Entre os concertos de Natal e a habitual programação de fim de ano, há espaço para uma proposta singular dedicada à criação contemporânea. De 27 a 30 de Dezembro de 2025, realiza-se o 6.º Festival Itinerante de Percussão (FIP), com concertos de entrada livre na Escola Superior de Música de Lisboa e no Museu do Oriente.

O FIP reúne percussionistas das sete instituições de ensino superior participantes num formato singular: três septetos interinstitucionais, compostos por alunos de diferentes escolas, trabalham ao longo de três dias e meio na preparação de novas obras encomendadas a compositores portugueses, que terão estreia absoluta no concerto de encerramento do festival. Cada septeto é orientado por um professor distinto, enquanto os quatro docentes restantes conduzem masterclasses, abertas também a alunos do ensino básico e secundário.

O festival promove assim o encontro de três níveis de formação — professores e intérpretes profissionais, estudantes do ensino superior em transição para a vida profissional e alunos do ensino secundário interessados em prosseguir estudos na área da percussão. No final de cada dia de trabalho, os professores das sete escolas apresentam-se em recitais a solo. À semelhança da edição de 2024, estes recitais integram ainda a participação de dois jovens percussionistas, seleccionados através de uma chamada aberta.

Os três primeiros dias do festival são dedicados a recitais de solistas: a 27 de Dezembro, com João Dias, Nuno Aroso e Vasco Ramalho; a 28 de Dezembro, com André Dias, Jeffery Davis e Bernardo Cruz; e a 29 de Dezembro, com Pedro Carneiro, Marco Fernandes e Paulo Amendoeira, incluindo a participação dos solistas seleccionados. Estes concertos evidenciam diferentes instrumentos, linguagens e abordagens performativas, reflectindo a diversidade técnica e estética da percussão contemporânea.

A programação culmina a 30 de Dezembro com um Concerto de Estreias dedicado às formações em septeto, apresentando obras de António Pinho Vargas, Nádia Carvalho e Bernardo Lima, num claro compromisso com a música portuguesa contemporânea. Em paralelo, decorrem masterclasses especializadas, mediante inscrição: André Dias (caixa, 27/12), Vasco Ramalho (marimba, 28/12), Jeffery Davis (vibrafone, 29/12) e Marco Fernandes (tímpanos e percussão de orquestra, 30/12), em colaboração com as instituições ANSO, ESART, ESMAE, ESML, UA, UÉ e UM.

Com uma programação centrada na criação, na formação e na circulação de intérpretes, o 6.º FIP afirma-se como um espaço de encontro entre gerações e práticas da percussão em Portugal. A direcção e produção estão a cargo de Mário Teixeira e Diana Ferreira, com assistência de Diogo Mota e Marco Duarte.

Fotografia: @FIP.

Sobre o autor

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Diplomada pela Universidade de São Paulo, onde se licenciou em História, concluindo o mestrado e o doutoramento em Arqueologia e integrando o LARP, Laboratório de Arqueologia Romana Provincial, enquanto Supervisora de Programas e Pesquisas. Foi docente de História da Arte em diversas instituições universitárias e no MASP, Museu de Arte de São Paulo. Realizou o estágio doutoral no Collège de France, Paris, especializando-se depois em Gestão Cultural no SENAC, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, e concluindo o mestrado em Empreendedorismo e Estudos da Cultura — Património no ISCTE, Lisboa, tendo neste âmbito sido distinguida com um Prémio de Excelência Académica.