Uma nova orquestra para uma gala especial

Acaba de ser fundada a Orquestra de Câmara do Alentejo, que realizará o seu concerto de estreia no Auditório Municipal de Reguengos de Monsaraz, no próximo dia 20 de Fevereiro, no âmbito da gala de abertura de ‘Reguengos Cidade Europeia do Vinho 2015’.

O programa do concerto inclui a abertura Coriolan, op. 62, de Ludwig van Beethoven, o Concerto para clarinete e orquestra em lá maior KV. 622, Ave verum corpus KV. 618 de Wolfgang Amadeus Mozart, e a Sinfonia n.º 1 em dó maior, op. 21, de Beethoven.

O clarinetista António Menino será o solista do concerto de Mozart, contando também a Orquestra de Câmara do Alentejo com a colaboração do Coro da Sociedade Filarmónica Harmonia Reguenguense, Coro Polifónico Eborae Musica e Coral Públia Hortência de Castro. A orquestra será dirigida por João Defesa.

 

 


Natural de Lisboa, António Menino iniciou os estudos musicais como clarinetista com o seu pai aos dez anos de idade. Fez o curso de Clarinete na Escola de Música do Conservatório Nacional com os professores Marcos Romão dos Reis, António Saio e Jorge Trindade. Posteriormente, estudou na Escola Superior de Música de Lisboa com o professor Francisco Ribeiro. Em 1981 ingressou na Banda da Armada, onde desempenha desde 1983 as funções de solista, coordenador de naipe e professor. Realizou várias gravações para a RTP e RDP, apresentando-se em vários concertos no estrangeiro, em países como os E. U. A., Espanha, França, Itália, Suíça, Bélgica e Polónia, como solista ou colaborando com agrupamentos de música de câmara.


Clique aqui para visitar a página Facebook da orquestra.

Um novo grupo e uma nova temporada no Baixo Alentejo

O novíssimo grupo SevenDixie actuou no passado dia 11 de Fevereiro, no Teatro Municipal Pax Julia, em Beja, no âmbito da Primeira Temporada de Concertos CRBA 2015, numa co-produção entre o Conservatório Regional do Baixo Alentejo e a Câmara Municipal de Beja.

O programa incluiu standards do ragtime, blues e dixieland que se tornaram célebres através das interpretações de músicos como Louis Armstrong, King Oliver, Johnny Dodds ou os Rebels Dixie. O SevenDixie foi fundado em Outubro de 2014 e é composto por Patrícia Camelo (clarinete), Pedro Gil e João Carlos Araújo (trompetes), Nuno Lopes (trombone), João Rasteiro (tuba), Mário Lopes e André Domingos (percussão).

Este foi o segundo concerto da Primeira Temporada de Concertos do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, que decorrerá durante o ano de 2015 com recitais a solo e de música de câmara, desde a música antiga à música do século XXI, da música erudita ao jazz.

A programação desta temporada é o resultado das propostas apresentadas pelos docentes que, dada a especificidade institucional do Conservatório, são entendidas como a apresentação do trabalho artístico individual de cada docente para o público, assim como uma oportunidade de complemento formativo individual aos alunos.


Visite a página Facebook dos SevenDixie

Visite o site oficial do Conservatório Regional do Baixo Alentejo

FOLEFEST 2015

Amanhã, dia 14 de Fevereiro de 2015, pelas 21h30, terá lugar no Salão Nobre da Escola de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, o concerto de abertura do festival Folefest 2015. O Folefest tem-se afirmado ao longo das várias edições como um marco relevante para a divulgação do repertório clássico para acordeão em Portugal, contando com a participação e presença de músicos nacionais e internacionais, quer como intérpretes, quer como jurados.

O concerto de abertura deste ano será protagonizado pelo acordeonista Xu Xiaonan, diplomado pelo Conservatório Central de Música de Pequim, onde trabalhou com o professor Cao Xiaoquin desde o ano de 2003. Xu Xiaonan detém os primeiros prémios de concursos internacionais de acordeão em Itália e na Alemanha, realizados em 2011 e 2012, sendo também relevante na sua carreira a colaboração activa com vários compositores.

O programa do recital de acordeão solo será constituído por obras de J. S. Bach (Fuga em sol menor,BWV 578), Sofia Gubaidulina (Musical Toys), Magnus Lindberg (Jeux d’anches), Petri Makkonen (Disco-Toccata), Gokka Hermosa (Zhèng Zài) e Paulo Jorge Ferreira, director artístico do evento (8.º Andamento da Suíte n.º 1 – Imagens de Pac-Chen), salientando-se as obras A Dream do próprio executante e Gazing after you de Li Bochan, ambas em estreia na Europa.

