No dia 15 de Janeiro, a Sala Suggia da Casa da Música voltará a acolher a Banda Sinfónica Portuguesa, que apresentará em concerto os resultados do seu Concurso Nacional de Composição.

Já na quinta edição, o Concurso Nacional de Composição da Banda Sinfónica Portuguesa consolida-se como uma montra relevante da produção contemporânea no âmbito das orquestras de sopros, bem como um importante ponto de contacto entre a criação de músicos com raízes no meio “filarmónico” — na prática, um sinónimo da ubíqua rede de bandas de sopros que continua a sustentar as primeiras fases do desenvolvimento de tantos músicos em Portugal — e de compositores de meios diferentes e que abordam esta formação instrumental por vezes pela primeira vez.

É o caso de Edward Luiz Ayres d’Abreu. Pianista de formação, a sua produção criativa de maior visibilidade tem-se apoiado na orquestra — como a Sinfonietta per orchestra classica, encomenda da Orquestra Metropolitana de Lisboa — e na voz — como Inscriptions (x), estreada pela Orquestra Gulbenkian; na intersecção, a ópera, num interesse que já resultou em duas ofertas — a última das quais, Manucure, posta em cena por Luís Miguel Cintra no Teatro Nacional de São Carlos — e que se estende ao seu trabalho de investigação. Chega à final do concurso com Pálido pálio lunar…, inspirado no poema Minuete Invisível de Pessoa ortónimo.

Alexandre Almeida, por sua vez, é clarinetista da Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana e tem dedicado considerável atenção à música para sopros, quer em grupos camerísticos de dimensão variada, quer em orquestra de sopros. De facto, esta Sinfonieta Grotesca que a Banda Sinfónica Portuguesa dará a ouvir não é sequer a primeira sinfonia da sua autoria para esse tipo de formação.

Também Alain Rosa, o terceiro finalista, é clarinetista. Os seus esforços como compositor tomam frequentemente formas típicas da prática filarmónica do país, desde a marcha de rua ao poema sinfónico. Um deles, Poseidon, já mereceu em 2015 o prémio do Concurso de Composição INATEL/Banda do Exército; tenta agora nova aclamação com The Seven Dances of Demons.

O programa é completado pela estreia mundial de Stellar, uma encomenda da Banda Sinfónica Portuguesa ao compositor (e membro do júri reincidente) Daniel Martinho. A direcção estará a cargo do maestro Luís Carvalho.

Domingo, 15 de Janeiro de 2017, 12:00

Sala Suggia, Casa da Música, Porto

Banda Sinfónica Portuguesa

10€ – 12€

Luís Carvalho, direcção

 

Sobre o autor

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Luís Salgueiro é licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa. Para além da sua actividade criativa, dedica também a sua energia à preparação de partituras e musicografia, primeiro como 'freelancer' e actualmente como coordenador das actividades editoriais do MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa.