Lançada campanha para a recolha de memórias e materiais documentais relacionadas com a meio-soprano Stella Tavares (1913–1995)
A campanha «Quem viu Stella Tavares?» apela ao envio de «fotografias, gravações, programas de sala, cartas e recortes de imprensa relacionados com Stella Tavares», através de um formulário on-line.
A campanha integra o projecto de investigação «Aquela Moça», que pretende reconstruir a história da cantora. Trata-se de uma iniciativa de Margarida Maia, mestranda em Artes Musicais e investigadora no Centro de Estudos em Música (CESEM) da Universidade Nova, co-produzida pelo mesmo centro e pelo Museu Nacional da Música.
Stella Tavares foi uma cantora com uma carreira internacional, aclamada pela crítica. Nasceu a 21 de Agosto de 1913 em Lourenço Marques, hoje Maputo (Moçambique). Irmã da escritora Salette Tavares e filha de emigrantes da Covilhã, mudou-se ainda em criança para Portugal, onde veio a concluir os estudos no Conservatório Nacional com 20 valores. Stella Tavares construiu uma sólida carreira como meio-soprano. Reconhecida pela imprensa, terá recebido vários elogios públicos, inclusive da reputada música e professora parisiense Nadia Boulanger (1887–1979). Sabe-se que, ao longo da sua carreira, Stella Tavares interpretou repertório ibérico, contribuindo assim para a visibilidade de diversos compositores portugueses. Apesar do sucesso da cantora, como afirma Margarida Maia, «a sua história não chegou completa até nós.»
A organização do projecto de investigação explica que o nome escolhido «remete para Aquela Moça, título de uma canção de Luiz de Freitas Branco interpretada por Stella Tavares em Paris, em 1946. Hoje, o título assume um novo significado: devolver voz não apenas a Stella Tavares, mas também às muitas mulheres cujo contributo permanece ausente da história da música.»
Os contributos recolhidos na campanha poderão servir para integrar algumas iniciativas deste projecto, entre as quais a digitalização do espólio fonográfico, um recital e uma exposição, com curadoria da investigadora. Margarida Maia impulsionou a celebração de uma parceria com o Museu Nacional da Música para a digitalização do espólio fonográfico da cantora, já concluída, e a respectiva disponibilização pública através da mediateca do Museu. O recital para meio-soprano e piano, intitulado «Aquela Moça», será dedicado a repertório ibérico e já tem data marcada para 16 de Abril de 2027, Dia Mundial da Voz.
Imagem: Stella Tavares, por Boris Lipnitzki (Paris)