Para saber mais sobre o festival Folefest,  visite www.folefest.com.

Filipe Pires (1934-2015)

 

Filipe Pires morreu este Domingo no Hospital de São João, no Porto, aos 80 anos. Nascido em Lisboa em 1934, viveu no Porto desde 1960 e tornou-se num dos mais importantes nomes da música portuguesa da segunda metade do século XX. Compôs música instrumental e electroacústica, deixando uma vasta obra que é, hoje, praticamente desconhecida e na sua maioria discograficamente inédita.

 

 

Estudou Piano e Composição no Conservatório Nacional, estudando com Artur Santos, Lúcio Mendes e Croner de Vasconcellos. Como bolseiro do Instituto de Alta Cultura, estudou na Alemanha e na Áustria, apresentando-se então como pianista e compositor em vários países europeus. De regresso a Portugal, foi nomeado professor de Composição do Conservatório de Música do Porto, ocupando, durante dez anos, o lugar deixado por Cláudio Carneyro.

Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, assistiu a cursos de Boulez e Stockhausen em Darmstadt e estagiou dois anos em Paris sob a orientação de Pierre Schaeffer. Novamente em Portugal, desempenhou funções docentes e directivas no Conservatório Nacional. De 1975 a 1979 volta a Paris como Especialista de Música no Secretariado Internacional da UNESCO, cargo ao abrigo do qual foi enviado em missões oficiais a vários países da Europa de Leste, da África e da América Latina.

Premiado em vários concursos internacionais de Composição, conquistou também o Prémio Nacional Calouste Gulbenkian, que em 1968 distinguiu a sua obra coral-sinfónica Portugaliae Genesis.

Foi ainda Presidente da Juventude Musical Portuguesa, membro da Comissão Nacional da UNESCO, Director da Academia de Música de Paços de Brandão, Vice-Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, membro do Conselho Artístico da Cooperativa Sinfonia e Vogal da Comissão Instaladora da Escola Superior de Música do Porto, onde foi também Professor de Composição. Em 1997 foi nomeado Director Artístico da Orquestra Nacional do Porto, cargo que desempenhou durante dois anos.

Para a pianista Madalena Soveral, em declarações à Lusa, “É um dos compositores portugueses mais importantes do século XX”. Também a Casa da Música lamentou a morte de Filipe Pires, recordando que o compositor apresentou, em 2011, uma obra encomendada pela instituição: Imagens sonoras.

A missa de corpo presente vai realizar-se esta segunda-feira, às 10h30, na Igreja da Areosa, no Porto, de onde o funeral partirá para o cemitério de Penafiel.

Ludovice Ensemble celebra o 10.º aniversário

O nome do agrupamento Ludovice Ensemble homenageia Johann Friederich Ludwig, ou Ludovice, como era conhecido em Portugal. Este arquitecto e ourives natural da região da Suábia, na Alemanha, esteve ao serviço de D. João V e foi o arquitecto que projectou o Palácio Nacional de Mafra. Foi aí que, a 22 de Outubro de 2005, o Ludovice Ensemble se apresentou a público pela segunda vez, decidindo adoptar a data como o momento oficial do nascimento da sua formação. Esse concerto de 2005 foi dedicado à música barroca francesa, tendo então interpretado cantatas e concertos de Jean-Baptiste Stuck, Jacques Morel, André Campra, François Couperin e Joseph Bodin de Boismortier. Evidenciava-se assim, desde o início, um projecto artístico sólido e consagrado à interpretação do repertório musical francês dos séculos XVII e XVIII, tanto de compositores mais conhecidos como de outros mais esquecidos. Além da música francesa, o agrupamento tem-se dedicado também aos repertórios do barroco português, espanhol, italiano, inglês e alemão, sempre de acordo com a perspectiva da interpretação historicamente informada.

O Ludovice Ensemble foi criado por Fernando Miguel Jalôto (cravo e órgão) e Joana Amorim (traverso), tendo no concerto de 2005 contado ainda com Sofia Diniz (viola da gamba) e Orlanda Velez (soprano). O agrupamento nunca se limitou a um só formato, podendo variar, consoante o projecto, de duo até à orquestra, contando actualmente com uma vasta lista de colaborações. Ao longo de dos últimos anos tem mostrado a sua arte em diversos concertos e festivais, em Portugal e no estrangeiro. Tem também dedicado alguma atenção à gravação, tendo editado em 2012, na etiqueta Ramée, o CD Amour, viens animer ma voix.

