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Música portuguesa em viagem BRASIL 2014

Edward Luiz Ayres d'Abreu
3 mins de leitura

Um festival de sons. Um diálogo intemporal através da revitalização de um surpreendente património musical, parte dele esquecido em arquivos históricos… Uma embaixada, através da revista glosas, representando o que de melhor se faz na actualidade da música portuguesa.

A digressãoMúsica portuguesa em viagem”, pelo seu âmbito e pela sua dimensão, foi uma iniciativa inédita: levou a seis capitais de estado brasileiras – Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro – uma grande panorâmica sobre a música de tradição erudita ocidental de compositores portugueses, num total de doze concertos e cinco conferências entre 13 e 31 de Março passado.

A soprano Ana Paula Russo, convidada especial desta digressão, foi acompanhada na viagem pelos jovens pianistas Duarte Pereira Martins e Philippe Marques e pelo quarteto d’arcos do Ensemble MPMP, constituído por Daniel Bolito (violino I), João Vieira de Andrade (violino II), Amadeu de Resendes (violeta) e Catarina Gonçalves (violoncelo).

A programação incluiu o lançamento de um CD (Mosaic, de João Pedro Oliveira) e diversos concertos para quarteto d’arcos, canto e piano, piano solo e piano a quatro mãos, com música de mais de vinte compositores portugueses – desde o barroco Carlos Seixas até aos contemporâneos, passando pelos clássicos (destaque para João Domingos Bomtempo), românticos e modernos (destaque para Fernando Lopes-Graça).

Maioritariamente em estreia no Brasil, as obras foram apresentadas em algumas das mais importantes universidades brasileiras e prestigiados auditórios como o Centro Cultural São Paulo e a Academia Brasileira de Música.

As conferências debruçaram-se sobre os desafios que se colocam à produção e circulação da música erudita dos países de língua portuguesa, fazendo ao mesmo tempo um panorama histórico sobre as relações musicais luso-brasileiras e divulgando a revista glosas, cujo décimo número, em que participaram diversas personalidades dos meios musicais brasileiro e português, tinha acabado de ser lançado.

Um dos pontos altos da digressão foi certamente a gravação de 50 (cinquenta!) minutos de música portuguesa para o programa Partituras, da TV Brasil, que foi transmitido em horário nobre, a um Domingo, e depois disponibilizado em-linha… (Dou por mim a imaginar a mera possibilidade de um canal de televisão português fazer o mesmo… e pergunto-me se estarei a ficar senil…)

A digressão foi, para todos os participantes – e, cremos, para os diferentes públicos – uma experiência gratificante e enriquecedora. Há, verdadeiramente, muito a perder com a falta de contacto entre os países de língua portuguesa: somos mais próximos do que supomos e, sobretudo, partilhamos uma língua que deveria tornar muito mais facilmente consequente e promissora a satisfação de uma saudável curiosidade mútua.

Uma viagem a jamais esquecer, e a repetir, sem dúvida, assim que tal empreendimento nos for novamente possível. Por agora, deixamos aqui, nas páginas seguintes, algumas notas de viagem, restando-nos agradecer profundamente a todos os que possibilitaram a realização desta digressão, a todos os que tão calorosamente nos receberam, e a todos os que foram acompanhando, à distância, esta nossa encantadora aventura tropical…

Publicado na Glosas 11, p.27.

Fotografia: Tatiana Bina

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