessina (Zacharias)

Antonio Franchi (O Grão Sacerdote)

Ciriaco Marsigliani (Manasse)

Victorino José de Souza (Chefe dos Levitas)

Giuseppina Erba (Noemis)

Orsola Catti (Abigail)

LA; segundo LA, música do acto I e do bailado do acto II de Santos Pinto; o libreto só refere o acto I como sendo da sua autoria, atribuindo o resto a Giorgio Anglois. BNP (Fundo Teatro S. Carlos) p.c.; Libr. Lisboa: Typografia Lisbonense, 1839 – BNP (2 exemplares)
24/04/1840 TSC Orfeo (Baile mitológico em 3 partes) João Casati João Casati (Orfeo)

M.elle Rabel (Euridice)

José Pessina (Plutão)

Carolina Velluti Scassa (Proserpina)

Maria da Gloria (Amor)

Ciriaco Marsigliani (O Destino)

[N. N.] (Baccho, Caron, As três Parcas, As Doze Horas, As três Graças, Jupiter)

LA (“parte”); autor da música não referido no libreto. Libr. Lisboa: Lisboa: Typografia Lisbonense, 1840 – BNP
30/05/1840 TSC A queda de Ipsara (baile heróico em 6 partes) Luigi Astolfi Nicola Molinari (Miguel Kusaris)

Giuditta Molinari (Aleonice)

Josefina Soller (André)

Antonio Franchi (Panos)

Giuseppe Pessina (O Bacha)

Carolina Casati (Ismene)

Victorino José de Souza (Assan)

Ciriaco Marsigliani (Kienam)

José Maria da Conceição (Zanack)

Não referida na LA; segundo o libreto, a música foi “expressamente escripta pelo Sr. Francisco Antonio Norberto dos Santo [sic] Pinto.” Libr. Lisboa: Typographia Lisbonense, 1840 – BNP (2 exemplares)
24/06/1840 TSC O alfinete (Divertissement em 1 acto) João Casati Antonio Franchi (Eustáquio)

Victorino José de Sousa (Alberto Wells)

João Casati (Frederico)

Maria Emilia Moreno (Alice Stonley)

Carolina Devecchi (Marion Wamba)

Giuseppina Erba (Elissa)

N. N. (Um notaro)

LA (“parte”); autor da música não referido no libreto. BNP (Fundo Teatro S. Carlos) p.c., parte de tromba 1.ª rubricada “FANSPinto” e datada de 1840; Libr. Lisboa: Typographia de M. J. Coelho, 1840
15/11/1840 TSC Dionísio o tirano ou O terremoto de Siracusa (baile heróico-histórico em 5 actos) Luigi Montani Nicola Molinari (Dionisio, Rei)

José Maria da Conceição (Dionisio, filho)

Giuseppe Pessina (Dione)

Giuditta Molinari (Areta)

Victorino José de Souza (Adrasto)

Júlia Gesualdi (Eritea)

António Romão (Mesippo)

Ciriaco Marsigliani (Damove)

Antonio Franchi (Sacerdote)

LA; autor da música não referido no libreto. Libr. Lisboa: Typographia Lisbonense, 1840 – BNP

 

6/12/1840 TSC A Coroa de Ariadne (bailete mitológico 2) Francisco Jorck Ballerine: Angélique Adock, Orsola Catti, Michelina Devecchi, Clara Lagoutine, Giuditta Molinari, Maria Emilia Moreno, Fanny Rabel, Isabella Rugalli, Josefina Soller e Carolina Augusta Velluti Scassa; ballerini: Francisco Jorck, Théodore Chion, José Maria Conceição, Nicola Molinari, Gaetano Neri, Victorino José de Sousa, Antonio Franchi e Luigi Fidanza LA; BNP p.a. C. N. 2 & p.a. M.M. 344//6, que fornece a data da estreia; elenco {Alm}
6/01/1841 TSC Telémaco na ilha de Calipso (bailete mitológico em 3 quadros) Francisco Jorck

 

Júlia Gesualdi (Calypso)

Gaetano Neri (Telemaco)

Giuseppe De’Steffani (Minerva)

Carolina Devecchi (Eucharis)

Maria Josefa (Venus)

Adelaide Ju[s]tina (Cupido)

