Concurso Internacional Osvaldo Lacerda

De 3 a 6 de Dezembro de 2015 realizar-se-á, na Academia Paulista de Letras, em São Paulo (Brasil), para pianistas de quaisquer idades e nacionalidades, o Concurso Internacional de Interpretação Pianística da Obra do Compositor Osvaldo Lacerda, promovido pelo Centro de Música Brasileira como forma de homenagem e divulgação da obra do compositor.

Nascido em São Paulo a 23 de Março de 1927, Osvaldo de Lacerda estudou piano com Ana Veloso de Rezende, Maria dos Anjos Oliveira Rocha e José Kliass, harmonia e contraponto com Ernesto Kieski e composição com Camargo Guarnieri. Estudou nos Estados Unidos da América durante o ano de 1963, com uma bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Foundation, tendo frequentado aulas de composição com Vittorio Giannini e Aaron Copland. Em 1965 representou o Brasil no Seminário Interamericano de Compositores, na Universidade de Indiana, e no III Festival Interamericano de Música, em Washington. Tendo obtido vários prémios de composição, Osvaldo Lacerda conquistou também o Prémio “Melhor Revelação como Compositor”, em 1962; o Prémio “Melhor Obra de Câmara” em 1970, 1975, 1978 e 1986; e o Prémio “Melhor Obra Sinfónica” em 1994, entre outros. Em 1997 recebe o “Grande Prémio da Crítica” pela Associação Paulista de Críticos de Arte, associação que lhe atribui, em 2013, dois anos após a sua morte, o prémio In Memoriam.

 

 

As inscrições para o concurso deverão ser efectuadas entre o dia 1 de Maio de 2015 e o dia 10 de Novembro de 2015. Na prova eliminatória os candidatos deverão apresentar-se com o Estudo n.º 4 como peça obrigatória e outras peças livres, obrigatoriamente da autoria de Osvaldo Lacerda, sendo que o tempo total da prova não deverá exceder os vinte minutos. A prova final, também com o tempo máximo de vinte minutos, consistirá na interpretação de Estudo n.º 7 e de peças livres, também do compositor.

Para inscrição e mais informações, clique aqui.

Intertextuality in music since 1900

Decorre nos próximos dias 6 e 7 de Março a conferência internacional ‘Intertextuality in music since 1900’ e os dias serão animados para quem se interessa pela investigação em música e tiver oportunidade de se deslocar à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH-UNL) para assistir às sessões.

A conferência é organizada em conjunto pelo CESEM – Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical, da FCSH-UNL, e pelo Institut für Musikwissenschaft, da Leopold-Franzens-Universität Innsbruck.

Tem por fim explorar questões ligadas às noções de intertextualidade e música e provocar o debate em torno de expressões musicais dos século XX e XXI, da música clássica à música popular, passando pela música de teatro, de cinema e de televisão. O conceito de intertextualidade, introduzido por Julia Kristeva na década de 60 e desde então desenvolvido por outros teóricos, propõe que cada expressão ou texto recebe influências de outras expressões.

O programa anunciado preenche os dois dias com sessões simultâneas bastante apelativas e diversificadas ao longo das quais o conceito de intertextualidade em música será problematizado a partir de diferentes perspectivas. Como sugestão, Marina Frolova-Walker abordará os Ballets Russes de Diaghilev e Mark Edwards irá centrar-se nas Variações Goldberg e em Glenn Gould. Uma das sessões de sexta-feira à tarde (a partir das 15h), será dedicada à música de compositores polacos do século XX, Szymanovski, Lutosławski, Panufnik e Górecki, enquanto que, mais tarde no mesmo dia, se falará de Mahler. Michael Saffle centrará a sua comunicação na relação entre comédia e música na série infantil Phineas and Ferb e Mark Brooks analisará a música da série Mad Man. Haverá ainda tempo para comunicações sobre semiótica de Peirce (por David Fay), estudos de celebridade (por Paula Gomes Ribeiro), a paródia como caso particular da intertextualidade (por Violetta Kostca) e a canção de protesto (por Noriko Manabe), entre muitas outros temas e possibilidades de abordagens ao conceito. O programa completo pode ser consultado aqui.

