Mais um (novo) Estado da Nação

A Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música apresenta hoje, pelas 19h30, o concerto Rito da Primavera, mais um dedicado exclusivamente à apresentação de obras de compositores portugueses e incluído no ciclo Estado da Nação. Poder-se-á ouvir música de Carlos Lopes em estreia absoluta (Epóxi, para orquestra), mas também os Six Portraits of Pain de António Pinho Vargas, com o violoncelista Lucas Fels, e a Sinfonieta (Homenagem a Haydn) de Fernando Lopes-Graça.

A direcção musical ficará a cargo de Pablo Rus Broseta, que destaca a particularidade de se poder “pôr em perspectiva estas três visões sobre a música portuguesa”. Com efeito, estas três obras foram escritas em momentos bastante distintos da vida cultural do país (2021, 2005 e 1980, respectivamente), abarcando assim cerca de 40 anos de composição em Portugal.

Os concertos Estado da Nação foram iniciados em 2015, na celebração do décimo aniversário da Casa da Música, tendo no seu início integrado obras dos compositores que tinham sido nomeados como Jovem Compositor em Residência da instituição no período entre 2007 e 2014. À época, escrevia-se que o ciclo pretendia ser “simultaneamente um balanço do programa e uma forma de aferir o Estado da Nação, ou como soa afinal a música da mais jovem geração de compositores em Portugal”. Este desígnio manteve-se até hoje de forma regular, abarcando cada vez mais obras e compositores de diferentes gerações e geografias, num ciclo que, pela sua constância e dimensão, se vem afirmando como um dos mais importantes no espaço contemporâneo português.

PODCAST | Identidades (10/2020)

Desde há alguns meses tem sido possível ouvir, no último Domingo de cada mês, o novo podcast Glosando pela música da lusofonia, um programa da revista Glosas com transmissão em directo na rádio-café Lusophonica, no Farol de Santa Marta, em Cascais.

A glosas.mpmp.pt relembra agora a quarta emissão, transmitida a 25 de Outubro, pelas 10h, com o maestro convidado Jan Wierzba. Partindo do mote “Identidades”, Jan explorou a dualidade Polónia-Portugal através dos compositores Joly Braga Santos, Cláudio Carneyro, Constança Capdeville, Sopa de Pedra, entre muitos outros. (Ver alinhamento completo abaixo)

A edição encontra-se disponível no canal MixCloud da Lusophonica. Se não teve oportunidade de ouvir, poderá fazê-lo através deste link.


Natural da Polónia e educado no Porto, Jan Wierzba é director artístico e maestro titular da Orquestra Clássica do Centro e da Orquestra de Câmara de Almada, bem como maestro assistente da Orquestra Filarmónica dos Países Baixos, em Amesterdão. Integra a direcção do MPMP enquanto director artístico do Ensemble MPMP, trabalhando activamente pela promoção da música erudita portuguesa de todas as épocas. Enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, terminou o mestrado em Direcção na Royal Northern College of Music (RNCM), onde estudou com Clark Rundell e Mark Heron. Licenciou-se em Direcção de Orquestra na Academia Nacional Superior de Orquestram sob a tutoria do maestro Jean-Marc Burfin. É licenciado em Piano pela Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo no Porto, na classe de Constantin Sandu.


 

Alinhamento

 

Joly Braga Santos (1924-1988), Concerto para Cordas em ré maior

Cláudio Carneyro (1895-1963), Portugalesas n.º 3 (Malpica) e n.º5 (Malhão e Senhora do Almurtão) (da obra Portugalesas)

Constança Capdeville (1937-1992), Libera Me
Jorge Matta, direcção
Opus Ensemble
Coro Gulbenkian

Rabih Abou-Khalil (1957-), Amarrado à Saudade; No mar das tuas pernas; Assim já não dá
Ricardo Ribeiro, voz
Luciano Biondini, acordeão
Michel Godard, tuba
Jarrod Cagwin, percussão

Sopa de Pedra, Adeus ó Serra da Lapa

Eurico Carrapatoso (1962-), Chorinhos I e II
Ana Beatriz Manzanilla, direcção
Camerata Atlântica

Filipe Faria (n. 1976); Sérgio Peixoto (n. 1974), Triste vida vivyre (do álbum Diásporas.pt)
Trad. Macau, Bastiana (do álbum Diásporas.pt)
Joaquim António da Silva Calado (1848-1880), Flor Amorosa (do álbum Diásporas.pt)
Sete Lágrimas

L’herbe folle, Não faz mal

 

Maratona Ópera XXI: concurso para novas árias

Estão abertas até 30 de Abril as candidaturas de um concurso para novas árias no âmbito da “Maratona Ópera XXI 2021”, promovida pelo festival OPERAFEST LISBOA. Trata-se da segunda edição de uma iniciativa que procura dinamizar o cenário da ópera em Portugal, tendo este ano como mote a composição de árias. Segundo a organização, o evento pretende “potenciar novos compositores, novo repertório, novas óperas, novos intérpretes, para criar a ópera do futuro e aproximá-la do mundo de hoje”.

