Maratona Ópera XXI: concurso para novas árias

Estão abertas até 30 de Abril as candidaturas de um concurso para novas árias no âmbito da “Maratona Ópera XXI 2021”, promovida pelo festival OPERAFEST LISBOA. Trata-se da segunda edição de uma iniciativa que procura dinamizar o cenário da ópera em Portugal, tendo este ano como mote a composição de árias. Segundo a organização, o evento pretende “potenciar novos compositores, novo repertório, novas óperas, novos intérpretes, para criar a ópera do futuro e aproximá-la do mundo de hoje”.

Dirigido a compositores de até 40 anos, o concurso, designado Prémio Carlos de Pontes Leça em homenagem ao reconhecido programador e musicólogo, falecido há cinco anos, será dado a uma ária original, em português, e terá o valor de 1500 euros.

O concurso incluirá espectáculo público, estruturando-se em três etapas: selecção de candidatos, eliminatória e final.

Mais informações em www.operafestlisboa.com.

A novela da requalificação do Conservatório Nacional

Em 2015, a Glosas publicou cinco notícias sobre o mau estado em que se encontrava o Conservatório Nacional, instalado no Convento dos Caetanos, sobre as necessárias obras de requalificação, sobre as manifestações então em curso, sobre as dificuldades financeiras. Em Fevereiro, Luís Salgueiro diagnosticava uma “Semana de ruptura“; em Março, João Romão reflectia sobre a luta necessária e Filipe Gaspar acompanhava a onda de protestos, de que se destacava uma vigília organizada por alunos; em Novembro, Luís Salgueiro noticiava um pedido de donativos. E, finalmente, anunciava-se o começo da recuperação.

Mais de cinco anos depois, o que aconteceu? Foi recentemente publicado no Diário da República (12/03/2021) o aviso de lançamento de um novo concurso público internacional para a empreitada de conclusão das obras de reabilitação do edifício. Isto na sequência de, em 2018, ter sido lançado um primeiro concurso para o qual não apareceram candidatos (o valor para a reabilitação era então de 10.580.000,00 euros), ao que foi depois lançado um novo concurso que, graças ao valor reajustado, obteve interessados, mas o empreiteiro que ganhou a empreitada abandonou os trabalhos por falência…

Este novo concurso público, lançado neste mês pela Parque Escolar, entidade que assumiu a posse administrativa do edifício, para a realização das obras de reabilitação das Escolas Artísticas de Música e Dança do Conservatório Nacional, foi anunciado com o valor de 13095000.00 euros, com prazo de execução de 22 meses.

Situado no Bairro Alto, o Convento dos Caetanos apresenta problemas estruturais desde a década de 1990. Será que é desta?

Eis o V Festival de Música Religiosa de Guimarães!

O Município de Guimarães tem vindo a desenvolver, desde 2016, o Festival Internacional de Música Religiosa de Guimarães (FIMRG), cuja quinta edição decorre este ano entre os dias 27 de Março e 3 de Abril. Em virtude das circunstâncias provocadas pela pandemia de Covid-19, a presente edição apresentar-se-á apenas em formato digital. Todos os espectáculos terão transmissão na nova plataforma digital do Município: “Em Guimarães”.

A música religiosa representa uma parcela importante dos alinhamentos nas temporadas regulares dos festivais de música erudita de hoje, um pouco por todo o mundo, nos quais se assiste a uma programação diversificada composta por oratórias, paixões e missas, entre outras obras renomadas. Esta edição do FIMRG, sob a direcção artística de Elisabete Matos e Augusto Alvarez, contempla sete concertos, gravados em diferentes espaços de Guimarães e posteriormente transmitidos, sempre às 21h30. Segundo Elisabete Matos, “Guimarães teve a capacidade de se recriar e reinventar num esforço estratosférico para continuar a prestar serviço público e permitir trabalho aos artistas que estão a passar por dificuldades. Esta solução mostra que Guimarães é uma cidade com capacidade de reacção e reinvenção imediata”.