A conferência conta com a presença de Nicholas Cook (Faculty of music, University of Cambridge), Lawrence Kramer (Fordham University, New York) e Julian Johnson (Royal Holloway, University of London) como oradores convidados. Paulo Ferreira de Castro e Federico Celestini, da comissão organizadora da conferência, inauguram e encerram a ordem de trabalhos. Participam ainda 42 oradores provenientes de universidades da Europa, dos Estados Unidos da América, do Canadá e do Brasil.

Será, sem dúvida, um dos maiores acontecimentos musicológicos do ano em Portugal.

A entrada para ouvintes é livre, sendo necessário inscrição para quem quiser certificado de presença.

Mais informações sobre o programa e inscrição pode ser obtida através dos contactos [email protected] e [email protected].

 

Semana de ruptura no Conservatório Nacional

A situação em torno das condições do Conservatório Nacional — já antes incomportável — continua a degradar-se. Esta semana foi uma de particular agitação na Rua dos Caetanos.

O edifício da escola foi evacuado na passada terça-feira, dia 24 de Fevereiro, após ter sido soado o seu sistema de alarme. Não é claro se o disparo terá sido reacção a um verdadeiro incidente — não seria inédito a queda de uma janela ou de estuque numa sala ocupada — ou se foi motivado por uma acção de contestação ou espontânea ou premeditada. Certo é que, tendo o corpo docente e discente em peso evacuado e encontrando-se junto em frente ao edifício, não havia tempo como o presente para se voltar a manifestar contra a sua condição, que se arrasta dolorosamente há anos.

No início do ano lectivo, as chuvas outonais ameaçaram de tal forma ruir parte do tecto que a Protecção Civil ditou um encerramento compulsivo de parte do edifício. As salas em questão — cerca de dez — foram provisoriamente encerradas. No seguimento do ocorrido, nova vistoria da Câmara Municipal de Lisboa, já em Janeiro, confirma o relatório anterior, notificando o Conservatório a fazer obras urgentes. Para o caso, quiçá, da direcção não estar ainda a par…

Durante a madrugada desse dia para 25 de Fevereiro, os alunos fecharam a cadeado as portas da sua escola, sendo estas apenas desbloqueadas pela Polícia de Segurança Pública por volta das 09h45. A intervenção da PSP encontrou nova mobilização de mais de uma centena de professores, alunos e pais, que tentaram sensibilizar as autoridades competentes para a devida atenção que o processo merece.

A contestação continuou hoje, 26 de Fevereiro, pelo terceiro dia consecutivo, com duas acções. A primeira, por volta do meio-dia, consistiu num “Abraço ao Conservatório Nacional”, onde um cordão humano de alunos e professores, actuais e antigos, funcionários e admiradores, envolveu o edifício. Depois, a concentração moveu-se para a base da escadaria do Parlamento, em São Bento, onde os manifestantes levaram não apenas as palavras de ordem mas também os seus instrumentos. Esta acção contou com a presença dos deputados Luís Ferreira (PEV), Rita Rato (PCP), Catarina Martins (BE), Acácio Pinto e Inês de Medeiros (PS).

Estes deputados e os seus grupos parlamentares não foram capazes de fazer aprovar um pedido de audição a Nuno Crato, requerida pelo Bloco de Esquerda no dia do primeiro protesto desta semana, face ao voto contra da maioria PSD-CDS. Na discussão desta moção, Catarina Martins lembrou que esta é uma situação “que se arrasta há muitos anos”, pelo que é insuficiente afirmar que “o edifício vai ser intervencionado” sem saber como a intervenção “será feita, quanto tempo irá durar, e onde os alunos vão ter aulas enquanto o edifício está a ser intervencionado”. Dia 27 de Fevereiro, os grupos parlamentares da oposição apresentarão novas moções que visam estabilizar e melhorar as condições não apenas do Conservatório Nacional mas de todo o ensino artístico especializado, instando à “regularização do financiamento a atribuir” a estes estabelecimentos de ensino (PS, PEV) e ao debate sobre medidas para a “estabilidade e financiamento” (BE) e até mesmo ao “alargamento da rede pública do ensino artístico especializado” (PCP).