Passados 10 anos de actividade e de crescimento, o Ludovice Ensemble reúne-se para um concerto comemorativo no Centro Cultural de Belém, no próximo dia 17 de Fevereiro. Regressa ao seu repertório de eleição, as obras instrumentais francesas do período barroco, festejando em simultâneo o décimo aniversário e a música de François Couperin (1668-1733), dado que em 2015 se assinala também a passagem de 300 anos da composição dos Concerts Royaux. Estes quatro concertos foram escritos em 1714-1715 para serem tocados nos pequenos concertos patrocinados semanalmente por Luís XIV (1638-1715), aos quais Couperin era convidado a participar. Trata-se de peças destinadas a agrupamento instrumental reduzido, que seguem uma estrutura de suite. De musicalidade elegante, característica das composições de Couperin, serão certamente favorecidas pela interpretação cuidada a que o Ludovice Ensemble nos tem vindo a habituar.

Uma última nota sobre este concerto, capaz de convencer os mais indecisos e gulosos: foi anunciado na sua página de facebook que o Ludovice Ensemble encomendou à pastelaria Versailles uma generosa quantidade de éclairs para servir aos fãs e amigos no concertos de aniversário e assim brindar a muitos mais anos de actividade.

O Ludovice Ensemble no REMA
Ludovice Ensemble em concerto na Casa da Música

Outros dos concertos do Ludovice Ensemble já agendados para 2015 são:

  • a 3 de Abril apresentam na Igreja do Bonfim, Porto, Charpentier, De Lalande e Couperin;
  • a 24 de Maio, na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, juntam-se ao coreógrafo Olivier Collin para interpretarem em conjunto Rebel, Pisendel, Rameau, Haendel e Debussy;
  • a 13 de Setembro regressam ao Centro Cultural de Belém, com o Huelgas Ensemble, para uma ópera de Francesca Caccini;
  • a 11 e 12 de Outubro deslocam-se até à Madeira e, no âmbito do Festival de Órgão da Madeira, tocarão peças de Capellini, Lonati, Scarlatti, Corelli, Albinoni, Mascitti e Carlos Seixas.
  • em data a definir, o agrupamento irá participar igualmente na edição deste ano do Festival Dias da Música, em Belém (que decorrerá a 25 e 26 de Abril).

Mais informações na página do Ludovice Ensemble na Internet.

 

O novíssimo Funchal Baroque Ensemble

Em maio de 2013, por iniciativa de um grupo de músicos (dois madeirenses e dois estrangeiros), foi criado o primeiro agrupamento dedicado à música barroca. Essa primeira formação apresentava-se com o nome de “O Sonho de Orpheu”. Desde a sua criação, foi acolhido no âmbito da Associação Orquestra Clássica da Madeira (AOCM), instituição de utilidade pública, fundada em 1964, que viu a sua atividade orquestral ser interrompida por decisões governamentais (o que levou à criação de uma nova associação, Notas e Sinfonias Atlânticas, que gere, atualmente, a Orquestra Clássica). No entanto, a associação originária manteve a sua atividade cultural, dedicando-se à realização de concertos de música de câmara em dois ciclos diferentes: (1) Madeirenses & Amigos em Palco (em que é dada prioridade aos músicos madeirenses que seguiram uma carreia de instrumentista e que se encontram a trabalhar fora da região; e (2) o agrupamento “O Sonho de Orpheu”.

Este último, a quem se dedica este artigo, realizou entre 2013 e 2014 quarenta e um concertos, através de sete ciclos temáticos, nomeadamente “As extravagâncias de Orpheu”, com a participação especial da flautista Carla Abreu (5 concertos); “Outonos de Vivaldi” com o artista plástico Fabian Contreras (7 concertos); “Haendel & Purcell: Sinfonias e árias de ópera”, com o barítono Moisés Freitas (8 concertos); “Barroco Instrumental” (7 concertos); “Johann Sebastian Bach” (4 concertos); “Concerto Italiano” com a violinista Adela Hyskova (5 concertos) e “Advento Barroco” (5 concertos). Todos estes ciclos compreenderam a montagem de repertórios diferentes. Para os músicos desde agrupamento, a sua criação simbolizou a oportunidade de tocar e desfrutar a excelência do repertório barroco, pelo que o prazer de tocar, o companheirismo e cumplicidade entre todos e o “entretenimento” são o mote para qualquer ciclo que realizam.