Dirigido a compositores de até 40 anos, o concurso, designado Prémio Carlos de Pontes Leça em homenagem ao reconhecido programador e musicólogo, falecido há cinco anos, será dado a uma ária original, em português, e terá o valor de 1500 euros.

O concurso incluirá espectáculo público, estruturando-se em três etapas: selecção de candidatos, eliminatória e final.

Mais informações em www.operafestlisboa.com.

PODCAST | Música escrita e improvisada (08/2020)

Desde há alguns meses tem sido possível ouvir, no último Domingo de cada mês, o novo podcast Glosando pela música da lusofonia, um programa da revista Glosas com transmissão em directo na rádio-café Lusophonica, no Farol de Santa Marta, em Cascais.

A glosas.mpmp.pt relembra agora a segunda sessão, transmitida a 30 de Agosto, com o compositor convidado Luís Salgueiro, que nos apresentou música contemporânea escrita e improvisada, com obras de João Barradas, João Castro Pinto, Dead Combo, Gabriel Ferrandini e Andreia Pinto Correia, entre outros (ver alinhamento completo abaixo).

A edição encontra-se agora disponível no canal Vimeo da Lusophonica. Se não teve oportunidade de ouvir, poderá fazê-lo através deste link.

 


Luís Salgueiro é compositor de música instrumental, electrónica e mista, licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou sob a orientação dos professores António Pinho Vargas, Carlos Marecos e Luís Tinoco. Foi compositor residente do Ensemble Juvenil de Setúbal, na sua temporada inicial. Para além do seu trabalho criativo, dedica-se também à edição e à musicografia, com especial atenção à música contemporânea, tendo já contribuído para o catálogo de algumas das mais importantes editoras europeias. Coordena os esforços editoriais do MPMP no que a partituras concerne, e serviu como director de conteúdos da revista Glosas.


 

Alinhamento

 

João Barradas (1992-), Solo I (do álbum Live at CCB)
João Barradas, acordeão

João Castro Pinto (1977-), Sonotope V; Sonotope IV
(do álbum SUNTRIA – imaginal sonotopes)

Alexandre Rey Colaço (1854-1928), Fado n.º 8; Fado n.º 9

Dead Combo, Faduncho (do álbum Odeon Hotel)

Cândido Lima (1939-), Gestos-Circus-Círculos (do álbum Oceânides)
Sond’Ar-te Electric Ensemble
Ensemble Aleph
Pedro Amaral, direcção

Dead Combo, Esse olhar que era só teu (do álbum Lisboa Mulata)

Gabriel Ferrandini (1986-), Rua da Academia das Ciências;
Travessa dos Fiéis de DeusRua da Barroca (do álbum Volúpias)
Hernani Faustino, contrabaixo
Pedro Sousa, saxofone tenor

Andreia Pinto Correia (1971-), String Quartet n.º 1: Unvanquished Space
Jack Quartet

Duarte Lobo (ca. 1565-1646), Agnus Dei (da obra Missa Dum aurora)
Graindelavoix
Björn Schmelzer, direcção

PODCAST | As viagens pela música de Portugal (07/2020)

Desde há alguns meses tem sido possível ouvir, no último domingo de cada mês, o novo podcast Glosando pela música da lusofonia, um programa da revista Glosas com transmissão em directo na rádio-café Lusophonica, no Farol de Santa Marta, em Cascais.

A glosas.mpmp.pt relembra agora a primeira série, que principiou com a emissão As viagens pela música de Portugal, a 26 de Julho, pelas 10h, com o pianista convidado Duarte Pereira Martins, que nos levou, através de paisagens sonoras, a viajar pelas várias regiões do nosso país. Fizeram-se ouvir obras de Fernando Lopes-Graça, Eurico Carrapatoso, José Vianna da Motta e Frederico de Freitas, entre muitos outros (ver alinhamento completo abaixo).