 

 

O festival tem início a 27 de Março com o grupo vocal Cupertinos, sob a direcção de Luís Toscano, num programa com o título Tristis Est Anima Mea, gravado na Basílica de São Pedro. A primeira parte do concerto é preenchida com obras de D. Pedro de Cristo, um dos mais notáveis elementos da Escola do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, e a segunda parte – depois da obra Vexilla regis, de autor anónimo, inserida no período maneirista – contará com um Magnificat de Francisco Guerrero e uma Missa de Pedro da Esperança. No dia seguinte, Domingo, Leonor Barbosa de Melo (soprano), José Carlos Araújo (cravo) e Nuno Cardoso (violoncelo) interpretarão “Cantatas e Sonatas de Scarlatti, Bach e Kuhnau”. Este programa inclui as duas primeiras Sonatas Bíblicas de Johann Kuhnau, muito raramente interpretadas, a par de música de dois outros vultos maiores do barroco italiano e alemão.

Na semana de Páscoa, o primeiro programa será transmitido no dia 30 de Março, com o barítono André Baleiro e o Ludovice Ensemble, sob a direcção de Fernando Miguel Jalôto, propondo a audição das mais belas páginas escritas por J. S. Bach para a paixão de Cristo. No dia seguinte, na Igreja de São Francisco, a Orquestra de Guimarães e o maestro José Eduardo Gomes apresentarão, acompanhados por Regina Freire e Marta Magalhães, o Stabat Mater de G. B. Pergolesi, precedido pela Suíte de São Paulo, de Gustav Holst.

No primeiro dia de Abril, o contratenor Konstantin Derri, José Carlos Araújo e Nuno Cardoso interpretam obras de Antonio Vivaldi, Alessandro Scarlatti e Joseph Haydn, protagonizando, na Capela Palatina do Paço dos Duques de Bragança, um concerto que expressa a intensidade da dor da Virgem face à morte do seu Filho na cruz. No dia seguinte, Sexta-feira Santa, a transmissão estará a cargo do Quarteto de Cordas de Guimarães. Ouvir-se-ão as Sete últimas palavras de Cristo na cruz, Hob. XX:1, de Haydn, baseadas num conjunto de sete breves frases, retiradas de vários evangelhos, que Jesus pronunciou durante a sua crucificação.

Esta edição do FIMRG terminará a 3 de Abril com um concerto marcado pela figura da Virgem Dolorosa. Os solistas Dora Rodrigues, Rossana Rinaldi, Marco Alves dos Santos e André Henriques dão voz a “Rossini Sacro”, acompanhados ao piano por Cristóvão Luiz.


Programa completo disponível aqui.


 

Spot da edição do Festival Internacional de Música Religiosa de Guimarães de 2018

PODCAST | Música escrita e improvisada (08/2020)

Desde há alguns meses tem sido possível ouvir, no último Domingo de cada mês, o novo podcast Glosando pela música da lusofonia, um programa da revista Glosas com transmissão em directo na rádio-café Lusophonica, no Farol de Santa Marta, em Cascais.

A glosas.mpmp.pt relembra agora a segunda sessão, transmitida a 30 de Agosto, com o compositor convidado Luís Salgueiro, que nos apresentou música contemporânea escrita e improvisada, com obras de João Barradas, João Castro Pinto, Dead Combo, Gabriel Ferrandini e Andreia Pinto Correia, entre outros (ver alinhamento completo abaixo).

A edição encontra-se agora disponível no canal Vimeo da Lusophonica. Se não teve oportunidade de ouvir, poderá fazê-lo através deste link.

 


Luís Salgueiro é compositor de música instrumental, electrónica e mista, licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou sob a orientação dos professores António Pinho Vargas, Carlos Marecos e Luís Tinoco. Foi compositor residente do Ensemble Juvenil de Setúbal, na sua temporada inicial. Para além do seu trabalho criativo, dedica-se também à edição e à musicografia, com especial atenção à música contemporânea, tendo já contribuído para o catálogo de algumas das mais importantes editoras europeias. Coordena os esforços editoriais do MPMP no que a partituras concerne, e serviu como director de conteúdos da revista Glosas.


 

Alinhamento

 

João Barradas (1992-), Solo I (do álbum Live at CCB)
João Barradas, acordeão

João Castro Pinto (1977-), Sonotope V; Sonotope IV
(do álbum SUNTRIA – imaginal sonotopes)

Alexandre Rey Colaço (1854-1928), Fado n.º 8; Fado n.º 9

Dead Combo, Faduncho (do álbum Odeon Hotel)

Cândido Lima (1939-), Gestos-Circus-Círculos (do álbum Oceânides)
Sond’Ar-te Electric Ensemble
Ensemble Aleph
Pedro Amaral, direcção

Dead Combo, Esse olhar que era só teu (do álbum Lisboa Mulata)