Em declarações à Agência Lusa, Ana Mafalda Pernão, directora da Escola de Música do Conservatório Nacional, confessou ter luz verde do Ministério da Educação para “pedir três orçamentos” para a realização de obras. Durante a manhã de 26, a direcção reuniu com a Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares; no entanto, dessa audiência não terá saído qualquer medida para uma intervenção a curto prazo, nem indicações de que a tendência para o silêncio tenha sido significativamente quebrada.

Esse silêncio dos órgãos do Ministério traduz-se, segundo a directora, num acto de “desresponsabilização”. Questionado pela Lusa, o Ministério da Educação declara que esta foi uma reunião preparatória para “concretizar os procedimentos já iniciados na semana passada, tendo em vista a realização, deste momento, das intervenções mais urgentes”, não se comprometendo com uma verdadeira intervenção de fundo que reclamam como necessária os que frequentam o edifício.

As condições do edifício — que celebra este ano 180 anos — ferem mais que a dignidade de um espaço tão emblemático: os professores são sujeitos a condições de trabalho para lá de frustrantes e os alunos hipotecam o seu desenvolvimento, privados de disciplinas essenciais para lá das artísticas — como Português ou Matemática, História ou Fisico-Química, às quais vão ser sujeitos a exames nacionais daqui a poucos meses. Todos arriscam a sua integridade física.

Dejan Ivanovic: ‘masterclass’ em Alcobaça

O prestigiado guitarrista croata Dejan Ivanovic é o professor convidado para a 5.ª edição da Masterclass de Guitarra na Academia de Música de Alcobaça (Leiria). Este evento é orientado para alunos dos vários níveis de estudos, desde o 1.º grau do Ensino Especializado até ao Ensino Superior. A acção de formação será antecedida por um recital promovido pelo músico no Armazém das Artes – Fundação Cultural (em Alcobaça), pelas 21h30 do dia 26.

A Masterclass de Guitarra, inserida na “Páscoa com Música”, evento habitual do plano anual de actividades da Academia de Música de Alcobaça, foi concebida com a finalidade de reunir e promover o contacto entre os alunos dos diferentes professores de guitarras, uma das classes mais numerosas nessa instituição. A edição de 2014 trouxe como novidade um recital de guitarra, nesse ano promovido pelos irmãos leirienses André e Bruno Ferreira – alunos do Conservatório Superior de Música de Vigo, em Espanha. A edição deste ano, pela primeira vez, foi concebida para um público mais generalizado, para além da novidade de ser leccionada por um professor convidado.

As inscrições, cujo prazo termina no dia 19 de Março, já se encontram abertas e estão limitadas ao número de vagas disponíveis. Todos os interessados poderão encontrar o formulário de inscrição aqui e poderão ter o esclarecimento de qualquer dúvida ou informações adicionais através dos contactos [email protected] ou 262 597 611 e 962 543 544/42.

O guitarrista Dejan Ivanovic iniciou os seus estudos musicais com oito anos de idade. Estudou guitarra em Tulza e mais tarde na Academia de Música de Zagreb, onde foi aluno da classe de Darko Petrinjak. A sua carreira profissional teve início aquando dos seus estudos universitários, entre 1994 e 1998. Desde essa data tem integrado alguns dos mais prestigiados festivais dedicados à guitarra, incluindo o Spoleto Festival, através do convite pessoal de Gian Carlo Menotti, o Edinburg Festival, o Estoril Summer Festival e Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. Em 1998, foram-lhe atribuidos o primeiro prémio e o prémio de melhor interpretação de música espalhola no Thirtheenth International Guitar Competition Doña Infanta Cristina, em Madrid. No ano de 2001 venceu o primeiro prémio do Third International Competition Sinaia’98, na Roménia, o primeiro prémio no Seventeenth International Guitar Competition Andrés Segovia, em Herradura, e o primeiro prémio e o prémio de audiência no 35th International Competition Francisco Tárrega, em Benicásmin, Espanha. Foi laureado noutros concursos internacionais em Itália, Bélgica e Portugal, e já realizou recitais em países como a Holanda, Suécia, Alemanha, Estados Unidos da América, Islândia, Inglaterra, Itália, Japão, Croácia e Portugal. Desde 2007 é professor de Guitarra Clássica na Universidade de Évora.