A gravação encontra-se agora disponível no canal Vimeo da Lusophonica. Se não teve oportunidade de ouvir, poderá fazê-lo através deste link.

 


Licenciado em piano pela Escola Superior de Música de Lisboa, Duarte Pereira Martins concluiu o curso do Conservatório Nacional com a classificação máxima. É membro fundador do MPMP, onde é actualmente coordenador de projectos e produção. É director artístico de inéditas gravações integrais das sonatas de Carlos Seixas (por José Carlos Araújo) e de João Domingos Bomtempo (por Philippe Marques). Foi director executivo da Glosas, revista de música. Premiado em diversos concursos de piano, apresenta-se regularmente em concerto por todo o país e estrangeiro, em variadas formações, destacando-se como divulgador de património musical português. Frequentou o curso de Engenharia Física Tecnológica do Instituto Superior Técnico e termina, actualmente, o mestrado em Empreendedorismo e Estudos da Cultura do ISCTE.


 

Alinhamento

 

Fernando Lopes-Graça (1906-1994), 11 Glosas
Maria da Graça Amado da Cunha, pianista

Eurico Carrapatoso (1962-), O que me diz a calma que vai caindo
Clara Coelho, direcção
Coro Sinfónico Lisboa Cantat

Alfredo Keil (1850-1907), Abertura (da ópera Serrana)
Fernando Cabral, direcção
Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional

José Vianna da Motta (1868-1948), Cena das montanhas (do Quarteto de Cordas n.º 2 em sol maior)
Quarteto Lacerda

Eurico Carrapatoso (1962-), Sombras; Altara; Algarve (da obra O que me diz o vento de Serpa)
Jorge Alves, direcção
Coro Sinfónico Lisboa Cantat

Fernando Lopes-Graça (1906-1994), Em Silves, já não há moiras encantadas; Na romaria do Senhor da Serra de Semide; No tempo em que na Figueira da Foz se dançava o lundum; Um Natal no Ribatejo; Um Velho fandango de Alcobaça; A Citânia de Briteiros; Em terras do Douro (da obra Viagens na minha terra)
Joana Gama, piano

Frederico de Freitas (1902-1980), Ribatejo
Álvaro Cassuto, direcção
Royal Scottish National Orchestra

Ruy Coelho (1889-1986), À noitinha em Condeixa; Dança noturna em Condeixa; Mouraria; Uma velha canção; Uma dança do sul; No Tejo; As crianças brincam nos jardins; Lisboa na noite de São João (da obra Passeios de Estio)
Silva Pereira, direcção
Orquestra da Rádiodifusão Portuguesa

Joly Braga Santos (1924-1988), Encruzilhada
Álvaro Cassuto, direcção
Bournemouth Symphony Orchestra

Amílcar Vasques Dias (1945-), Linho; Tear-Tecer (da obra Lume de chão)
Joana Gama, piano

Cândido Lima (1939-), Vagas e Tempestades (da obra Músicas de Villaiana)
Javier Viceiro, direcção
Coro da Academia de Música de Viana do Castelo
Orquestra Sinfónica da Escola Profissional de Música de Viana do Castelo

Luiz Costa (1879-1960), Telas Campesinas, Op. 6
Bruno Belthoise, piano

João Guilherme Daddi (1813-1887), Douro
Tomohiro Hatta, piano

O regresso de Pedro Emanuel Pereira

O novo trabalho discográfico de Pedro Emanuel Pereira, Sons da minha terra, disponível em CD desde abril, será lançado nas principais plataformas digitais Spotify, Youtube Music e Amazon Prime Music, no dia 14 de dezembro. 

Depois do sucesso de Russian Journey, um álbum dedicado a obras de compositores russos, o compositor e pianista marca o regresso às suas origens com uma nova abordagem que incorpora reminiscências da música tradicional portuguesa, aliada à música de tradição erudita e clássica:

 

Apresento-me não só na condição de intérprete, mas também de compositor e criador. Para além de incluírem melodias de autores portugueses, no caso do José Afonso ou com o Hino a Guimarães, também o ciclo do álbum, que é inspirado na música tradicional portuguesa, torna este disco muito peculiar. Porque fui beber muito das nossas raízes, da minha infância, do lugar onde nasci.

 

 

A estreia destas peças deu-se em dezembro de 2018, num concerto inserido nas comemorações do 17.º aniversário da elevação do centro histórico de Guimarães a Património Mundial pela UNESCO.

