Há sons que existem sem que os ouçamos. No interior das árvores, sob a superfície da água, nas vibrações silenciosas das estruturas que nos rodeiam — existe uma vida sonora que escapa à perceção comum. É precisamente esse território liminar que Ténue | Sonic Figures Project se propõe habitar e revelar.
O novo projeto do compositor Hugo Vasco Reis estreia em Lisboa a 5 de março de 2026, às 19h30, no Lisboa Incomum, dando início a uma digressão que percorrerá algumas das mais relevantes instituições culturais do país. A 8 de março, a música chega ao Museu Nacional da Música, em Lisboa, às 16h, seguindo-se a Universidade de Aveiro (10 de março), a Fábrica da Criatividade, em Castelo Branco (18 de março), e o Porto, com duas apresentações: na Casa da Música (11 de abril) e na Sonoscopia (12 de abril).
Ténue é um projeto de música contemporânea e experimental construído a partir de gravações de campo recolhidas em ambientes sonoros de grande diversidade. Sons captados no interior de árvores, submersos em água ou extraídos das vibrações de estruturas físicas são depois mapeados, orquestrados, estratificados, espacializados e mediados para viola d’arco, percussão e eletrónica — dando origem a uma obra que existe algures entre a composição, a instalação sonora e a investigação artística.
O projeto nasce de uma colaboração estreita entre Hugo Vasco Reis e dois intérpretes de referência no panorama da música contemporânea internacional: o violetista Trevor McTait e o percussionista Miquel Bernat. Juntos, exploram o fenómeno da escuta e da mediação de um ambiente sonoro aparentemente silencioso, numa reflexão que cruza ecologia, corpo, civilização e pensamento enquanto forças geradoras de conhecimento.
Compositor, investigador e músico, Hugo Vasco Reis formou-se em Graz, Zurique, Dresden e Lisboa, acumulando uma prática artística que se estende pela música acústica, electroacústica, arte sonora e instalações. A sua obra recente aprofunda a investigação sobre os fenómenos de som e perceção, com particular atenção às agências da escuta e da mediação — procurando integrar na prática artística sons aparentemente silenciosos do ambiente que nos rodeia.
Fotografia: @Ténue