LA (“parte”); autor da música não referido no libreto. Libr. Lisboa: Typographia do Gratis, [1841] – BNP
12/04/1841 TSC O Anel encantado (bailado 3) Francisco Jorck Ballerine: Orsola Catti, Carolina Devecchi, Michelina Devecchi, Carolina Filippini, Maria Josefa Gambetta, Júlia Gesualdi, Giuditta Molinari, Maria Emilia Moreno, Francesca Farina Rega, Giuditta Rugalli, Isabella Rugalli e Josefa Soller; ballerini: Gaetano Neri, Francisco Jorch, Antonio Franchi, Ciriaco Marsigliani, Romão António Martins, Giuseppe Pessina, Victorino José de Sousa, Giuseppe Villa; e mimo: Giuseppe Devecchi LA; BNP com o título “L’anello” p.a. F.C.R. 164//16, (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c., parte de tromba 1.ª rubricada “FANSPinto” e datada de 1840; elenco {Alm}
10/07/1841 TSC A Força do destino (Baile mitológico em 4 actos) Francisco Jorck Nicola Molinari (Emo)

Giuditta Molinari (Rodopea)

Giuseppe Devecchi (O Destino)

N. N. (Génio do bem)

José Pessina (Um sacerdote)

LA; autor da música não referido no libreto. Libr. Lisboa: Typographia do Gratis, 1841 – BNP
3/11/1841 TSC Narciso e a bela náiade que se adoram {Libr.} / Narciso à fonte {restantes fontes} (bailete mitológico em 2 actos) Francisco Jorck Júlia Gesualdi (Venus)

Maria Nogueira (Nemesis)

As três Graças: Josefina Soller, Mlle. Devecchi, Maria Emília Moreno

Maria da Gloria (Amor)

Maria Luísa (Hymeneo)

Gaetano Neri (Narciso)

Carolina Devecchi (Echo)

LA; BNP p.a. & p.c. C.N. 2; Libr. Lisboa: Typografia do Gratis, 1841 – BNP

 

22/06/1842 TSC O Lago das fadas (baile em 4 actos) Francisco Jorck Giuseppe Pessina (Conde Rodolpho)

Júlia Gesualdi (Julieta)

Giuseppe Devecchi (Augusto)

Carolina Filippini (Flora)

LA; segundo o libreto, “A musica foi expressamente escripta pelo Sr. Francisco Antonio Pinto”; BNP (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c., parte de tromba 1.ª rubricada “FANSPinto”; Libr. Lisboa: Tipografia do Gratis, 1842 – BNP
21/09/1842 TSC Os Cuscos e os Quitos (baile trágico em 3 actos) Francisco Jorck Nicola Molinari (Villuma)

Júlia Gesualdi (Elina)

Giuseppe Devecchi (Masibé)

Ciriaco Marsigliani (Zarete)

LA; BNP p.a. (acto 2) C.N. 2, (Fundo Teatro S. Carlos) p.c., parte de tromba1.ª rubricada “FANSPinto” e datada de 1842; Libr. Lisboa: Typographia do Gratis, 1842 – BNP (2 exemplares)
14/11/1842 TSC A Flauta mágica (?) LA (“parte”); segundo Benevides, “executada pelos discípulos do Conservatorio, em beneficio da dama Perelli” (pág. 196)
15/12/1844 TSC O Diabo amoroso (baile em 4 actos) BNP com o título Le Diable amoureux p.a. C. N. 2, (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c., parte de tromba rubricada “FANSPinto”
1843-45 Vários “entreactos e bailados” {EV} BNP p.a. M.M. 268// série
12/12/1845 TSC Palmina ou A Ninfa do rio Orbe (baile mágico-fantástico em 3 actos e 5 quadros) Théodore Martin Antonio Franchi (Jones Peters)

Luísa Rosa (Maria Peters)

Júlia Gesualdi (Donato Julio)

Gesuina Schira (Morganda)

Luigi Fidanza (Almanzor)

Luísa Zimmann Martin (Palmina)

Segundo o libreto, “A musica foi expressamente composta pelo Sr. Francisco Antonio Norberto Santos Pinto”; BNP (Fundo Teatro S. Carlos) p.c., parte de tromba rubricada “FANSPinto” e datada de 12/12/1845; Libr. Lisboa: Typographia de P. A. Borges, 1845 – BNP; reposição Milão, Scala Carnaval 1852/53, com música atribuída a Santos Pinto {Libr}
23/01/1846 {folheto}

Carnaval de 1846 {Libr}

TSC As modistas (bailete de meio carácter em 2 actos) Théodore Martin Luigi Fidanza (Bernardino)

Júlia Gesualdi (Eloisa Minete)

Jovens modistas:

Michelina Devecchi (Henriqueta), Palmira Santi (Elisa), Gesuina Schira (Luísa), Giuseppina Erba (Adele).