Em paralelo com o lançamento no universo digital, Pedro Emanuel Pereira interpretará as dez canções que compõem este disco no Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães, com transmissão ao vivo na página de Facebook do Município de Guimarães, no mesmo dia, às 21h.

Graduado com distinção pelo Conservatório de Moscovo e pelo Conservatório de Amesterdão, Pedro Emanuel Pereira foi vencedor de inúmeras competições internacionais de piano e apresenta-se com a sua própria arte e visão do mundo, moldada pela jornada de sucesso que tem acompanhado a sua carreira na música erudita. A partir da sua abordagem num instrumento orquestral que venera, é através das teclas de um piano que personifica vivências, histórias e a cultura musical portuguesa, que se ouve a partir da brilhante poesia e dos diferentes estilos explorados.

 

O motete “Mulier quae erat” de Manuel Cardoso

Manuel Cardoso nasceu em Fronteira, possivelmente no segundo semestre do ano de 1566, uma vez que foi baptizado a 11 de Dezembro desse ano na Igreja Matriz desta povoação alentejana. Os detalhes biográficos de Manuel Cardoso foram-nos transmitidos pelo cronista da Ordem do Carmo, Fr. Manuel de Sá, que, em 1724, publicou as Memorias historicas… da Ordem de Nossa Senhora do Carmo, dedicando três páginas ao compositor alentejano.

De acordo com Fr. Manuel de Sá, Manuel Cardoso foi enviado para Évora com o propósito de estudar “gramática e a arte da música”, muito possivelmente no Colégio dos Moços do Coro afecto à Catedral. Cardoso tomou hábito no Convento do Carmo de Lisboa em 1 de Julho de 1588, tendo professado no dito convento a 5 de Julho do ano seguinte, aos 23 anos de idade. O cronista da Ordem do Carmo enalteceu as qualidades de Cardoso durante os anos que permaneceu no Convento do Carmo. Para além de o considerar “hum dos mayores, e mais insignes compositores, que houve naõ só neste Reyno, mas em toda a Europa”, também lhe enumerou as virtudes, afirmando que “no comer foy muyto parco, na modestia singular, na guarda do silencio vigilantissimo, nos votos essenciaes observantissimo, na probreza taõ pontual, que nunca teve cousa propria”.

Sobre a música de Cardoso, Peter Philips (director do grupo vocal de música antiga The Tallis Scholars) afirmou nas notas ao CD dedicado a este compositor que, entre outros compositores portugueses, “foi Cardoso quem combinou o antigo e o moderno com maior sucesso, produzindo o seu próprio estilo com um alto carácter” emocional. Manuel Cardoso foi um dos compositores portugueses que mais música viram ser impressa. Ao todo, foram impressos cinco volumes de polifonia vocal sacra na oficina Craesbeeck ao longo de um período de quarenta anos. Estes volumes incluem um livro de Magnificat (1613), três livros de missas (um em 1625 e dois em 1636) e uma colecção de motetes, lamentações e outros géneros (1648).

hum dos mayores, e mais insignes compositores, que houve naõ só neste Reyno, mas em toda a Europa

O motete Mulier quae erat foi publicado numa colecção de música que também inclui, para além de outros motetes, uma miscelânea de outros géneros (como Missas, Lamentações, Responsórios, Hinos, Lições entre outras obras de menor dimensão). O denominado Livro de varios motetes… e outras cousas foi impresso em Lisboa, no ano de 1648, por Lourenço Craesbeeck. Esta obra pertence a um grupo de motetes para cinco vozes com a inclusão de um segundo Altus ao quarteto de vozes usual (SATB). Apesar de não possuir uma indicação directa quanto ao seu uso litúrgico, este motete encontra-se entre o grupo de obras destinadas aos últimos domingos da Quaresma. Outros compositores, como Estêvão de Brito ou Estêvão Lopes Morago, também escreveram motetes para os domingos do Advento e Quaresma. Tal como os motetes para os domingos, também este utiliza uma passagem textual proveniente dos Evangelhos (neste caso Lucas 7:37-38).

O texto do motete encontra-se dividido em cinco segmentos:

  1. Mulier quae erat in civitate peccatrix
  2. stans retro secus pedes Domini
  3. lacrymis cepit rigari pedes ejus
  4. et capillis capitis sui tergebat
  5. et osculabatur pedes ejus et unguento ungebat.