A partir deste ano de 2015, o grupo decidiu alterar a sua denominação para Funchal Baroque Ensemble e tem como objetivos principais: (1) efetuar um trabalho de fusão das diferentes sonoridades dos instrumentistas do agrupamento, orientando-se pela busca de soluções tímbricas e interpretativas originais e cativantes, e explorando, deste modo, algumas peculiaridades interessantes do compromisso entre a prática de execução barroca e os instrumentos modernos; (2) aumentar a qualidade musical, quando comparando o trabalho que foi efetuado até agora, recorrendo, se necessário, a um maior número de convidados, de modo a que possam enriquecer musicalmente os seus ciclos e concertos; (3) continuar a manter ciclos temáticos que sejam de interesse tanto para o público residente na Região Autónoma da Madeira como para os turistas; (4) pesquisar e introduzir música barroca ibérica (adaptada à sua constituição instrumental) num dos ciclos, de modo a dar a conhecer o património do barroco musical de Portugal e de Espanha.

O grupo ambiciona a criação de um canal no Youtube, de modo a conseguir divulgar on-line o trabalho que realiza e, desse modo, quiçá, realizar uma digressão pelo continente português (em 2016), nomeadamente participando em festivais de música barroca.

Com o apoio da Associação Orquestra Clássica da Madeira, o Funchal Baroque Ensemble pretende ainda, em 2015, gravar o seu primeiro CD.

Ao nível da direção artística e organizativa, o ensemble conta com Giancarlo Mongelli, responsável pela seleção, pesquisa e escolha da temática de cada ciclo e diretor artístico, e Sara Faria com a responsabilidade de organizar os programas e respetivas notas, bem como colaborar na divulgação de cada concerto, em articulação com a direção da AOCM.


 

Sara Freitas Faria – flautas de bisel

Nasceu no Funchal. É mestre em Educação Musical pela Escola Superior de Educação de Setúbal e licenciada em Flauta de Bisel pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou flauta de bisel com Pedro Couto Soares e música de câmara com Stephen Bull e Olga Prats. Tem frequentado aulas e masterclasses com os flautistas Maurice Steger, Heiko ter Schegget, Leo Meilink, entre outros. Tem participado em concertos como solista e em música de câmara pelo país e estrangeiro. Participou em gravações de CDs de música tradicional madeirense. Atualmente é professora Flauta de Bisel e diretora artística dos Grupos Consort Bisel e Dolcemente na Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia da Madeira.

Alexandra Vieira – violino

Nascida no Funchal, concluiu o Curso Superior de Violino no Conservatório Nacional de Lisboa. Foi Professora de Violino e Formação Musical no Conservatório de Setúbal, colaborou com diversas orquestras: Juvenil Portuguesa, Sinfónica da RDP, Nacional do Teatro S. Carlos, Portuguesa da Juventude e foi estagiária na Orquestra Nova Filarmonia. É Licenciada em Ciências da Educação e exerce as funções de professora de Violino e Orientações Musicais na Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia da Madeira.

Sandra Sá – violino

Nasceu no Funchal. Iniciou os seus estudos de violino no Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira. Prosseguiu a sua formação neste instrumento com o professor Radu Ungureanu na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo no Porto, onde se licenciou. Durante o seu percurso tem tocado com várias orquestras e conjuntos de música de câmara participando em vários concertos e festivais em Portugal e no estrangeiro. Participou na gravação de alguns CDs de música tradicional madeirense. Obteve o grau de mestre pela Escola Superior de Educação no Porto. Atualmente é professora de violino no Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira.

Mikolaj Lewkowicz – violoncelo

Nasceu em Varsóvia, Polónia. Estudou violoncelo na Universidade de Música “Fryderyk Chopin” em Varsóvia, onde foi aluno do conceituado violoncelista Andrzej Zelinski. Terminando o mestrado em belas-artes, iniciou a sua carreira como violoncelista profissional na Ópera da Câmara de Varsóvia, tendo sido também co-fundador e solista no Ensemble Concentus Pro Arte. Em Portugal foi chefe de naipe da Orquestra do Norte, músico de câmara no Quarteto Lusitano e mais tarde no quarteto A Vista e Quarteto Madeira Clássico. Também efetuou gravações para TVP e RTP-M. Atualmente é violoncelista na Orquestra Clássica da Madeira e no Ensemble XXI.