 

Garimpo Musical (I) | André da Silva Gomes

A igreja matriz de São Paulo manteve, desde a sua fundação, em 1611, mestres-de-capela com específica função de compor e dirigir música para os ofícios religiosos e manter escola pública para a instrução musical da juventude. A mais remota notícia conhecida é de 1649 e cita o mestre-de-capela Manoel Pais de Linhares. Como a matriz de São Paulo encontrava-se, até a criação do bispado, em 1745, sob a jurisdição eclesiástica do Rio de Janeiro, as provisões para o mestrado-de-capela eram expedidas pelo bispo desta última cidade e geralmente pelo prazo de um ano.

Em março de 1775 chega a São Paulo o terceiro bispo, Dom Manoel da Ressurreição. Traz em sua comitiva como mestre-de-capela da Sé um jovem de 21 anos, nascido e formado em Lisboa: André da Silva Gomes.

Sua formação européia passaria por rigoroso teste econômico, social e estético: rivalidade civil-eclesiástica em matéria de provimento da capela de música; heterogeneidade de solicitações influenciando as condições da criação musical; repertório e organização da capela de música e sua participação no serviço religioso; luta por imposição e prestígio social; integração inevitável das relações do monopólio da música nas igrejas.

O certo é que a data de 1774 constitui um marco decisivo na implantação de uma nova fase na atividade musical da Sé de São Paulo, estreitamente vinculada ao brilhantismo e suntuosidade das festas anuais promovidas pelo bispado e à contribuição organizativa e criativa de André da Silva Gomes.

Até 1765 São Paulo vivera administrativamente dependente. A presença dos governadores-gerais, após essa data, o primeiro dos quais o eficiente Dom Luiz Antonio de Souza Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, incentivaria uma vida social mais intensa, integrando razoável cultura musical leiga e disseminando o gosto pela música em geral.

André da Silva Gomes, quarto mestre-de-capela da Sé de São Paulo, nasceu em Lisboa, por volta do mês de dezembro de 1752, conforme consta do assento de seu batismo realizado na freguesia de Santa Engrácia. Era filho de Francisco da Silva Gomes e Ignacia Rosa. A pesquisa sobre as condições de sua formação musical em Lisboa foi extremamente dificultada pela perda quase total da documentação referente ao Seminário da Patriarcal. Sabemos, entretanto, pelo registro de Provisão passada pela Rainha Dona Maria, confirmando André no cargo, em 1790, que o mesmo foi provido “pela ciência da música no canto de órgão e contraponto”.

Em 1797 é nomeado interinamente e depois efetivado no cargo de mestre régio de gramática latina na cidade de São Paulo. Tal função lhe conferia salário de quatrocentos mil réis anuais, dez vezes maior do que o percebido como mestre-de-capela da Sá. Nele se aposenta em 1827.

Integrou, como representante de instrução pública, o Governo Provisório estabelecido em São Paulo a 23 de junho de 1821, em consequência de um movimento popular liberal refletindo a instauração de sistema constitucional em Lisboa, no ano anterior. Tal governo teve como presidente o ex-capitão-general João Carlos de Oeynhausen e, como vice-presidente, José Bonifácio de Andrada e Silva. E nos episódios subsequentes, o mestre-de-capela insere-se na corrente favorável à permanência de Dom Pedro I, em torno do qual polarizavam-se as forças políticas da independência. Após a independência André subscreve as diversas “representações do povo de São Paulo” para a conservação dos Andradas no Ministério do Império recém-proclamado.

André da Silva Gomes faleceu aos 17 de junho de 1844 com 91 anos. Seu corpo, revestido do hábito de São Francisco, foi acompanhado por todos os capelães da Sé em enterro solene. Enquanto viveu foi a personalidade mais destacada da música em São Paulo, pátria adotada de onde nunca se afastou desde que aqui se radicou 70 anos antes.