O início é algo ambíguo em termos do estabelecimento de uma “tonalidade”. As vozes iniciam o ponto de imitação, baseado no motivo musical associado ao texto “mulier” e “quae erat”, com entradas sucessivas das vozes (Tenor, Superius, Altus 1, Altus 2 e Bassus respectivamente) à distância de um intervalo de oitava ou de quinta. Um segundo motivo aparece associado ao texto “in civitate peccatrix”. Este é o segmento mais extenso do motete, junto com o quinto, não só por conterem mais texto, mas também devido a serem os segmentos exteriores da obra.

A música de Cardoso é também conhecida como possuindo características emotivas muito fortes. Os motetes, pelas suas características, são géneros propícios a momentos de word-painting, expressão herdada da análise de madrigais e chansons, que encaixa perfeitamente em Mulier quae erat. Determinadas passagens do texto ou palavras, como “peccatrix” ou “lacrymis”, são enfatizadas através de um controlo da dissonância comum no contraponto (retardo e notas de passagem) e algo característico na música de Cardoso, referido em termos analíticos como inflexão cromática. No último ponto de imitação, o motivo associado ao texto “et osculabatur pedes ejus” é desenvolvido por Cardoso, como aparece regularmente em outras obras, através da sua inversão.

O vídeo que acompanha este artigo foi gravado pelo Grupo Vocal Olisipo no passado dia 6 de Novembro, no concerto intitulado Vocem Flentium – A voz do pranto. Este concerto, realizado na igreja do mosteiro de Santos-o-Novo, integrou a 28.ª edição da temporada “Música em S. Roque”, organizada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. A música de Manuel Cardoso tem constituído um elemento central nos programas do Grupo Vocal Olisipo, contando mais de trinta anos de actividade, que dedicou um CD a este compositor (partilhado com os responsórios de Sexta-Feira Santa de Francisco Martins), mais concretamente à Missa pro Defunctis a quatro vozes que, tal como o motete Mulier quae erat, também se encontra no Livro de varios motetes.

Terleira e Resende no Oxford Lied Festival

Realiza-se por estes dias o Oxford Lied Festival, no Reino Unido, dedicado à arte da canção e cuja programação inclui diversos recitais e masterclasses.

O duo de tenor e piano formado por João Terleira e Joana Resende participa nesta edição do festival como um dos grupos seleccionados para integrar o curso de trabalho com Wolfgang Holzmair (barítono), Julius Drake (piano), Robert Holl (baixo), Matti Hirvonen (piano) e Richard Stokes. Estes cursos de curta duração respondem ao projecto do Oxford Lied Festival em contribuir para o aperfeiçoamento de capacidades técnicas e estilísticas de próximas gerações de intérpretes. As sessões desenvolvem-se em torno do estudo e análise de aspectos musicais e poéticos de Lieder sob a orientação de um tutor, este ano o barítono Wolfgang Holzmair, com convidados. A intensa semana de curso culminará num concerto público a 29 de Outubro, último dia do festival. Para mais informações sobre as masterclasses, consulte a página do festival em https://www.oxfordlieder.co.uk/.

João Terleira e Joana Resende têm vindo a trabalhar em conjunto nos últimos anos. Resende estudou na Escola de Música de Artes do Espectáculo do Porto, na classe de Jaime Mota, tendo terminado a licenciatura em piano em 2004. Posteriormente, estudou piano, acompanhamento de Lied e música de câmara na Hoschule für Musik und Theater Félix Mendelssohn-Bartholdy, em Lípsia, e realizou diversas masterclasses. Tem Mestrado em Performance e em Ensino da Música, pela Universidade de Aveiro. Terleira tem o mestrado em Interpretação Artística também da Escola de Música de Artes do Espectáculo do Porto, sob a orientação de Rui Taveira. Estudou canto na International Opera Academy em Ghent, Bélgica, sob direcção artística de Guy Joosten, tendo participado em masterclasses com Renée Jacobs, Natalie Dessay, Albert Zedda e Win Hendrickx, entre outros. Integra o ENOA – European Network of Opera Academies.