Giancarlo Mongelli – cravo e direção artística

Nascido em Itália, é formado em piano e cravo e vencedor de concursos de piano e de música de câmara nacionais e europeus. Conta no seu currículo com mais do que uma centena de atuações enquanto solista, solista com orquestra e integrado em agrupamentos de música de câmara. Atualmente é professor de piano e cravo no Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira.

Chamada para artigos: ‘The Serenata and the “Festa Teatrale” in the 18th Century Europe’

Está aberta a chamada de artigos para o Colóquio Internacional ‘The Serenata and the Festa Teatrale in 18th Century Europe’, a realizar nos dias 26 e 27 de Junho de 2015, no Palácio Nacional de Queluz, Portugal.
 
Através deste colóquio pretendem-se diferentes abordagens que tenham em consideração os múltiplos aspectos destes géneros e que envolvam os contextos de celebração e escolha de temas, as estruturas musicais e textuais, as formas dramatúrgicas, os agrupamentos vocais e instrumentais, assim como as preocupações cénicas e performativas, fomentando-se o diálogo sobre a produção e circulação dos principais géneros musicais praticados no Palácio de Queluz ao longo do século XVIII.
 
O encontro é organizado pelo Centro de Estudos Musicais Setecentistas de Portugal (Divino Sospiro), tendo como comité científico Manuel Carlos de Brito (Portugal), Paologiovanni Maione (Itália), Annarita Colturato (Itália), Cristina Fernandes (Portugal) e Iskrena Yordanova (Bulgária), e como oradores principais Andrea Sommer-Mathis (Áustria) e Annarita Colturato (Itália).
 
As propostas deverão ser submetidas em formato *.doc até ao dia 31 de Março de 2015, juntamente com o nome do autor, contactos, filiação institucional, um resumo de aproximadamente 300 palavras e uma pequena biografia, de cerca de 150 palavras. As comunicações individuais não devem exceder os vinte minutos, enquanto os painéis temáticos, de três ou quatro oradores, deverão respeitar a duração máxima de uma hora e trinta minutos. As propostas serão debatidas até ao dia 10 de Abril de 2015 e a decisão final do comité científico será imediatamente comunicada aos oradores.
 
Para mais informações e para o envio de propostas contacte [email protected] ou visite o blogue oficial.

Manifestação pelo Ensino Artístico

 

O “Movimento reivindicativo do Ensino Artístico Especializado”, de que fazem parte nomes como Ana Paula Russo, Catarina Sousa, David Costa, Duarte Lamas, Gláucia Leal, Joana Madeira, João Pedro Silva, Luísa Marcelino, Marta Costa, Nuno Bettencourt Mendes, Rui Nabais, Rui Paiva, Sílvia Sobral e Suzana Batoca, está a organizar uma manifestação para o próximo dia 9 de Fevereiro, às 11h, na Av. 5 de Outubro, Lisboa (em frente ao Ministério da Educação e Ciência).

Segundo a convocatória,

[…] perante a incapacidade do Sr. Ministro da Educação e do Sr. Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário em zelar pela qualidade técnica dos diretores e chefes de serviços responsáveis pela gestão documental e administração/emissão de pagamentos do financiamento público absolutamente consagrado na Lei a este subsistema, os mais de 3000 professores e funcionários destas escolas estão em média com 3 a 5 meses de salários em atraso. Muitos deles estão a passar por enormes problemas financeiros, sofrendo dificuldades familiares várias. Toda esta situação deve, pois, ser do conhecimento de toda a sociedade Portuguesa e das instâncias comunitárias da União Europeia. […]

 

Apelando à participação de toda a sociedade civil, o Movimento prepara ainda a interpretação, durante o encontro, da obra Acordai de Fernando Lopes-Graça, sob poema de José Gomes Ferreira — o que vem já sendo hábito incontornável em manifestações desta natureza. O momento será dirigido por António Victorino d’Almeida. Todos os que quiserem colaborar podem obter as partituras através desta ligação, onde é também possível ler o texto completo da convocatória.