Gabriel Ferrandini (1986-), Rua da Academia das Ciências;
Travessa dos Fiéis de DeusRua da Barroca (do álbum Volúpias)
Hernani Faustino, contrabaixo
Pedro Sousa, saxofone tenor

Andreia Pinto Correia (1971-), String Quartet n.º 1: Unvanquished Space
Jack Quartet

Duarte Lobo (ca. 1565-1646), Agnus Dei (da obra Missa Dum aurora)
Graindelavoix
Björn Schmelzer, direcção

Dinis Sousa na Royal Northern Sinfonia

Após ter sido nomeado, em 2018, maestro assistente do Coro Monteverdi, e na sequência do seu trabalho com os English Baroque Soloists e a Orchestre Révolutionnaire et Romantique, Dinis Sousa foi este mês anunciado como Maestro Principal da Royal Northern Sinfonia (RNS), o que constitui mais um passo sólido na sua carreira de director de orquestra em terras britânicas.

O director da RNS, Thorben Dittes, destacou esta escolha pelo “talento excepcional” de Dinis e pelo “enorme potencial artístico” que o maestro português poderá levar para o Nordeste inglês. A “inconfundível ligação que Dinis teve com a orquestra no palco” nas suas últimas apresentações com a RNS (em Janeiro e Novembro de 2020) será importante para a assumida tarefa de dinamizar a actividade musical nesta comunidade, atingindo novos públicos e superando os mais recentes desafios que se apresentam a todo o tecido cultural inglês (e mundial), nomeadamente como consequência da pandemia de Covid-19.

A RNS é a única orquestra de câmara do Reino Unido que funciona a tempo inteiro, estando sediada no centro cultural Sage Gateshead, em Newcastle. É o próprio Dinis, num vídeo de anúncio deste novo projecto, que revela que é “uma orquestra muito apreciada pelas audiências locais”. O maestro português acredita que a música é “para todos”, não sendo “selectiva, nem complicada”, mas “uma forma de comunicar com as pessoas mais directa que as palavras”.

Natural do Porto, Dinis Sousa tem desenvolvido carreira como pianista e, sobretudo, director de orquestra. Radicado em Londres, estudou na Guildhall School of Music and Drama, exercendo a Fellowship em Direcção de Orquestra. Em 2013, fundou a Orquestra XXI, projecto que, sob a sua direcção artística, vem reunindo as melhores críticas nos diversos e importantes palcos nacionais em que se apresenta desde então. Dinis recebeu, em 2015, do Presidente da República Portuguesa, o grau de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique.

O primeiro concerto desta nova fase da RNS, inserido na série “New Beginnings” e já com a direcção de Dinis Sousa, acontecerá no dia 16 de Abril, com música de Haydn, Berlioz, Prokofiev e Lili Boulanger. O evento terá transmissão em linha (mais informações em https://sagegateshead.com/whats-on/rns-dawn-and-dusk/).

PODCAST | As viagens pela música de Portugal (07/2020)

Desde há alguns meses tem sido possível ouvir, no último domingo de cada mês, o novo podcast Glosando pela música da lusofonia, um programa da revista Glosas com transmissão em directo na rádio-café Lusophonica, no Farol de Santa Marta, em Cascais.

A glosas.mpmp.pt relembra agora a primeira série, que principiou com a emissão As viagens pela música de Portugal, a 26 de Julho, pelas 10h, com o pianista convidado Duarte Pereira Martins, que nos levou, através de paisagens sonoras, a viajar pelas várias regiões do nosso país. Fizeram-se ouvir obras de Fernando Lopes-Graça, Eurico Carrapatoso, José Vianna da Motta e Frederico de Freitas, entre muitos outros (ver alinhamento completo abaixo).

A gravação encontra-se agora disponível no canal Vimeo da Lusophonica. Se não teve oportunidade de ouvir, poderá fazê-lo através deste link.

 


Licenciado em piano pela Escola Superior de Música de Lisboa, Duarte Pereira Martins concluiu o curso do Conservatório Nacional com a classificação máxima. É membro fundador do MPMP, onde é actualmente coordenador de projectos e produção. É director artístico de inéditas gravações integrais das sonatas de Carlos Seixas (por José Carlos Araújo) e de João Domingos Bomtempo (por Philippe Marques). Foi director executivo da Glosas, revista de música. Premiado em diversos concursos de piano, apresenta-se regularmente em concerto por todo o país e estrangeiro, em variadas formações, destacando-se como divulgador de património musical português. Frequentou o curso de Engenharia Física Tecnológica do Instituto Superior Técnico e termina, actualmente, o mestrado em Empreendedorismo e Estudos da Cultura do ISCTE.