 

 

O excerto que podemos aqui ouvir é o excerto inicial do seu Stabat Mater, numa gravação histórica de 1980, em LP (ed. BASF), pelo Madrigal e Orquestra São Paulo Pró Música sob a regência do maestro Jonas Christensen. Como solistas, Martha Herr (soprano), Lenice Prioli (contralto), Percio Ribeiro Gomes de Deus (tenor) e Antonio Carlos Ferraz de Campos (baixo).

A partitura do Stabat Mater foi restaurada por Régis Duprat entre 1970 e 1974 a partir de um protótipo manuscrito de Manoel José Gomes, de 1831, depositada no Arquivo Carlos Gomes, de Campinas. Não dispomos de nenhuma referência documental para datar a sua composição. Aqui, igualmente, o estudo de dezenas de manuscritos do autor e análise de inúmeros pormenores do processo composicional conduzem-nos a situar a época de sua composição entre 1785 e 1800.

A 4.ª digressão da Orquestra XXI

A quarta digressão da Orquestra XXI, a decorrer em Março de 2015, tem início no próximo dia 6, pelas 21h30, nos Claustros da Pousada de Viseu, seguindo-se um concerto no dia 7 de Março, pelas 17h30, no Teatro Municipal da Covilhã, e terminando a digressão no dia 8 de Março, pelas 17h, na Culturgest, em Lisboa.

A Orquestra XXI surgiu em 2013, reunindo cerca de cinquenta jovens portugueses residentes no estrangeiro, em cidades como Londres, Paris, Zurique, Berlim, S. Petersburgo, Amesterdão e Madrid, estando muitos dos elementos relacionados com outras instituições como a Orquestra Sinfónica de Londres, Orquestra Nacional de França e Ópera de Zurique, entre outras.

Vencedora do 1.º prémio no concurso de empreendedorismo social “Ideias de Origem Portuguesa” da Fundação Calouste Gulbenkian, a Orquestra XXI estreou-se em Setembro de 2013 numa primeira digressão pelo Mosteiro de Tibães, Casa da Música, Mosteiro da Batalha e Centro Cultural de Belém, dedicada a obras de Manuel Durão (com estreia absoluta de Plataforma), Fernando Lopes-Graça, Gustav Mahler e Johannes Brahms. Depois deste primeiro sucesso, a orquestra reaparece na reabertura do Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, com a 1.ª Sinfonia de Gustav Mahler.

Depois de uma segunda digressão dedicada exclusivamente à obra de J. S. Bach, e de uma terceira dedicada a H. Purcell, B. Britten, M. Ravel, L. A. Pena e L. van Beethoven, o programa das apresentações da quarta digressão será constituído pelo Concerto para violoncelo em lá menor, de C. Ph. E. Bach, Dumbarton Oaks de Igor Stravinsky, e Sinfonia n.º 40 em sol menor, de W. A. Mozart.

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Um ‘Macbeth’ convincente no São Carlos

Verdi e o seu Macbeth continuam a fascinar, e não deixa isto de me surpreender dada a mediocridade literária do libreto e dada uma música que, não obstante a beleza de uma dúzia de momentos – ou, sendo generoso, de uma vintena –, e não obstante a sua importância histórica no processo de transformação da ópera italiana daquela época e, mais concretamente, no contexto verdiano, parece-me ser, à luz da nossa contemporaneidade e entre tantas centenas de outros títulos já canónicos, um repositório pouco feliz de lugares-comuns.

Como não se pretende uma crítica à obra mas ao espectáculo, ultrapasso esta confissão inicial – e muito pessoal – para aplaudir, com agrado e regozijo, a segunda récita desta produção a que tive o privilégio de assistir no passado dia 23 de Fevereiro (a estreia deu-se no último Sábado, dia 21).

