Faleceu ontem o maestro José Luís Borges Coelho, aos 85 anos.
A sua longuíssima e distinta carreira espraiou-se por várias actividades e várias instituições, mas será talvez o Coral de Letras da Universidade do Porto (que fundou, e dirigiu durante mais de cinco décadas) que mais rapidamente associamos ao seu nome.
Nasceu em 1940, em Murça (distrito de Vila Real). Concluiu o Curso Superior de Canto do Conservatório de Música do Porto, bem como a licenciatura em História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto — onde forma, em 1966, o Coral de Letras. Enquanto maestro, dirigiu ainda o Coro Misto Sacro de S. Tarcísio, o Orfeão Universitário do Porto, o Coro do Círculo Portuense de Ópera (1983–1994) e o Ensemble Clepsidra.
Enquanto professor, tocou inúmeras gerações de estudantes. Assumiu cargos directivos no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, no Liceu Alexandre Herculano (Porto), na Academia de Música de Viana do Castelo, na Cooperativa de Ensino Superior Artístico Árvore (Porto) e na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo — que o descreveu, na sua nota fúnebre, como “[p]rofessor de exceção e pedagogo incansável”.
Enquanto compositor, dedicou-se essencialmente à música para teatro (colaborando com o Teatro Experimental do Porto e a Seiva Trupe) e para cinema (em filmes de Manoel de Oliveira).
É ainda indissociável da sua actividade artística a sua intervenção política, desde a resistência antifascista à participação na democracia consolidada. Militante comunista (onde integrou a Direcção da Organização Regional do Porto e a Direcção do Sector Intelectual do Porto do Partido Comunista Português), integrou várias listas da APU e da CDU para a Assembleia da República e para as autarquias locais, tendo sido eleito para a Assembleia Municipal de Murça na década de 1980, e, mais tarde, para a Assembleia Municipal do Porto. Foi sócio fundador do Sindicato dos Professores do Norte; integrou o Conselho de Administração da Sociedade Porto 2001 e da Fundação Casa da Música (onde era representante do Estado, e donde se demitiu, em 2020, em “desacordo solitário com o modo como tem vindo a ser conduzido o processo dos chamados ‘precários’”), bem como dos conselhos gerais da Culturporto, da Fundação para o Desenvolvimento Social do Porto, do Instituto Politécnico do Porto, do Conservatório de Música do Porto e da Cooperativa Árvore.
Foi distinguido com o Galardão de Mérito Associativo pela Associação das Coletividades do Concelho do Porto, com a Medalha de Honra da Cidade do Porto e, em 2017, com um doutoramento honoris causa pela Universidade do Porto.
As cerimónias fúnebres realizam-se no Tanatório de Matosinhos, a partir das 16h de 25 de Agosto, com a derradeira despedida prevista para o dia seguinte, às 11h45. No dia 20 de Setembro, pelas 17h, o Coral de Letras estará aberto para um momento de homenagear com a comunidade o legado do seu fundador.
O MPMP Património Musical Vivo manifesta a sua consternação, e endereça as mais sinceras condolências aos entes queridos do maestro.