O Brahms de Teresa da Palma Pereira

06/02/2015, 18h30, FNAC Colombo

 

Se é certo que existem no mundo muitas gravações do grandioso Concerto n.º 1 em ré  menor para piano e orquestra de Johannes Brahms, o facto é que esta é a primeira gravação da História que junta uma pianista portuguesa e uma orquestra e maestro portugueses. O feito, de grande responsabilidade, coube à jovem pianista Teresa da Palma Pereira, acompanhada pela Orquestra do Norte sob a direcção do maestro José Ferreira Lobo.

Inicialmente composto para ser uma sinfonia, o concerto para piano acabaria por nascer da insatisfação de Brahms com o resultado obtido, tendo a partitura ainda passado por uma fase de “sonata para dois pianos” até chegar à forma que hoje conhecemos. Apesar destes percalços, o resultado foi uma obra com “incomparáveis golpes de génio” (segundo Glenn Gould) e com aqueles belíssimos contrastes entre momentos de grande lirismo e de dramatismo exacerbado, que encontramos um pouco por toda a produção pianística de Brahms.

O disco foi gravado em Agosto de 2014 no Conservatório do Porto e, esta 6.ª feira, dia 6 de Fevereiro, pelas 18h30, terá uma apresentação na FNAC do Colombro. Será também relançado o disco a  solo da mesma pianista, A Valsa Transfigurada, onde o destaque vai para a interpretação do Carnaval op. 9 de Robert Schumann.

 

 


Teresa da Palma Pereira

Licenciou-se em Piano na Escola Superior de Música de Lisboa, sob a orientação de Tânia Achot. Depois de concluído o mestrado em Performance Musical na Escola de Artes da Universidade Católica do Porto, sob a orientação de Filipe Pinto-Ribeiro, com a classificação máxima na Prova de Concerto, realizou um pós-graduação no Koninklijk Conservatorium de Bruxelas sob a orientação de Jan Michiels. Actualmente desenvolve uma investigação de Doutoramento sobre Schumann na Universidade Católica do Porto, sendo orientada por Sofia Lourenço.

Foi laureada com vários prémios nacionais e internacionais, em prestigiados concursos de piano. Tem realizado vários recitais em Portugal, nomeadamente com orquestra portuguesas, e já actuou também na França, Bélgica, Holanda, Hungria, Suécia, Brasil e China.

Colóquio António José da Silva

6 e 7 de Fevereiro, Museu Nacional do Teatro, Lisboa

 

 “310” pode não parecer um número muito redondo. Mas qualquer número deveria servir de pretexto para celebrar o nascimento de um dos maiores génios do teatro português.

António José da Silva nasceu nos arredores do Rio de Janeiro a 8 de Maio de 1705.  Seguindo os passos do pai, ingressou na Universidade de Coimbra em 1725, para estudar Direito, mas nunca concluiu o curso, em grande parte devido à perseguição exercida pela Inquisição (que ainda haveria de pôr um fim precoce e cruel à sua existência). Voltou-se então para o teatro, encontrou a sua “casa” no Teatro do Bairro Alto da Lisboa joanina, e um parceiro musical em António Teixeira  um dos músicos bolseiros que o Rei D. João V havia enviado para estudar em Roma, juntamente com Francisco António de Almeida.

Porém, a linguagem musical que Teixeira desenvolveria para as obras “joco-sérias” sobre os textos do “Judeu” seria bem diferente da que encontramos numa La Spinalba, de F. A. Almeida. Apesar de ali se encontrarem os traços da ópera italiana, ao que parece, estes não eram tanto usados como modelo formal mas mais como sátira à própria praxe italiana.  Se juntarmos à música de Teixeira a influência formal da zarzuela espanhola, a tradição teatral vicentina, a conjugação de vários processos do cómico (de linguagem, de gestos, de intriga, de ideias e até de vestuário) e a inteligência e perspicácia com que António José da Silva observava e retratava a sociedade do seu tempo  com a peculiar utilização de marionetas como “actores-cantores”,  temos como resultado um modelo de ópera que, ainda que híbrido, acaba por ser o mais genuinamente português que encontramos na nossa História.

O Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM) da Universidade Nova de Lisboa propõe celebrar, nos dias 6 e 7 de Fevereiro, num colóquio internacional (a ter lugar no Museu Nacional do Teatro), a “figura de António José da Silva, seu entorno, suas influências, suas óperas”. O objectivo será “contribuir para o estabelecimento de uma percepção global da importância do legado deixado por António José da Silva para a ópera e o teatro em língua portuguesa”.

Poderão consultar o programa nesta ligação:  www.coloquioantoniojosedasilva2015.com .

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