Amantes destas modistas:

Achille Polleti (Narciso, francês), António Romão (Plumpudding, inglês), Giuseppe De’Steffani (Kurtoffel, alemão),

J. Ribeiro (Malapaga, diretor dos teatros),

Ciriaco Marsigliani (Poeta),

Luísa La Rose (Babet),

N.N. (um jockey)

Data de estreia 23/12/1845 {FFB & EV} equivocada; conforme o libreto, “ Música de “Sr. Francisco Antonio Norberto dos Santos Pinto”; BNP (Fundo Teatro S. Carlos) folheto; Libr: Lisboa: Typographia de P. A. Borges, 1846 – BNP (4 exemplares)
19/03/1846 TSC Emeth (Grande baile fantástico-egipciano em 6 actos e 6 quadros) Théodore Martin Ciriano Marsigliani (Tepistras)

Gesuina Gesualdi (Nefte)

José Maria da Conceição (Athor)

Luísa La Rose (Semele)

Joaquim Coelho (Osiris)

Luísa Zimmann Martin (Emeth)

Segundo o libreto, “A musica foi expressamente excripta pelo sr. Pinto”, exceto o “1.º Acto – Dança árabe, executada pelo corpo dos bailarinos. – O motivo desta dança foi extraído da Ode Sinfonia de Feliciano David, intitulada o Deserto”. BNP (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c., parte de tromba 1.ª rubricada “FANSPinto”; Libr. Typographia de P. A. Borges, 1846 – BNP (3 exemplares)
10/02/1847

Carnaval de 1847 {Libr}

TSC Os Estudantes em férias (bailete cómico em 2 actos) Théodore Martin Giuseppina Erba (Baronesa de Melval)

João Ribeiro (João-João)

José Ribeiro (Matreiro)

Luísa La Rose (Delorme)

Maria Emilia Moreno (Niceta)

Gesuina Gesualdi (Félix, estudante sobrinho de Mme. Melval);

Jovens estudantes colegas de Félix:

Jesuina Schira (Victor), Giuditta Rugalli (Frederico), Sra. Polleti (Adolfo), Maria do Carmo (Leão), Sra. Henriqueta (Júlio), Sra. R. de S. José (Adriano), Paulina Nunes (Carlos)

Joaquim Coelho (Um Tabelião)

Segundo o libreto, a música é de “Sr. Santos Pinto” e o Passo a três foi desempenhado pelas Senhoras Martin, Moreno e Michellina (só Moreno está referida no elenco principal); BNP (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c.;  Libr: Typographia de P. A. Borges, 1847 – BNP (2 exemplares)
6/02/1848

{p.c.}

9/02/1848 {FFB}

TSC Branca Flor (5 actos) Argumento de José da Silva Mendes Leal; Lorenzo Vienna BNP (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c., parte de tromba 1.ª rubricada “FANSPinto”;
5/2/1850 TDMII O Boleto ou O Regedor d’aldeia Ciriaco Marsigliani
4/04/1850 TDMII “A solo di Flora” (ballabile) TNDM II p.c. M AU.04, data no MS.
12/09/1850 TDMII Baile em carácter TNDM II p.a. M BA.07, data no MS.
16/09/1850 TDMII Himeneu de Tedida [Tétide] e Cloé (bailete fantástico em 1 acto e 2 quadros) Ciriaco Marsigliani Integrou a Grande gala para o aniversário natalício [13 anos] do Príncipe Real [D. Pedro]
21/03/1852 TSC Alcindor ou o órfão d’aldeia (baile fantástico em 9 quadros) Valentino Cappon António Moreira (O Príncipe das Ilhas afortunadas)

António José de Faria (Golo)

Bernardo da Silva (Nicodemos)

Antonio Franchi (Anselmo)

Sra. Romilda (Adriano)

Sra Cappon (Susette)

Sophia Constanza (Alcindor)

Amelia Perpetua (Princesa)

Luísa La Rose (Melusina)

Genoveva Monticelli e Valentino Cappon (Príncipe e Princesa dos Silfos) [ordem sic]

Amélia da Conceição (Um pequeno Silfo)

Segundo o libreto, a música é de “Sr. F. N. dos Santos Pinto”; BNP (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c., parte de tromba 1.ª rubricada “FANSPinto” e datada de 21/03/1852; Libr. (com o segundo título) Lisboa: Typ. Elias José da Costa Sanches, 1852 BNP (3 exemplares)
5/12/1852 TSC Zaida ou Os dois génios (baile fantástico em 3 quadros) Domenico Segarelli Paulo Devecchi (Aga-Rackshid-Orama)

António José de Faria (Ircan-Ali)

Bernardo da Silva (Maroveno)

Genoveva Monticelli (Zaida)

Valentino Cappon (Pereo)

Sophia Constanza (Ariel)

Domingos Segarelli (Belfegor)

Segundo o libreto, “A musica do baile, á exceção do passo a dois do 3.º Quadro, é composta pelo sr. Francisco Norberto dos Santos Pinto.”; BNP (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c., parte de tromba 1.ª rubricada “FANSPinto” e datada de 5/12/1852; Libr. Lisboa: Typ. de Elias José da Costa Sanches, 1852 – BNP (2 exemplares)

 

22/01/1853 TSC As mulheres ciosas (baile jocoso em 3 actos) Domenico Segarelli Sofia Costanza (D. Laura)

Paulo Devecchi (D. Samuel)

Marietta Vicentini (D. Eufonia)

Antonio José de Faria (D. Gaspar)

Domingos Segarelli (Gris-Gris)

Luísa La Rose (D. Pantasilca, donzela de 70 anos)

Michelina Devecchi (Júlia)

José Ramos (Um criado)

Libr. Lisboa: Typ. de Elias José da Costa Sanches, 1853 – BNP
29/10/1853 TSC Os ciganos (baile em 2 actos) Domenico Segarelli, com Pedro Massot (Passos a 3 e 2) Paulo di Vecchi (Príncipe de Kartberg)

Michelina Di Vecchi (Ema)

Bernardo da Silva (Adolfo)

José Ribeiro (Capitão das Guardas)

António Moreira (Ugo)

Domingo Segarelli (Vormos)

Augusta Dominichettis (Gina, a Valerosa)

Pedro Massot (Todo-fogo)

António José de Faria (Sem-descanso)

p.a. (com o título I zingari)  BNP C.N. 456; data exata {Alm}; segundo o libreto, “A musica da dança, á excepção do passo a dois e passo a três, foi expressamente escrita pelo (maestro) Sr. F.A. Norberto dos Santos Pinto”. BNP (Fundo Teatro S. Carlos) p.c., parte de tromba 1.ª rubricada “FANSPinto” e datada de 29/10/1853; Libr. Lisboa: Imprensa Silviana, 1853 – BNP (3 exemplares)
12/01/1855 {p.c.}

05/12/1855 {FFB}

TSC O Duende do vale (baile em 2 actos e 3 quadros) Arthur Saint-Léon Arthur St. Léon (O duende do vale)

António Moreira (O conde Ulric de Wollenstein)

José Ramos (Hans Storf)

Sr. José Ribeiro (Ambrósio)

Romão António Martins e Joaquim Coelho (dois Magiares)

Sra. Gambet (Condessa de Wollenstein)

Luísa La Rose (Brígida)

Sra Marmet (Teresa)

Élise Fleury (Katti)

Segundo o libreto, “Várias peças de música do 1.º acto foram instrumentadas pelo Sr. Pinto”. BNP (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c., parte de tromba 1.ª rubricada “FANSPinto” e datada de 8 [sic]/01/1855; Libr. Lisboa: Typ. de Elias José da Costa Sanches, 1855 – BNP (2 exemplares)
09/05/1856 TSC Meteora ou As estrelas [cadentes {FFB}] (baile fantástico em 2 actos e 3 quadros) Arthur Saint-Léon Arthur St. Léon (Jorge Flys)