Macbeth, cantado por Àngel Òdena, foi correcto e minimamente convincente, mas não deslumbrou: pedia mais profundidade e mais contraste esta figura psicologicamente errante… Lady Macbeth, insidiosa e malévola, ganhou com a prestação de Elisabete Matos, por outro lado, uma densidade psicológica muito para admirar. Vocalmente pareceu-nos um tanto cansada, com um vibrato aqui e ali menos bonito e com as finalizações em registo agudo algo descuidadas; o exacto final da sua última intervenção, na ária Una macchia è qui tuttora, pareceu algo precipitado e causou estranheza. Não isto obsta a que tenha defendido o papel – e fê-lo incontestavelmente – com grande brilho e virtuosidade.

A surpresa da noite foi, todavia, o baixo Giacomo Prestia, no papel de Banco: voz cheia, segura, com brio e sentimento. É uma lástima que o personagem morra logo no II acto, frustrando-nos a vontade de o voltar a ouvir… Enzo Peroni, como Macduff, teve uma presença baça mas competente; João Oliveira (1.ª Aparição e O Médico) e André Henriques (Um criado e Um sicário) apresentaram-se com correcção e clareza. Marco Alves dos Santos, enquanto Malcolm, foi feliz e enérgico. Destacaria as intervenções imaculadas de Bárbara Barradas como Aia de Lady Macbeth.

 

 

Encenação (Elena Barbalich), cenografia e figurinos (Tommaso Lagattolla) e desenho de luz (Giuseppe Ruggiero), também sem deslumbrar e sem qualquer rasgo de génio, lograram ainda assim propiciar imagens bonitas – a fotografia final, por exemplo, em que Malcolm é coroado –. Houve soluções menos felizes: os espelhos quebrados, manuseados em palco por diversos elementos, feriram como flashes dolorosos o olhar do público – pelo menos o da plateia – dado o reflexo da luz de projectores sobre o palco… e uma falsa cortina (ou falso bosque?), em projecção digital, por sinal com muito má qualidade de resolução gráfica, trouxe qualquer coisa de amador ao aspecto geral de algumas das cenas. Pormenores que não perturbaram a coesão cromática do sombrio espectáculo e que não retiraram a graça e o (relativo) interesse da grande íris que percorre toda a ópera num exercício instigante de constante re-significação: um grande olho a que as bruxas recorrem para comunicar com forças mágicas, a mesa do banquete, até um poço ou espelho de água, quase baloiço às mãos do filho de Banco, uma lua estilhaçada em pedaços de espelho…

A direcção pareceu razoável; o coro soou muito bem (Patria oppressa!), aqui e ali desencontrado com a orquestra, que se apresentou globalmente escorreita e até brilhante, excepto quando a orquestração de Verdi a reduzia a apenas violinos e a acústica implacavelmente seca do teatro não ajudava a disfarçar a tibieza – em timbre e em afinação – deste naipe.

[alert type=blue ]Macbeth volta à cena nos próximos dias 25 e 27 de Fevereiro, pelas 20h, e no dia 1 de Março pelas 16h. Vale muito a pena comprar um bilhete.[/alert]

Portovedo no Festival Impuls 2015

Hoje, pelas 19h30, teve lugar o concerto de encerramento do Festival Impuls 2015, em Graz, Áustria. O programa foi constituído não só por temas clássicos do século XX, como Pierrot Lunaire de Arnold Schoenberg, ou Salz de Enno Poppe, mas também por uma recente obra do jovem compositor japonês Hikari Kiyama, Lemminkäinen Suite.  Esta foi dirigida por Clement Power e contou com a participação, a solo, do saxofonista português Henrique Portovedo.

O concerto será transmitido posteriormente na rádio nacional Ö1 Zeit-Ton no dia 3 de Março, pelas 22h05.

O Festival Impuls deste ano decorreu entre os dias 13 e 24 de Fevereiro, com concertos, conferências, workshops, aulas, etc., em vários pontos da cidade de Graz, oferecendo ao público várias possibilidades de vivenciar e ouvir música contemporânea.