 

Alinhamento

 

Fernando Lopes-Graça (1906-1994), 11 Glosas
Maria da Graça Amado da Cunha, pianista

Eurico Carrapatoso (1962-), O que me diz a calma que vai caindo
Clara Coelho, direcção
Coro Sinfónico Lisboa Cantat

Alfredo Keil (1850-1907), Abertura (da ópera Serrana)
Fernando Cabral, direcção
Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional

José Vianna da Motta (1868-1948), Cena das montanhas (do Quarteto de Cordas n.º 2 em sol maior)
Quarteto Lacerda

Eurico Carrapatoso (1962-), Sombras; Altara; Algarve (da obra O que me diz o vento de Serpa)
Jorge Alves, direcção
Coro Sinfónico Lisboa Cantat

Fernando Lopes-Graça (1906-1994), Em Silves, já não há moiras encantadas; Na romaria do Senhor da Serra de Semide; No tempo em que na Figueira da Foz se dançava o lundum; Um Natal no Ribatejo; Um Velho fandango de Alcobaça; A Citânia de Briteiros; Em terras do Douro (da obra Viagens na minha terra)
Joana Gama, piano

Frederico de Freitas (1902-1980), Ribatejo
Álvaro Cassuto, direcção
Royal Scottish National Orchestra

Ruy Coelho (1889-1986), À noitinha em Condeixa; Dança noturna em Condeixa; Mouraria; Uma velha canção; Uma dança do sul; No Tejo; As crianças brincam nos jardins; Lisboa na noite de São João (da obra Passeios de Estio)
Silva Pereira, direcção
Orquestra da Rádiodifusão Portuguesa

Joly Braga Santos (1924-1988), Encruzilhada
Álvaro Cassuto, direcção
Bournemouth Symphony Orchestra

Amílcar Vasques Dias (1945-), Linho; Tear-Tecer (da obra Lume de chão)
Joana Gama, piano

Cândido Lima (1939-), Vagas e Tempestades (da obra Músicas de Villaiana)
Javier Viceiro, direcção
Coro da Academia de Música de Viana do Castelo
Orquestra Sinfónica da Escola Profissional de Música de Viana do Castelo

Luiz Costa (1879-1960), Telas Campesinas, Op. 6
Bruno Belthoise, piano

João Guilherme Daddi (1813-1887), Douro
Tomohiro Hatta, piano

Anunciada 3.ª edição do Prémio Musa

O MPMP anunciou a terceira edição do Prémio Musa, este ano em parceria com o Lisboa Incomum e o Studio PANaroma (Universidade Estadual Paulista). Criado com o intuito de distinguir a excelência musical da composição contemporânea de tradição erudita e de, nesse contexto, promover a língua portuguesa como veículo expressivo, o Prémio celebra em 2021 a obra literária de Clarice Lispector.

O concurso deste ano destina-se exclusivamente à composição de obras para acusmática e é dirigido a todos os compositores, sem qualquer limite de idade ou nacionalidade. O júri é constituído por Annette Vande Gorne, Flo Menezes, Jaime Reis, João Pedro Oliveira e Keita Matsumiya.

As obras a concurso deverão ser enviadas até ao dia 15 de Setembro de 2021. Os resultados serão anunciados em Dezembro de 2021, dando-se depois lugar a dois concertos de laureados, nos espaços Lisboa Incomum e Studio PANaroma (São Paulo).

O autor distinguido com o Prémio Musa será contemplado com um prémio de 2000 €, além de ser convidado para Compositor Residente na seguinte temporada do MPMP e de ver a obra vencedora incluída numa edição discográfica relativa ao concurso. Haverá a possibilidade de serem entregues Menções Honrosas.

As duas edições anteriores do Prémio Musa tiveram como vencedores Hugo Ribeiro (2019 – obras corais a cappella a partir Sophia de Mello Breyner Andresen) e Miguel Resende Bastos (2020 – obras para recitação e ensemble Pierrot a partir de Ruben A.). Os dois compositores têm vindo a desenvolver um trabalho de proximidade com o Ensemble MPMP, nomeadamente na temporada de câmara e no Festival Música em São Roque, entre outros.


Para mais informações e para consulta do regulamento, visite mpmp.pt/musa ou contacte directamente a organização do concurso através do endereço [email protected].

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