Hypolite Monet (William Flys)

Lélie Navarre (Betly)

Maria Emília Moreno (Mary)

Hortense Tarandon (Low)

Élise Fleury (Meteora)

Palmyre Andrew (Estrela da Manhã)

Rosalie Lequine (Estrela Fugitiva)

Estrelas da noite: Maria Emília Moreno, Alexandrine Leblonde, Hortense Tarandon, Lélie Navarre

Segundo o libreto, “A musica foi instrumentada pelo Sr. Santos Pinto”. BNP (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c., parte de tromba 1.ª rubricada “FANSPinto” e datada de 9/05/1856; Libr. Lisboa: Typ. de Elias José da Costa Sanches, 1856 – BNP
18/04/1856 {p.c.}

20/04/1856

{FFB}

TSC Os saltimbancos ou O processo do fandango (baile em 2 actos e 4 quadros) Arthur Saint-Léon

 

Sr. Ribeiro (Van Loo)

Hypolite Monet (O Juiz)

Alexandrine Leblonde (a sua esposa)

Sr. J. Grime (um oficial)

Saltimbancos:

Arthur St. Léon (Fandangero), Adrien Gredelue (Trilboro), Élise Fleury (Mariquita),

Palmyre Andrew (Rosita), Rosalie Lequine (Nena), Lélie Navarre (Concha), Mlle. Luísa (Nineta), Mlle. Antónia (Almaviva)

Segundo o libreto, “A musica foi instrumentada pelo Sr. Santos Pinto”; BNP (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c., parte de tromba 1.ª rubricada “FANSPinto” e datada de 1856; Libr. Lisboa: Typ. de Elias José da Costa Sanches, 1856 – BNP
1857 Santos Pinto nomeado maestro do TSC
30/03/1857 TSC A Escrava ou le paradis de Mahomet (“pequeno baile”) Hyppolite Monplaisir BNP (Fundo Teatro S. Carlos) folheto e p.c., parte de “clarins” rubricada “FANSPinto” e datada de 30/03/1857; na f. 3r do folheto (página de rosto) consta “Le Paradis de Mahomet ballet mort avant d’avoir été representé [acrescentado a lápis: “A Escrava”] Transformado em pequeno baile em virtude de casos fructuitos [sic, u seja, “fortuitos”] = indo finalmente á scena no dia 31 [sic] de Março de 1857 = Lisboa”
15/03/1858 {folheto} TSC A Ilha dos amores (baile em 4 quadros) Hyppolite Monplaisir BNP folheto C.N. 443, onde consta “Muzica de F. David, Auber, S.tos Pinto. etc.  Composto espressamente para Beneficio de M.de Belline [Emilia Bellini]”, (Fundo S. Carlos) p.c (apenas cordas); reposições em Itália, todas com música atribuída a Santos Pinto {respetivo Libr}: Milão, Scala Outono 1861, Roma, Apollo Carnaval 1862/63, Nápoles, S. Carlo Inverno 1863, Turim, Regio Carnaval 1865/66, Florença, Accademici Immobili Quaresma 1866, Milão, Canobbiana Primavera 1866, Palermo, Bellini 1867/68, Florença, Rossini Outono 1869, Veneza, Fenice Carnaval e Quaresma 1870/71

