A Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em Torres Novas, recebeu no passado sábado a inauguração da exposição itinerante “A Iconografia Musical nas Igrejas e Capelas do Funchal”, um projeto que traz ao continente um olhar revelador sobre a presença da música na arte sacra madeirense.
A mostra reúne imagens de músicos, instrumentos e cenas musicais representadas em igrejas, capelas e conventos do concelho do Funchal, revelando como a música foi sendo integrada, ao longo dos séculos, no imaginário religioso e artístico da Madeira. Mais do que uma exposição visual, trata-se de um trabalho de investigação que cataloga e contextualiza historicamente cada obra, permitindo compreender o seu significado simbólico e cultural.
Organizada pelo Conservatório – Escola das Artes da Madeira, em parceria com o CESEM – Centro de Estudos em Sociologia e Estética Musical e a Direção Regional da Cultura, a exposição já passou pelo Funchal, Évora, Castelo Branco e Braga, prosseguindo agora o seu percurso nacional.
A sessão inaugural incluiu a comunicação “Modus Amoris: Entre o sagrado e o profano na música e na arte”, apresentada por Luzia Rocha e Luís Correia de Sousa, que destacou a permeabilidade entre os universos religioso e secular na produção artística. O momento musical que se seguiu, protagonizado pelo Duo Rudá Porang — Alberto Pacheco (voz) e Anderson Beltrão (piano) — reforçou essa ponte entre reflexão académica e experiência performativa.
A coordenação científica do projeto está a cargo de Luzia Rocha (CESEM) e Rita Rodrigues (Direção Regional da Cultura). A catalogação das obras foi desenvolvida por Carolina Faria, com a colaboração de Leonor Lowden e Micaela Campanário, no âmbito de um trabalho de investigação realizado entre maio de 2023 e março de 2025. A itinerância é organizada por Paulo Esteireiro, presidente do Conservatório, em conjunto com Rita Rodrigues.
Em Torres Novas, a exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 9h00 e as 20h00, e aos sábados das 9h30 às 13h00 e das 14h30 às 17h30. Seguirá depois para Lisboa, onde ficará patente no Mosteiro de São Vicente de Fora até 26 de junho.
Segundo a organização, o objetivo passa por valorizar o património artístico madeirense e reforçar pontes culturais entre regiões, sublinhando o contributo da investigação musical para a compreensão do património histórico e para a sua projeção no presente.
Fotografia: @CESEM