Bolonha 1689: o despertar do violoncelo

No próximo Sábado, dia 10 de Setembro, às 18h00, terá lugar o sexto concerto do IV Ciclo Um Músico, um Mecenas (2016), ciclo de concertos com instrumentos históricos actualmente preservados na colecção instrumental do Museu Nacional da Música, em Lisboa. Dedicado uma vez mais ao violoncelo – este ciclo justamente tem contado com a participação dos mais importantes violoncelistas portugueses do nosso tempo –, este concerto reunirá a violoncelista Diana Vinagre e o organista Fernando Miguel Jalôto num um programa extraordinário sob o título Bolonha 1689: o despertar do violoncelo, com obras para violoncelo solo senza basso, ou violoncelo e baixo contínuo, de autores como Domenico Gabrielli (1659-1690), Lodovico Filippo Laurenti (ca. 1690-1757), Giuseppe Maria Jacchini (1667-1727) ou Alessandro Scarlatti (1660-1725), a que acrescem transcrições de Giovanni Bononcini (1670-1747) e, testemunhando a influência transversal deste repertório, obras para órgão de José António Carlos de Seixas (1704-1742) e Giovanni Battista Martini (1706-1784). A par da raridade do repertório aqui coligido e dos intérpretes de excepção que já no ciclo anterior deram a ouvir um concerto inesquecível, os dois instrumentos preciosos que servirão este programa justificam a visita ao Museu Nacional da Música neste Sábado: são estes um dos tesouros da colecção, o violoncelo histórico de Félix AntónioDinis (provável discípulo de Joaquim José Galrão), construído em Lisboa, “em casa / da Viuva de Galram, Anno de 1797” (Inv. MM 43), e o órgão histórico construído por Joaquim António Peres Fontanes, um dos mais proeminentes organeiros portugueses da segunda metade do séc. XVIII (Inv. MM 582, ca. 1780), classificado como Tesouro Nacional.

O ciclo Um Músico, um Mecenas tem como prioridade sensibilizar o público para a necessidade imperiosa que os instrumentos musicais têm de manutenção cuidada e de regularidade quase diária, factor que distingue uma colecção instrumental de quaisquer outros tipos de património museológico por natureza. No Museu Nacional da Música, em Lisboa, preserva-se justamente uma das mais ricas colecções instrumentais da Europa. Para este concerto, Diana Vinagre, Fernando Miguel Jalôto e Elise Derochefort, que preparou especialmente o violoncelo Dinis, constituem-se, assim, em mecenas do Museu Nacional da Música, que conta com diversos outros apoios, entre os quais figuram também o MPMP – Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa e a RDP – Antena 2.

Todos os concertos têm entrada livre, condicionada à capacidade da sala. Em razão da grande afluência que os concertos têm vindo a registar, aconselha-se, porém, a chegada ao Museu com alguma antecedência. Para reservas ou mais informações, contacte o Museu Nacional da Música através do telefone 21 771 09 90.

Duo de piano português em Paris e Luxemburgo

Os pianistas Fausto Neves e Joana Resende irão apresentar-se no mês de Setembro em dois recitais em Paris e no Luxemburgo, interpretando obras de compositores franceses, portugueses e brasileiros.

O primeiro recital terá lugar na Maison de Portugal, em Paris, a 18 de Setembro, e o segundo dois dias depois, a 20 de Setembro, no Foyer Européen, no Luxemburgo. Este recital está inserido no programa Les concerts du Foyer Européen de 2016. Fausto Neves e Joana Resende irão tocar em duo (a quatro mãos) as peças La belle excentrique, de Erik Satie, Petite Suite, de Claude Debussy, Ma mère l’Oye, de Maurice Ravel, Storyboard, de Fernando Lapa, o 3.º caderno das Melodias rústicas portuguesas, op. 211, de Fernando Lopes-Graça, e Brasiliana n.º 4, de Osvaldo Lacerda.

Joana Resende estudou na Escola de Música de Artes do Espectáculo do Porto, na classe de Jaime Mota, tendo terminado a licenciatura em Piano em 2004. Posteriormente, estudou piano, acompanhamento de Lied e música de câmara na Hoschule für Musik und Theater Félix Mendelssohn-Bartholdy, em Leipzig, e realizou diversas masterclasses. Tem mestrado em Performance e em Ensino da Música pela Universidade de Aveiro. Tem-se apresentado em concerto a solo e com Fausto Neves, com quem gravou em 2014 obras de Fernando Lopes-Graça, bem como com as sopranos Catarina Sereno e Ana Maria Pinto e o tenor João Terleira. De momento, encontra-se também a preparar o CD “Anterianas” com Ana Maria Pinto.

Como Joana Resende, Fausto Neves tem consagrado grande parte do seu repertório pianístico a obras de compositores portugueses. Estudou no Conservatório de Música do Porto, na Universidade de Laval, Canadá, e no Conservatório de Música de Genebra. Foi discípulo de Helena Sá e Costa, Robert Weiss, Harry Datyner e Sequeira Costa. É professor convidado da Universidade de Aveiro e professor de piano na Escola Profissional de Música de Espinho.

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