 

 

O currículo de Henrique Portovedo é vasto: apresentando-se em recitais no estrangeiro com frequência, nomeadamente no British Saxophone Congress 2011, World Saxophone Congress 2012, foi solista convidado no European Congress 2014 em Ciudad Real e no World Saxophone Congress 2015. É artista internacional D’Addario Woodwinds e Selmer Paris e tem discografia publicada em editoras como Naxos, Sumtone, Universal e R’Roots Productions. Recebeu vários prémios que o distinguiram na sua actividade: Prémio de Mérito da Fundação António Pascoal, Prémio de Mérito Artístico Fundação Eng.º António Almeida, 1.º Prémio do International Youth Soloist Contest Purmerend, na Holanda, Prémio Jovens Criadores em 2012. Em 2007 e 2008 recebeu vários Trinity Music Awards em Londres, entre os quais The Montague Cleeve Scholarship, The Bratton Scholarship e Trinity College London Scholarship. Estudou na ESMAE, no Conservatorium van Amsterdam, Trinity Laban London e Universidade de Aveiro. É presentemente investigador no CITAR – Universidade Católica Portuguesa e Professor Assistente no Koninklijk Conservatorium Brussel em Performance Musical Contemporânea.

Henrique Portovedo tem na sua agenda outros projectos e futuras apresentações de destaque, ainda no ano corrente: no dia 8 de Março, comunicação na ICNMC (International Conference on New Music Concepts), em Treviso-Veneza, Itália; dia 24 de Março, concerto de obras a solo para saxofone, KCB Brussel; dias 12 e 19 de Junho, gravação discográfica do projecto SoundGrounds, com música de Jorge Peixinho, Paulo Ferreira Lopes, João Pedro Oliveira e estreias de Igor Silva e Filipe Lopes; dia 10 de Julho, no Congresso Mundial de Saxofone, em Estrasburgo, participará como solista em Sofomania Senatus, de Hugo Correia, com a Orquestra de La Garde Républicaine Française.

Poderá ouvir Henrique Portovedo numa recente gravação para a Antena 2 clicando aqui.

Para saber mais sobre o Festival Impuls, consulte esta outra ligação.

The Bells Brass Ensemble em Torres Novas

Este agrupamento formado por instrumentos de metal e percussão nasceu em Maio de 2012. De acordo com o seu Presidente, Bruno Pascoal, tudo partiu da boa-vontade e iniciativa de um conjunto de músicos da zona centro. Uma vez que não existia nenhuma formação musical do género colmatou-se uma lacuna e prestou-se um serviço cultural à comunidade. Bruno Pascoal acrescenta que é também uma forma de haver um ponto de encontro entre professores e alunos das escolas de música e bandas filarmónicas do centro do país. O Director Artístico do projecto, Simão Francisco, acrescenta que muitos terminaram as suas licenciaturas e mestrados em instrumento e constataram que a sua vida musical estava a ficar reduzida ao ensino. Perceberam que não havia um local ou um grupo onde pudessem fazer música e trabalhar a um nível mais elevado. Constituir o The Bells Brass Ensemble foi a solução.

Numa fase mais avançada começaram a juntar-se ao grupo músicos mais jovens e ganhou-se também uma dinâmica formativa e educativa. Neste momento The Bells Brass Ensemble conta com 45 elementos com idades compreendidas entre os 16 e os 40 anos. Os elementos do sexo masculino estão em maioria, nas palavras de Simão Francisco, “quanto mais não seja por uma questão histórica do nosso país, em que os instrumentos de metal sempre foram mais associados ao sexo masculino do que ao feminino… isso ainda hoje continua, e este grupo não é excepção”.

Bruno Pascoal indica que um passo decisivo no percurso do grupo foi constituírem-se como associação, à qual preside, criada em Outubro de 2013. A partir daqui foi-se desenvolvendo uma série de actividades regulares, como é o caso de concertos e estágios de orquestra. Anualmente, em Ourém, ocorre um estágio de brass band e Orquestra.

No que diz respeito ao repertório executado, procuram tocar preferencialmente obras originais para este tipo de formação e não apenas arranjos e (ou) transcrições. Já existem obras escritas propositadamente para o grupo, como é o caso da Suite Templária (op. 23) do compositor espanhol José Blesa-Lull.