Apêndice 2: Teatro declamado

Estreia Teatro Título e género Autor do texto N.º de récitas Observações
27/9/1840 TCondes O Manequim (comédia 1) desconhecido 1 p.a. BNP M.M. 1215; p.c. TNDM II M T.06
30/01/1841 TCondes Casimiro e Pedrinho ou os filhos do soldado (comédia 2) desconhecido 4
6/03/1841 TCondes A Degolação dos inocentes (drama 5) desconhecido 15 p.c. TNDM II M J.08
9/03/1842 TCondes O Alfageme de Santarém ou a espada do Condestável (drama 5) Almeida Garrett 15 p.c. TNDM II M O.10 (apenas uma folha da parte de violeta)
29/10/1844 TCondes A Rainha e a aventureira (drama histórico nacional 5) A. Augusto Correia de Lacerda 14
25/01/1845 TCondes Praia dos naufrágios (drama 4) José da Silva Mendes Leal 7 p.a. BNP M.M.1776; p.c. TNDM II M I.15
31/07/1845 TCondes O Tributo das cem donzelas (drama 5) Alboise du Pujol & J.-E. Lopez, trad. José da Silva Mendes Leal 39 Título alternativo: O tributo das cem virgens. p.c. TNDM II M Q.01
29/10/1845 TDMII A Manhã de um belo dia (ode cantata) José da Silva Mendes Leal “para solemnisar a inauguração do Theatro de TNDM II” {EV}
19/05/1846 TDMII Madalena (drama 5) Anicet Bourgeois & Albert 18 p.c. TNDM II M F.10
22/08/1846 TDMII O Conde Julião ou a torre maldita (drama 4) desconhecido 5 p.c. TNDM II M X.04
30/08/1846 TDMII O Escoveiro no Lazareto (farsa 1) desconhecido 2 Texto cénico (TNDM II TC 150.04) confirma a presença de música.
27/12/1846 TDMII Os Amores de um fidalgo (comédia 3) desconhecido 3 p.a. BNP M.M. 984; TNDM II p.c. M V.06
5/04/1847 TDMII Gonçalo Hermingues ou o Traga-mouros (drama 5) Jacinto Heliodoro de Faria Aguiar Loureiro 4 Texto cénico (TNDM II TC 031.1) confirma a presença de música, incluindo um baile
3/05/1847? TDMII? A Noite de Santo António (?) desconhecido ? p.c. TNDM II M AK.03. Conforme os registos do TNDM II, não houve qualquer récita no Teatro em Maio de 1847. Na parte de violino I consta, na capa, a data de 3/5/1847 e nas deixas a lápis refere os actores Teodorico e Bárbara, dois membros da companhia deste Teatro nos primeiros anos. A peça tinha pelo menos 3 actos.
1/08/1847 TDMII As Ruinas de Vaudemont (drama 4) Auguste-Louis-Désiré Boulé & Aristide Letorzec, dit Lajariette, trad. João Batista Ferreira 4 p.a. BNP M.M. 985; texto (TNDM II TC 023.06) aprovado pelos censores a 26/08/1845 para uso no Teatro da Rua dos Condes
19/09/1847 TDMII Os dois Carabineiros (comédia 3) desconhecido 14
31/10/1847 TDMII O último Dia de um arraial em Loures (comédia 1) Francisco Xavier Pereira da Silva 24 p.a. BNP M.M. 293//2, p.c. TNDM II M Z.03; Os dois títulos O último dia de um arraial de saloios e O moleiro de Loures dizem respeito a esta comédia
06/03/1848 TDMII O Diabo a quatro (bruxaria 3) Adolphe de Leuven, Léon-Levy Brunswick & Paul Siraudin, trad. José Maria da Silva Leal 33 p.c. TNDM II M AG.02
25/04/1848 TDMII Filho do Diabo, ou os três homens vermelhos (drama 5) Trad. José Maria da Silva Leal 4 p.c. TNDM II M O.06
31/07/1848 TDMII O Alcaide de Faro (drama histórico 5) Joaquim da Costa Cascais 42 p.a. TNDM II M AC.01; Bailado de carácter p.a. BNP M.M. 1741
3/12/1848 TDMII João Baptista ou o Coração de ouro (drama 5) desconhecido 22 p.a. BNP M.M. 268//15; p.c. TNDM II M L.03
10/02/1849 TDMII As três Cidras do amor (comedia fantástica 4) José da Silva Mendes Leal 13 p.a., p.c. TNDM II M N.02; p.a. BNP M.M. 5026 (excerto)
14/03/1849 TDMII Um Baile de criados (comédia 1) Joaquim da Costa Cascais 47 p.c. TNDM II M AG.04
31/07/1849 TDMII O Templo de Salomão (drama [bíblico] 7) José da Silva Mendes Leal 65 p.a., p.c. TNDM II M Q.02; p.a. BNP M.M. 293//10 (excerto)
2/01/1850 TDMII Aldina (tragédia 1) José Maria da Silva Leal 3 p.c. TNDM II M O.09
8/01/1850 TDMII O Mineiro de Cascais (comedia 1) Joaquim da Costa Cascais 28 p.a. BNP M.M. 2547

 

