O ensemble vocal espanhol Gradualia, dirigido por Simón Andueza, irá realizar no próximo dia 3 de Dezembro, pelas 19h00, um concerto inteiramente dedicado ao compositor português Manuel Cardoso (1566-1650) com o título “Manuel Cardoso (1566-1650): 450 Aniversario. El Genio Olvidado”. O concerto terá lugar na Iglesia de las Mercedarias Góngoras de Chueca, em Madrid, e constitui o quarto evento do ciclo de concertos da série Barroca Aeterna. Este ciclo de concertos promovidos pela associação Aeterna Musica, que se iniciou em Outubro passado e se estende até Junho do próximo ano, caracteriza-se pela “originalidade, com um objectivo prioritário de promover intérpretes e grupos de música antiga que promovem a sua actividade com programas alternativos e independentes para apresentar os seus novos projectos.”

Como mencionado, o programa é totalmente composto por obras do compositor nascido na vila de Fronteira em 1566. Estas obras incluem obras conhecidas do grande público, como é o caso da Missa pro Defunctis a seis vozes, referida por muitos como a obra-prima do frade carmelita, e a Lamentação para Quinta-Feira Santa – Vau. Et egressus est –, a terceira lição das Lamentações do Profeta Jeremias a seis vozes. O programa inclui ainda os dois motetes fúnebres a seis vozes que se seguem à Missa pro Defunctis no Liber Missarum de 1625 – Non mortui e Sitivit anima mea –, ambos também para seis vozes e que formam, juntamente com a missa e a lamentação, o grupo de obras mais conhecido deste compositor no plano internacional. O concerto abre com uma obra menos conhecida: o responsório Velum templi, um dos três publicados por Cardoso no Livro de varios motetes… (1648) destinado ao Ofício de Matinas de Sexta-Feira Santa.

O ensemble vocal Gadualia foi criado e é dirigido por Simón Andueza, que também integra o grupo como baixo. O grupo dedica especial atenção ao estudo e interpretação da Música Antiga, contando os seus membros com uma experiência sólida e tendo trabalhado já com directores e intérpretes de renome internacional, como Harry Christophers, Jordi Savall, Gustav Leonhardt, Gabriel Garrido, Alan Curtis ou Andrew Parrott, entre outros. Em conjunto com a busca de uma qualidade interpretativa, o seu objectivo primordial é transmitir ao espectador a imensidade emocional que encerra o repertório polifónico ibérico, convidando-o a entendê-lo e a apreciá-lo. O grupo apresentou-se pela primeira vez em Madrid, com dois concertos de música para o Natal do século XVI, tendo recebido boas críticas. Tem actuado em importantes espaços culturais, como El Matadero ou a Universidade Complutense de Madrid e também no programa El Séptimo Vicio da Radio 3 (Radio Nacional de Espanha), onde interpretou obras de Johann S. Bach em directo. Estreou um programa com obras de Tomás Luis de Victoria para as celebrações dos 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Ávila, com vários concertos nas regiões de Castilla y León e na Extremadura. Recentemente, o grupo participou no Festival de Música Antigua y Barroca de Puerto de La Cruz (Tenerife) e encontra-se a gravar um CD com obras de Victoria, Guerrero e Morales, entre outros compositores espanhóis.

Sobre o autor

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Musicólogo açoriano, doutorando na Universidade de Évora, é mestre em Ciências Musicais (FCSH NOVA) e licenciado em Música (UÉvora). É investigador em formação no CESEM e membro do MPMP. Catalogou o arquivo musical da Sé de Angra, foi bolseiro no projeto ORFEUS e também investigador no projeto PASEV. Fundou e dirigiu o Ensemble da Sé de Angra e também o Ensemble Eborensis, com concertos nas ilhas dos Açores, Continente português e França. Os seus interesses de investigação centram-se na polifonia portuguesa seiscentista, especialmente no Alentejo, e a música nos Açores do século XV ao final do XIX.