De todos os concertos realizados Bruno Pascoal destaca, precisamente, um concerto onde foi estreada a supra-mencionada Suite Templária, no Cine-Teatro de Ourém, em Janeiro de 2013. Por sua vez, Simão Francisco destaca a originalidade do projecto feito em parceira com  uma empresa de tratamento de águas residuais, a SIMLIS de Leiria. O grupo associou-se a uma campanha chamada “Esgotofonia”, com o objectivo de usar a música para alertar para os problemas da poluição da água. Nesse concerto foi estreado um instrumento novo, o “sanitofone” (bastante falado na comunicação social) sendo interessante saber que é possível associar a música em si a questões ambientais e importantes para o quotidiano das populações.

Inserido neste projecto surgiram também, recentemente, os The Bells Wood Ensemble, um grupo  de 35 elementos, só de madeiras, dirigido pelo maestro e director artístico Tiago Alves. Como não existia repertório para este tipo de formação, com excepção de uma obra de Phillip Spark, tudo se tem baseado no trabalho de arranjos feitos por Tiago Alves. Também aconteceu o caso de compositores portugueses com obras compostas que as re-orquestraram para a formação dos The Bells Wood Ensemble, como é o caso de Lino Guerreiro e da sua obra Maud’Adib.

[alert type=blue ]Os The Bells Brass Ensemble tocam já no próximo sábado à noite, 28 de fevereiro, no auditório do Choral Phydellius, em Torres Novas.[/alert]

Seminário em Évora com Jacques Derégnaucourt

O compositor francês Jacques Derégnaucourt estará em Évora no próximo dia 26 de Fevereiro para um seminário que decorrerá no auditório do Colégio Mateus de Aranda, Escola de Artes da Universidade de Évora, num evento com organização da Doutora Ana Telles, docente no Departamento de Música da mesma universidade.

O seminário consistirá em dois momentos distintos. No primeiro, que decorrerá entre as 11h00 e as 13h00, o convidado irá proferir uma conferência com o título “Hedonisme sonore et liberté de la forme”, focando-se na pesquisa de timbres de sons acústicos e electrónicos e na aproximação poética à obra durante o processo de composição, expressão de todo o tipo de sons, conservação do impacto melódico-harmónico como base de toda a música e influências musicais do passado e do presente. O segundo momento consistirá de um workshop, das 14h30 às 18h00, “La curiosité et l’envie de la découverte, sensations nouvelles”, com as linhas orientadoras da curiosidade como chave da descoberta musical, tanto na escuta como na prática instrumental e vocal, abordando a improvisação a solo ou em grupo, a escuta de músicas tradicionais e dos diferentes movimentos de avant-garde, e a improvisação no processo criativo.

As inscrições para o workshop deverão ser feitas junto do secretariado do Pólo de Évora do CESEM, junto da D. Maria Ana Duarte Silva ([email protected]), com um custo de inscrição de 5 euros para alunos da Universidade de Évora e de 10 euros para alunos externos.

Jacques Derégnaucourt nasceu em 1958, iniciando os estudos musicais aos oito anos de idade. Estudou violino, bem como a maioria das disciplinas de uma formação clássica, nos conservatórios de Douai e de Saint-Maur, obtendo em 1980 o Diploma Superior de Execução na École Normale de Musique de Paris. Desde cedo foi incitado à composição e à improvisação, nutrida por múltiplos aspectos do som através do instrumento, da voz e dos meios electrónicos. Paralelamente, o métier de instrumentista deu-lhe o sentido da forma vivido a partir do interior, tanto no repertório barroco (no seio de formações como a Académie Sainte-Cécile, La Grande Écurie et La Chambre du Roy, Les Talents Lyriques) e clássico (como violinista na Orquestra Nacional de Lille de 1981 a 1985 e como concertino na Orquestra de Douai de 1986 a 1993), assim como em obras contemporâneas e na improvisação (solista do Ateliê Instrumental de Expressão Contemporânea de Lille de 1982 a 1989 e do Ensemble Polychromie de 1987 a 1994), estreando enquanto solista obras como Uraeus de Jacques Lenot (1988). Colabora desde 1992 com a companhia coreográfica Monique Duquesne, a orquestra Les Symphonistes Européens e o Ensemble Musica des Flandres desde 1998. Da sua extensa discografia constam vários trabalhos editados na colecção Signature da Radio-France.

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