6/02/1850 TDMII O Estrangeirado (comédia 1) Joaquim da Costa Cascais 13 p.c. TNDM II M AV.10 (contradança e valsa)
31/07/1850 TDMII O Conde de Sta. Helena (drama 5) Charles Desnoyer & Eugène Nus; Sá Viana {EV} 4 p.c. TNDM II M NA.09
29/10/1850 TDMII O Cavalheiro d’Essone (comédie-vaudeville 3) Charles Dupeuty & Anicet Bourgeois 14 p.c. TNDM II M U.09
3/12/1850 TDMII A Odalisca (comédia 2) Mélesville & Xavier Boniface Saintine; Silva Leal {EV} 2 p.c. TNDM II M AF.03
8/12/1850 TDMII A Casa misteriosa (comédia 3) José Romano {EV} 47 p.a. BNP M.M. 1807
23/02/1851 TDMII A Fada de Frith (comédia fantasia/comédia mágica 2) desconhecido 30 p.c. TNDM II M AG.03
24/04/1851 TDMII A Campainha do Diabo (drama 5) José Maria da Silva Leal, baseado em Mémoires du diable, de Frédéric Soulié 13 p.a. Armonia e coro BNP M.M. 2616; estreia anunciada para 22/04 mas terá sido adiada para o dia 24
21/02/1852 TDMII As Raridades (comédia 1) desconhecido 8
31/07/1852 TDMII A Profecia ou a queda de Jerusalém (drama 5) José d’Almada e Lencastre 69 p.a. BNP M.M. 222; p.c. TNDM II M AO.1, AP.1, AQ.1
16/01/1853 TDMII O que Convém para a fortuna das mulheres (comédia 3) desconhecido 5 p.c. TNDM II M V.07
22/01/1853 TDMII O Teatro e os seus mistérios (comédia 3) desconhecido 7
22/04/1854 TDMII Taconnet (comédia-drama 5) Antony Béraud & Clairville 6 p.a. BNP M.M. 745; TNDM II p.c. M H.10
17/07/1854 TDMII A Guardadora de perus (comédia) Armand d’Artois & Edmond de Biéville 10
31/01/1857 TDMII Melodrama dos melodramas ou Fígados de tigre (Disparate carnavalesco 4) Francisco Gomes de Amorim 11 p.c. TNDM II M AJ.01
14/071857 TDMII A Domadora de feras (comédia 1) Luiz Augusto Palmeirim 5 p.a. BNP M.M. 268//17; p.c. BNP M.M. 211; p.c. TNDM II M I.02
06/08/1857 TDMII A Chávena quebrada (comédia 1) Luiz Vasconcellos de Azevedo e Silva 10 p.a. BNP M.M. 1777; p.c. TNDM II M V.04
23/08/1857 TDMII O Filho prodigo (drama 5) José da Silva Mendes Leal 6 p.a. BNP M.M. 268//16; p.c. TNDM II M I.01
16/09/1857 TDMII Fomos grandes ou Os portugueses na Índia (drama 5) Augusto César de Lacerda 8 Abertura p.a. BNP M.M. 1049; p.a. BNP M.M. 437; p.c. TNDM II M AC.02
3/12/1857 TDMII Uma Declaração às escuras (comédia 1) desconhecido 7 p.a., p.c. TNDM II M AC.07
14/01/1858 TDMII O Maestro Favilla (drama 3) Georges Sand, trad. Ernesto Biester 2 p.c. TNDM II M AA.07
20/05/1858 TDMII A Pedra das carapuças (drama de costumes 4) Joaquim da Costa Cascais 6
1859 Variedades Os Mártires da Germânia (drama sacro 3) José Romano ? Edição impressa Lisboa: Escriptorio do Theatro Moderno, 1859 – TNDM II FG 12879, FG 12091

 

Obra não confirmada

Estreia Teatro Título e género Autor do texto N.º de récitas Observações
7/10/1847 {EV} Salitre {EV} Os sete Infantes de Lara (drama 5) Félicien Mallefille 5 Este drama foi encenado originalmente a 10/08/1839 no Teatro da Rua dos Condes. Teve 5 récitas. Edição impressa Lisboa: na Typ. Carvalhense, s.d. [1841?] confirma a presença de música, sem indicação do seu autor – BNP P.P. 22576 V., TNDM II FG 3181

artigo pertencente a colectânea dedicada a F. Santos Pinto

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